A Carta de Paulo aos Romanos e a Justificação pela Fé

Um Estudo Devocional

 

Damos aqui continuidade a um, como o diz o pastor Ridenour: "...trabalho de equipe. Começou quando Paulo, o grande apóstolo, escreveu sua famosa Carta à Igreja de Roma, lá por volta do ano 57. d.C." Continuou quando Ken Taylor escreveu as suas "Cartas Vivas", paráfrases das epístolas do Novo Testamento, mais tarde estendidas para o "Novo Testamento Vivo" e "Bíblia Viva". Prosseguiu quando Fritz Ridenour escreveu seu bem-humorado e didático comentário sobre a epístola, no livro "Como ser Cristão sem ser Religioso" e completou-se com os comentários do grande pregador Frederick Meyer, no "Comentário Bíblico Devocional - Novo Testamento" e do pastor Herbert Kiesler, nas Lições da Escola Sabatina, no 4º trimestre de 1990, que estudaram este livro da Bíblia.

Nossa participação foi condensar estes comentários e adicioná-los ao texto bíblico, compondo um estudo devocional programado para 46 dias. Nele se busca o que Paulo quis realmente dizer à igreja de Roma, sem entrar em aspectos teológicos formais e resgatando o que este conhecimento tem a ver com nossa experiência religiosa, nossa salvação, hoje.

Quando útil à compreensão, foram colocados em paralelo versos nas versões da Bíblia na Linguagem de Hoje ou Bíblia Viva.

Segue-se a programação diária da proposta da Terapia Espiritual, plano de ler em grupo virtual a Bíblia devocionalmente em 4 anos. Mais detalhes sobre o plano podem ser encontrados na lista Terapia Espiritual. A participação na lista é possível através do endereço: http://members.spree.com/family/iasdadami.

Deixamos aqui um conselho: para obter maiores efeitos, não leia este texto apressadamente. Se encontrar alguma citação que o induza à meditação, pare aí e não vá adiante. Procure entender o que Deus quis dizer a você através do apóstolo e tente descobrir como isto se encaixa no desenvolvimento de sua natureza espiritual. Deixe que estas reflexões o acompanhem e iluminem o seu dia.

Ao final, foi acrescentado um resumo do livro de Romanos e como ele está relacionado com a certeza da salvação e o fim da culpa.

Desejamos, de todo o coração, que você também seja beneficiado por esta linda exposição de Paulo de como Deus atua em nossa vida, com amor profundo, "mais forte que a morte", para a nossa salvação.

Deus te abençoe nesta leitura e em toda a sua vida,

Jeferson Antonio Quimelli.

Ponta Grossa, PR, maio de 2000.

 

 

 

 

 

1º Dia: Romanos 1:1-7 – Prefácio e Saudação

1 Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,

Servo (v.1):

No início de sua maior epístola, Paulo se apresenta como um servo. Tal humildade o qualificava para ser o intermediário das maravilhosas revelações de Deus. (Frederick B. Meyer)

Que contraste com o Paulo perseguidor, descrito em Atos 26:9-11, e o Paulo descrito em Filip. 3:7! ("Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo;"). O encontro com Jesus coloca os nossos pontos de vista em suas dimensões corretas...

Chamados (v.1 e 6):

Paulo enfatiza que foi chamado diretamente por Jesus para ser Seu apóstolo, dando respaldo às suas palavras e admoestações. Do mesmo modo, ele mostra o ardente desejo de Deus em nos chamar para sermos de Jesus Cristo.

2 que ele antes havia prometido pelos seus profetas nas santas Escrituras,

3 acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,

4 e que com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos - Jesus Cristo nosso Senhor,

Dupla natureza (v.3 e 4):

Note a referência enfática à dupla natureza do nosso Senhor. Uma O tornando apto a nos compreender e representar e a outra para nos resgatar à feliz imortalidade com Ele. (Frederick B. Meyer)

5 pelo qual recebemos a graça e o apostolado, por amor do seu nome, para a obediência da fé entre todos os gentios,

6 entre os quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo;

7 a todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados para serdes santos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

 

2º Dia: Romanos 1:8-15 – O amor de Paulo pelos cristãos de Roma. Seu desejo de vê-los

8 Primeiramente dou graças ao meu Deus, mediante Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.

9 Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,

10 pedindo sempre em minhas orações que, afinal, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião para ir ter convosco.

Intercessão amorosa (v.9 e 10):

Muito tempo antes de ver o rosto desses cristãos em Roma, ele já havia estado orando por eles. Já ganhara a batalha antes de entrar nela. (Frederick B. Meyer)

Seria muito bom orarmos a cada dia pelas pessoas que ainda não conhecemos e que Deus colocará hoje em nosso caminho.

Que sejamos a elas uma benção...

O valor da oração (v. 9 e 10):

É bastante evidente que a oração tinha muito valor para o apóstolo. Essa projetada viagem era objeto de súplicas continuas. Ele sabia que muitas coisas tinham de ser obtidas por meio da oração e que, sem ela, ficariam perdidas. Lembremos que nossas viagens também devem ser planejadas de acordo com a vontade de Deus. (Frederick B. Meyer)

11 Porque desejo muito ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais fortalecidos;

12 isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado em vós pela fé mútua, vossa e minha.

Fortalecimento mútuo (v.12):

Que nobreza por parte do apóstolo em dizer que a sua fé era fortalecida pela fé deles, como a deles pela sua. Ele não estava apenas tentando ser gentil: realmente cria nisto.

Há uma admirável mutualidade no serviço de Deus. Pense: quanto do sucesso do ministério de Paulo foi devido às orações dos fiéis? Oramos nós pelos ministradores do evangelho, oficiais ou leigos, que fazem o trabalho que os anjos gostariam de fazer, que é contar as boas novas do Evangelho?

13 E não quero que ignoreis, irmãos, que muitas vezes propus visitar-vos (mas até agora tenho sido impedido), para conseguir algum fruto entre vós, como também entre os demais gentios.

14 Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.

Uma grande dívida (v.14):

Nós devemos tudo ao Senhor [Mateus 18:23-35 - parábola do credor incompassivo], mas, desde que não podemos fazer nenhuma retribuição, ele nos fez seus legatários [permite que retribuamos a outros]. Devemos pensar nos outros como quem tem algo a cobrar de nós por amor a Cristo. Ajudando-os, fazemo-lo ao Senhor ["...a Mim o fizestes..."]. (Frederick B. Meyer)

15 De modo que, quanto está em mim, estou pronto para anunciar o evangelho também a vós que estais em Roma.

Pronto ao desafio da pregação em Roma (v.15), a capital do mundo.

"Paulo não era indiferente às exigências da cultura intelectual. Ele tinha sido cuidadosamente instruído nas literaturas hebraica e grega. O discípulo de Gamaliel apreciava a alta cultura do mundo romano que não deixava de ter valor; mas ele não estava envergonhado de pregar o evangelho em sua capital porque levava consigo a dinâmica divina. Era 'o poder para a salvação' (v.16)." (Frederick B. Meyer)

 

 

 

 

 

3º Dia: Romanos 1:16 e 17 – O assunto da epístola: a justiça pela fé em Jesus Cristo

16 Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.

Não me envergonho (v.16):

É bom lembrar que para o mundo da época, a morte de cruz era a morte mais vergonhosa. O condenado era exposto nu, para vergonha de sua família e conhecidos, durante vários dias, até morrer por gangrena, entre terríveis dores de cãibras e dificuldade de respiração.

Para nós, hoje, a cruz é um símbolo amplamente aceito, mas o foi pelos primeiros cristãos somente após o primeiro século. Até então, o símbolo usado era de Jesus, o Bom Pastor.

Por isto Paulo falava que para alguns, o evangelho era loucura (I. Cor. 1:18 e 23). A paixão de Paulo era o desejo de pregar o poder de Deus para salvar todo aquele que crê.

Evangelho (v.16):

A palavra "evangelho" significa boas notícias.

O âmago do evangelho é o fato de que Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para ser o nosso Salvador que vive. Mas estes fatos históricos só se tornam proveitosos para o pecador quando ele tem fé em Jesus.

Não basta crer em algo sobre Jesus do mesmo modo que se crê em algo sobre outros personagens históricos.

Temos fé quando podemos dizer sinceramente com Paulo: "Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor." Fil. 3:8. Então Ele provê libertação do pecado, e desfrutamos as bênçãos da salvação.

Salvação (v.16):

A palavra grega traduzida por salvação significa "libertação" ou "preservação".

Salvação é libertação do mal mediante a atuação interior do Espírito Santo (Efés. 1:13; Fil. 2:12 e 13). E também abrange o livramento final deste atual mundo de pecado, por ocasião do segundo advento de Jesus (Rom. 13:11; I Tess. 5:8-10).

As Escrituras declaram que a salvação:

a) Vem de Deus (Sal. 37:39);

b) é por meio de Cristo (Atos 4:12)

c) e não por obras humanas (Efés. 2:8 e 9). (Lições de Herbert Kiesler)

17 Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

A justiça de Deus revelada (v.17):

Justiça é pureza ou santidade de coração devido à habitação de Cristo no íntimo da alma (Rom. 8:9 e 10). Essa justiça de coração resulta em ações corretas (I. S. João 2:29).

Romanos 1:16 e 17 declara que o evangelho tem poder para salvar-nos porque nos revela a justiça de Deus. Este conhecimento de Deus não é mera informação teórica; é uma experiência espiritual pela qual a verdade passa a fazer parte da vida.

Para mim, este verso se completa com Gálatas 2:19 e 20: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim... "

"Mas o justo viverá por fé " (v.17) (Almeida RA):

Este verso, citado por Paulo de Hab. 2:4, é tão fundamental para a compreensão de como Deus prove nossa salvação, que vamos ver como é traduzido em outras versões:

(Almeida RC): "Mas o justo viverá da fé "

BLH: "Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus". (ou: Quem é aceito por Deus, viverá por meio da fé. - rodapé)

Bíblia Viva: "O homem que encontra a vida, vai encontrá-la confiando em Deus."

A justiça pela fé é um tipo especial de justiça - algo que é sem igual nas religiões comparadas. A justiça pela fé está firmada na fidelidade de Deus. Quando a fidelidade de Deus encontra a resposta de fé da parte do homem, o milagre torna-se possível. Então é manifestada a justiça de Deus.

Sendo que Cristo vive no coração daquele que crê, essa pessoa tem a dádiva da justiça de Cristo e possui o poder para realizar obras agradáveis a Deus. Foi esta compreensão que iluminou, mudou e inflamou a vida de Lutero...

Porque então é tão difícil aceitar a dádiva inapreciável da justiça de Deus?

1) A tentativa de nos tornarmos justos por nossos próprios esforços é uma manifestação natural de independência humana.

2) Aceitar a justiça de Cristo significa a morte para o próprio eu.

3) É mais fácil confiar em nossas boas obras do que confiar em Cristo. (Comentários baseados nas lições do Dr. Herbert Kiesler).

O professor Pedro Apolinário, em seu livro Explicação de Textos Difíceis da Bíblia, demonstra que a melhor tradução para o trecho fundamental de Romanos 1:17 é: "O homem que é justificado pela fé - viverá". E explica: "A teologia de Paulo nos afiança de que o homem justificado pela fé é o único que possui vida, porque esta vem unicamente de Cristo, recebida através da fé. O grande tema da epístola de Romanos pode ser sintetizado nesta frase: O pecado conduz à morte; a justificação conduz à vida (Rom. 5:17, 21; 8:10)."

Lutero e Romanos 1:17:

"Por uma decretal recente, fora prometida pelo papa certa indulgência a todos os que subissem de joelhos a 'escada de Pilatos', que se diz ter sido descida por nosso Salvador ao sair do tribunal romano, e miraculosamente transportada de Jerusalém para Roma. Lutero estava certo dia subindo devotamente esses degraus, quando de súbito uma voz semelhante a trovão pareceu dizer-lhe: 'O justo viverá da fé'. Romanos 1:17. Ergueu-se de um salto e saiu apressadamente do lugar, envergonhado e horrorizado. Esse texto nunca perdeu a força sobre sua alma. Desde aquele tempo, viu mais claramente do que nunca dantes a falácia de se confiar nas obras humanas para a salvação, e a necessidade de fé constante nos méritos de Cristo. Tinham-se-lhe abertos os olhos, e nunca mais se deveriam fechar aos enganos do papado. Quando ele deu as costas a Roma, também dela volveu o coração, e desde aquele tempo o afastamento se tornou cada vez maior, até romper todo contato com a igreja papal." O Grande Conflito, p. 122 (p. 77 edição condensada).

 

 

 

 

 

4º Dia: Romanos 1:18-23 – A idolatria e depravação dos homens

18 Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça.

19 Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

20 Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis;

21 porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

22 Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos,

23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

É perigoso, tanto ao teólogo, como ao astrônomo (Copérnico e Galileu que o digam...) dizer ao homem que o Universo não gira em torno dele.

E que Deus não é uma extensão dele (ou ele).

Esta tendência foi bem caracterizada nos deuses de características humanas (e até animais) dos antigos.

Isto tornou-se hoje mais refinado quando achamos que Deus pensa como nós, o que ocorre quando deixamos de abrir nossa consciência à iluminação da criação, da Palavra, da pessoa de Jesus (Rom. 2:15; João 1:9; Rom. 1:20; João 5:39), para conhecer como Deus é, ama, pensa e sente. Assim, abrimos caminho à idolatria que, em suma, é adorar a um Deus que não conhecemos (como bem o diz o pastor Maxwell no livro "Você pode Confiar na Bíblia?"...).

A ira de Deus (v. 18):

A ira de Deus não deve ser vista como a nossa ira, mas como a manifestação da aversão ao pecado que faz parte do Seu caráter. (Allan Richardson)

"O amor de Deus e Sua indignação contra o pecado constituem aspectos de Seu compassivo interesse em salvar a humanidade e restaurar o Universo ao estado de perfeição, pureza e harmonia. O infinito amor de Deus rejeita o pecado e tem aversão por ele." (Herbert Kiesler)

 

5º Dia: Romanos 1:24-32 – Entregues os não-judeus a reprováveis sentimentos

Deus aprova por "Média Final"?

A média é a nota final que os professores atribuem aos alunos para avaliar o aproveitamento deles na escola. O professor toma todas as notas obtidas pelo aluno durante o ano, desde as mais baixas até as mais elevadas. Dessas, ele tira a média, e é aí que muitos estudantes caem em dificuldade - as notas inferiores "puxam" a média para baixo, e o aluno pode ser reprovado.

Será que é esse o processo que Deus usa para "avaliar" os homens?

Muita gente pensa assim: "Bem, eu não sou, nem de longe tão mau como fulano... Vivo um padrão de vida muito bom. Nunca furtei, nem faço trapaças... Ora, sou incapaz de dar um pontapé mesmo que seja num cachorro...".

Será que Deus, em Seu amor benevolente e Sua bondade, dará às pessoas que "fazem o melhor que podem", uma nota que dê para elas passarem e receberem o "diploma celestial"? (Fritz Ridenour).

Paulo mostra, nos versos de hoje, que se fosse por este critério, as pessoas que ele descreve [gregos e romanos, principalmente, os que se orgulhavam de serem os mais civilizados...] estariam sem nenhuma chance de aprovação...

Paulo afirma, de modo categórico, como vimos ontem, que o homem pode conhecer seu Criador. O homem pode ver em tudo quanto o cerca na criação, a obra da mão de Deus (v. 20). Mas em vez de reconhecer a Deus, de cultuá-Lo e dar-Lhe graças, esses "pagãos renegados" vivem voltados para si mesmos. Imaginam idéias absurdas sobre Deus (v. 23). Afastam-se da luz e vivem, cada vez mais na escuridão. E dai' pra frente, veja a lista de erros que cometem (vs. 24-32): assassínio, fornicação, adultério, homossexualidade, ganância, ódio, inveja, mentira, etc...

Eles se afastaram tanto de Deus que não mais vêem ou não mais entendem as conseqüências de seus atos. E ainda arrastam outros para que participem com eles de toda essa rebeldia.

Paulo afirma que a conseqüência de recusar receber o conhecimento de Deus é a queda nos padrões morais, a impureza. Quando uma pessoa escolhe deliberadamente o caminho descendente, passa rapidamente de um degrau ao outro, descendo em direção às trevas.

É maravilhoso saber, que mesmo nessa situação, quando o homem se volta para Deus, Ele possa criar, a partir de material tão precário, até santos!

24 Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si;

25 pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém.

26 Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza;

27 semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.

Os gregos (principalmente) e os romanos aceitavam mais abertamente as práticas homossexuais que hoje. As famílias cristãs de hoje - graças a Deus - são as que ainda exercem a maior influência na rejeição desta prática em nossa sociedade.

Mas, num sentido amplo, e principalmente nas grandes cidades, como são aplicáveis as palavras de Paulo aos dias de hoje!

Aqueles que estão a par do que acontece, conhecem os transtornos que o homossexualismo e de outras perversões sexuais trazem: doenças, transtornos emocionais, vidas despedaçadas e morte prematura. O inimigo sabe que ao destruir a relação natural - o casamento - está afetando diretamente o homem (gênero) nas esferas física, emocional e espiritual.

Outros motivos:

1) Por meio da relação matrimonial, a sexualidade humana confere à humanidade a faculdade de criar. Lúcifer ressentiu-se profundamente de haver sido excluído do processo criativo;

2) Através do casamento, o homem desenvolve sua capacidade de compreender e expressar o amor de forma mais nobre e elevada. O amor puro do homem pela mulher nos permite vislumbrar o amor de Jesus pela Sua igreja. O amor e cuidado pelos nossos filhos nos permitem ter uma pálida idéia do amor de Deus Por cada um de nos, individualmente... (Herbert Kiesler)

28 E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm;

29 estando cheios de toda a injustiça, malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade;

30 sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pais;

31 néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia;

32 os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam.

É muito fácil ler a lista acima e pensar: "Isto é para os outros; não se aplica a mim!".

Porem se analisarmos bem a lista acima, veremos que em um grau ou outro, como disse Jesus, estas características estão bem presentes em nossa personalidade.

Em todos nós.

O problema é que se meditarmos bem na lista dos versos 29 a 31, veremos que uma vez ou outra praticamos alguns daqueles atos. Em menor ou maior escala, porque é nossa natureza.

Mas se esta conscientização de nossa situação egoísta e má nos deixa desanimados, tristes e desesperançosos, o Espírito nos lembra as palavras do Mestre: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei." (Mat.11:28)

 

6º Dia: Romanos 2:1-11 – Os não-judeus e judeus igualmente culpados.

1 Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo.

O pecado do nosso irmão é mais fácil de reconhecer e apontar, porque o vemos à distância.

Somente ao olharmos para Jesus vemos a nossa real condição.

Vemos que nossa justiça é como trapos da imundícia...

Lendo nas entrelinhas, podemos imaginar Paulo pensando em sua própria experiência enquanto escreve. Como antes do encontro com Cristo ele se achava um "homem de bem" e depois deste encontro como ele começou a ver como era no intimo. E viu que não podia mais se julgar inocente.

Enquanto nos comparamos com outros, achamos que somos bonzinhos; mas quando estamos na presença da perfeição de Cristo, a historia é outra...

Nós tentamos parecer bons diante dos outros e manter as aparências.

Mas, no íntimo, todos temos alguns cantinhos sujos que não queremos que ninguém descubra.

Entretanto, nada está oculto aos olhos de Deus.

Toda pessoa precisa do evangelho. Tanto o pagão "mau caráter" como o moralmente "bonzinho" e... ...principalmente os metidos a "santos"... (Fritz Ridenour)

2 E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que tais coisas praticam.

3 E tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?

4 Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?

5 Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,

6 que retribuirá a cada um segundo as suas obras;

Contradição? não!

Não há contradição nenhuma entre estes versos (6-10) com Efésios 2:8 e 9: "Pois é pela graça de Deus que vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de Deus, mas é presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês mesmos, e por isso ninguém deve se orgulhar." (BLH)

Muitas passagens das Escrituras ensinam que Deus nos julga por nossas obras. (Ver Sal. 62:12; Mat. 16:27; I Ped. 1:17; Apoc. 20:12 e 22:12) A Salvação é unicamente pela graça de Deus. A pessoa salva pela graça tem o poder de realizar obras agradáveis a Deus. Cristo atua em nós e por nosso intermédio. (Ver Fil. 2:13; Gál. 2:20) E então Ele nos dá a recompensa das obras que realizou por meio de nós. Obras que são corretas à vista de Deus constituem a evidência de que Sua graça está presente na vida (Ver Tia. 2:18) (Herbert Kiesler)

7 a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em favor o bem, procuram glória, e honra e incorrupção;

8 mas ira e indignação aos que são contenciosos, e desobedientes à iniqüidade;

9 tribulação e angústia sobre a alma de todo homem que pratica o mal, primeiramente do judeu, e também do grego;

10 glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem, primeiramente ao judeu, e também ao grego;

11 pois para com Deus não há acepção de pessoas.

 

7º Dia: Romanos 2:12-16 – O juízo de Deus

A mensagem de Paulo em Romanos 2:11-16 é a de que mesmo aqueles que não têm a Bíblia nem ouviram falar de Cristo são salvos por Sua graça quando se mostram sensíveis à convicção interior produzida pelo Espírito Santo e obedecem a Suas ordens. (Herbert Kiesler)

12 Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.

Sem lei e sob a lei.

Quando usou as frases "sem lei" e "sob a lei", Paulo salientou a distinção fundamental entre judeus e gentios. Os gentios estavam sem lei. Os apóstolo referia-se aos que não tinham a lei revelada ou escrita. Por outro lado, os judeus dispunham da revelada vontade de Deus (Herbert Kiesler)

Vejam como este verso fica bem mais claro na Bíblia Viva:

"Deus punirá todos os que tiverem pecado. Castigará os pagãos pecadores, embora eles nunca tenham ouvido a respeito das leis escritas de Deus; e muito mais os que conheceram a Lei serão punidos, conforme a própria Lei manda.

Porque no fundo dos corações, todos sabem a diferença entre o certo e o errado."

13 Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam a lei

Em Romanos 2:13, Paulo não está dizendo que a pessoa é justificada porque obedece à lei de Deus. A obediência da fé é pela graça (Rom. 1:5).

A graça de Deus origina nossa atitude de fé, e o resultado é a obediência a Sua lei (Rom. 3:31; 8:3 e 4).

Romanos 2:13 ensina que no juízo Deus demonstrará e declarará que aqueles cujas obras evidenciaram terem sido salvos pela graça, são eternamente justos.

Por mais respeitável que seja, nenhum ser humano está habilitado para entrar no Céu se confiar em suas próprias obras. Até as pessoas religiosas, por si mesmas, não poderão atingir a elevada norma de Deus: a transformação do coração e da mente. (Herbert Kiesler)

14 (porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, eles, embora não tendo lei, para si mesmos são lei.

15 pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os),

Para o judeu, essa Lei fora escrita nas páginas do Antigo Testamento; mas, para os gentios, que não possuíam nem Moisés, nem o Sinai, ela estava escrita nas tábuas do coração e era conhecida como "consciência".

A diferença entre as duas é comparável à que existe entre a hora do dia indicada pelo sol e a indicada pelo relógio que o homem carrega no seu bolso. (Frederick B. Meyer)

16 no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Cristo Jesus, segundo o meu evangelho. [Ver Atos 17:31]

 

8º Dia: Romanos 2:17-29 – Os judeus são indesculpáveis. O verdadeiro israelita

A mensagem de Paulo em Romanos 1:18 a 2:29 é a de que todos os homens são pecadores que necessitam de salvação. Judeus e gentios, ricos e pobres, cultos ou sem instrução, todos precisam olhar a Cristo com fé e arrependimento, e confiar nEle para que escreva Sua lei no coração deles. (Herbert Kiesler)

17 Mas se tu és chamado judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus;

18 e conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei;

19 e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas,

20 instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens na lei a forma da ciência e da verdade;

21 tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?

22 Tu, que dizes que não se deve cometer adultério, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, roubas os templos?

23 Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?

O judeu confiava na posição a ele conferida pelos privilégios e ritos do judaísmo, embora sua vida espiritual tenha como que se tornado ressequida dentro dessas exterioridades, como grãos secos que chocalham dentro de uma vagem. (Frederick B. Meyer)

24 Assim pois, por vossa causa, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios, como está escrito.

25 Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se guardares a lei; mas se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão tem-se tornado em incircuncisão.

Os judeus insistiam no rito da circuncisão. Os rabinos ensinavam que os circuncidados teriam uma parte no mundo por vir. Paulo disse virtualmente: Não! Se sois inflexíveis em defender a circuncisão, mas menosprezais o concerto, não sois diferentes dos iincircuncisos que não afirmam conhecer a Deus. (Herbert Kiesler)

26 Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão?

27 E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, julgará a ti, que com a letra e a circuncisão és transgressor da lei.

28 Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne.

29 Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.

O inspirado conceito de Paulo era que os incircuncisos são também filhos de Deus, se mantém sincera comunhão com Jesus Cristo. Ritos e Cerimônias têm valor quando devidamente instituídos pelo Senhor, mas apenas constituem sinais, símbolos e auxílios da fé. Jamais devem tomar o lugar da sincera união com Deus. (Herbert Kiesler)

"Letra" em Romanos 2:29 não significa os Dez Mandamentos. A palavra grega para "letra" nos escritos de Paulo às vezes quer dizer o uso legalista dos Dez Mandamentos. (Ver II Cor. 3:6.) Viver "segundo o espírito e não segundo a letra" significa servir a Deus de todo o coração, e não de maneira legalista. (Herbert Kiesler)

Paulo fala aos judeus de seu tempo. Eles eram religiosos. Liam a Bíblia regularmente. Oravam, jejuavam, davam o dízimo e cultuavam a Deus. Eram as pessoas boas, profundamente religiosas, que nunca punham em dúvida a sua posição para com Deus. Nunca lhes passou pela mente que eles, também, podiam estar sob a condenação de Deus. Mas estavam.

Os judeus se tornaram orgulhosos e o orgulho os levara à hipocrisia. A mesma coisa acontece hoje. Em muitas igrejas, a religião é mais importante do que a entrega pessoal a Cristo. A religião assim pode tornar você orgulhoso e convencido, quando, na realidade, você não consegue ser bondoso, honesto, humilde e amável. Por que há tantas pessoas que não querem freqüentar a igreja? É porque elas enxergam a falsidade dessa farsa chamada "religião" e acham que tudo não passa de fingimento [ver verso 24].

Paulo põe às claras, neste texto, o fracasso da "religião": ele afirma claramente que ninguém está livre do pecado: aí se incluem as pessoas religiosas e, entre elas, os judeus, o povo escolhido; todas precisavam da mudança de mente e coração. Isso é a única coisa que vale. (Fritz Ridenour)

Neste momento, eu quero convidar você a uma reflexão:

Como é a sua religião: ela é baseada em rituais ou no relacionamento com Cristo?

Você teria confiança em convidar uma pessoa sensível e esclarecida para visitar a sua igreja?

Se não, como você pode ajudar a alterar este quadro?

 

9º Dia: Romanos 3:1-18 – Paulo responde a objeções. Todos os homens na condição de pecadores

1 Que vantagem, pois, tem o judeu? ou qual a utilidade da circuncisão?

2 Muita, em todo sentido; primeiramente, porque lhe foram confiados os oráculos de Deus.

O povo judaico era possuidor de um grande tesouro, que lhe foi entregue para o benefício do mundo inteiro. Essa posição dos judeus, como mordomos da humanidade, lhes conferia privilégios muito especiais, mas também os expunha a severo castigo caso viessem a ser infiéis. Algumas dessas vantagens são apresentadas em Rom. 9:4 e 5. (Frederick B. Meyer)

Infelizmente, os judeus deixaram de manter a vital união com Deus simbolizada pela circuncisão. (Ver Deut. 10:16; Rom. 2:25-29.) Como resultado, eles foram incapazes de viver à altura dos requisitos básicos da lei de Deus. (Herbert Kiesler)

3 Pois quê? Se alguns foram infiéis, porventura a sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus?

Nossas falhas não podem cancelar a fidelidade de Deus às promessas da aliança - 2 Tim. 2:13: "Se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de nenhuma maneira pode negar-se a Si mesmo." (Frederick B. Meyer)

4 De modo nenhum; antes seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado.

As promessas de Deus são condicionais. Como não vivessem à altura da revelada vontade de Deus, os judeus deixaram de ser a nação escolhida. (Ver Mat. 21:43; 23:37-39.) No entanto, Jesus e Paulo nunca invalidaram a promessa de salvação aos judeus como indivíduos. Essa promessa é válida para todos os que aceitam a Cristo pela fé (Rom. 1:16).

Deus é fiel a Suas promessas, mesmo que Seu povo seja fraco e deficiente. (Herbert Kiesler)

5 E, se a nossa injustiça prova a justiça de Deus, que diremos? Acaso Deus, que castiga com ira, é injusto? (Falo como homem.)

6 De modo nenhum; do contrário, como julgará Deus o mundo?

7 Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para sua glória, por que sou eu ainda julgado como pecador?

É maravilhoso como o pecado humano se constituiu num caminho para a glória de Deus, demonstrando qualidades de Seu amor que, de outro modo, teriam permanecido desconhecidas; mas isso não justifica nossa pecaminosidade. (F. B. M)

8 E por que não dizemos: Façamos o mal para que venha o bem? - como alguns caluniosamente afirmam que dizemos; a condenação dos quais é justa.

Aceitar a argumentação que "o pecado demonstra mais a glória de Deus" implicaria em abrir a porta a toda espécie de abominação. (F. B. M)

Paulo teve que enfrentar a acusação de que ensinava a doutrina de que não é preciso guardar a lei [o antinomianismo]. (C. K. Barret)

A resposta de Paulo é uma negativa simples e vigorosa. Em diversos lugares da epístola aos Romanos ele salienta a importância de obedecer à Lei de Deus como RESULTADO da salvação que Deus nos concedeu e como expressão de nosso amor por Ele. (Ver Rom. 2:13; 3:31; 7:7, 12 e 14; 8:3 e 4). (Herbert Kiesler)

9 Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado;

10 como está escrito: Não há justo, nem sequer um.

Ao escrever que todos "estão debaixo do pecado" e que "não há justo, nem sequer um" (Rom. 3:9 e 10), Paulo referia-se a todos os que estão separados ou longe de Cristo. (Herbert Kiesler)

11 Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.

12 Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

Paulo está aqui citando as passagens do Velho Testamento (Sal. 14:1-3; Sal. 5:7-9), que descrevem o indivíduo que não entrou em concerto ou aliança com Deus. No entanto, ele também conhecia as passagens que consideram como justos os que aceitaram a relação do concerto com Deus. (Ver Isa. 51:1 e 7; 61:3)

Paulo declara que alguém é capaz de realizar obras que sejam agradáveis a Deus, senão não falaria "Os que praticam a lei hão de ser justificados." Rom. 2:13. Somos salvos só pela graça, mas essa experiência envolve o sermos "criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Efés. 2:10)

Paulo estava plenamente de acordo com João. (Ver I S. João 2:29). Só o crente que nasceu de novo e foi justificado, pelo poder do Espírito Santo, é capaz de realizar obras que sejam agradáveis à vista de Deus. (adaptado das lições de Herbert Kiesler)

13 A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios;

14 a sua boca está cheia de maldição e amargura.

Paulo ilustra de maneira impressionante a repulsiva linguagem dos que não tem viva ligação com Cristo. Noutro lugar ele descreve a espécie de linguagem que é agradável a Deus e possível à pessoa que tem "a mente de Cristo". (Ver I Cor. 2:13-16) (Herbert Kiesler)

15 Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.

16 Nos seus caminhos há destruição e miséria;

17 e não conheceram o caminho da paz.

Paulo aqui está citando a descrição feita por Isaías em 59:7 e 8.

18 Não há temor de Deus diante dos seus olhos.

Cita-se que o Major Andrian Mikolayev, astronauta soviético, disse que enquanto esteve em órbita, "não viu Deus lá em cima". O astronauta Gordon Cooper, que voou na Faith 7 e mais tarde na Gemini 5, diz: "Eu também não vi Deus, mas vi muitas das maravilhas que Ele criou". (Fritz Ridenour.)

Vejam como a renovação da mente altera nossa percepção da realidade...

Paulo, nos versos 13 a 18 mostra como todos os órgãos do corpo são utilizados para dar vazão ao mal que está na mente daquele que não se submete à influência de Deus, seja escrita ou pela consciência. Que nossos membros demonstrem que nossos corpos já não nos pertencem, pois foram oferecidos em sacrifício vivo a Deus e nossa mente renovada por Ele (Rom. 12:1 e 2). Amém.

 

10º Dia: Romanos 3:19 e 20 – Ninguém será justificado pelas obras da lei

19 Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que se cale toda boca e todo o mundo fique sujeito ao juízo de Deus;

O termo "Lei", aqui, obviamente é aplicado no sentido amplo abrangendo tanto a consciência como as Escrituras. É o ideal de Deus erguido diante de nosso rosto para mostrar-nos de onde caímos. (Frederick B. Meyer)

Paulo usa a palavra lei no sentido abrangente, pois nessa passagem ele citou trechos dos Salmos e do profeta Isaías. Ao usar este vocábulo ele referia-se a todo o Antigo Testamento, incluindo os Dez Mandamentos.

A Palavra de Deus escrita - a lei - fala aos que têm acesso a ela. Paulo já explicara que os que têm a Palavra de Deus escrita serão julgados por ela (Rom. 2:12). Aqueles que não têm a Palavra escrita serão julgados por sua resposta à voz do Espírito Santo à consciência (Rom. 2:12-16). Assim, o mundo inteiro é culpável perante Deus. Não obstante os claros ensinos da Palavra escrita e a obra do Espírito Santo, todos decidiram pecar. Por isso, o mundo inteiro necessita da obra salvífica de Jesus Cristo. (Herbert Kiesler)

Paulo torna bem claro que o sentimento de culpa é o começo da esperança para as pessoas perdidas: "Para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus." Rom. 3:19.

A culpa é dolorosa. Ela é universal. A criança normal começa a sentir-se responsável por suas ações aos três anos de idade. O senso de identidade é acompanhado do senso de responsabilidade. (Herbert Kiesler)

"Esse sentimento de culpa tem de ser deposto aos pés da cruz do Calvário. O senso de pecaminosidade envenenou as fontes da vida e da verdadeira felicidade. Agora Jesus diz: 'Depõe tudo sobre Mim; Eu levarei teu pecado, Eu te darei paz. Não destruas mais teu respeito próprio, pois comprei-te com o preço do Meu próprio sangue. Tu és Meu.' " (Ellen G. White - Este dia com Deus)

 

 

A culpa doentia:

O Dr. Kiesler faz, em suas lições, uma clara distinção entre o sentimento de culpa normal e o doentio: O sentimento de culpa doentio pode ser destrutivo e dificilmente leva à graça, salvação e felicidade.

Ele aponta possíveis causas do sentimento de culpa doentio:

1) Interpretação errônea das Escrituras.

2) Desarrazoadas coerções sociais [talvez aqui ele coloque pais e familiares perfeccionistas que fazem a criança sentir necessária a perfeição para ser amada e aceita].

3) Diversos tabus.

E cita a inspirada opinião de Paul Tournier (Guilt and Grace: Harper & Row Publishers): "Na realidade, toda culpa insinuada pelo critério dos homens é uma falsa culpa se não receber o apoio interior de um critério de Deus. Portanto, verdadeira culpa muitas vezes é algo bem diferente daquilo que nos oprime constantemente, por causa de nosso medo da condenação social e da desaprovação dos homens".

Este ponto é de importante consideração, porque muitos, mesmo se arrependendo dos pecados, os confessando e aceitando a graça de Jesus, continuam a se achar indignos perante Deus. Como se seu perdão não fosse suficiente ou não tivesse sido ainda aplicado...

É importante descobrir a razão deste sentimento, muitas vezes que subjaz no inconsciente, desde o período da infância.

Neste ponto, pode ser muito conveniente pedir auxílio a um bom psiquiatra ou psicólogo cristãos para a descoberta do padrão, de suas razões e de como livrar-se deste fardo que afasta a pessoa (em geral de caráter muito sensível) do sentimento de paz que vem da comunhão com Deus, em Jesus.

20 porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.

O propósito de um espelho não é lavar o rosto, mas mostrar o quanto precisa ser lavado. (Frederick B. Meyer)

A tradução de Philips parafraseia Romanos 3:20 da maneira que segue:

"Ninguém pode justificar-se diante de Deus pela perfeita execução dos preceitos da Lei - na realidade, é a régua da Lei que nos mostra quão tortos nós somos."

Ninguém é justificado pela lei, porque a lei não tem poder de salvar (Ver Gál. 2:16.) A função da lei é mostrar-nos os nossos pecados. (Comparar com Tiago 1:22-25.) (Herbert Kiesler)

Quando o espelho da lei (escrita, consciência) nos aponta nossas manchas, o que devemos fazer é confessar nossa situação a Deus. I João 1:9: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." A comunhão com Ele, pelo Espírito, nos fará ter aversão ao pecado e prazer em fazer o correto - as obras do Espírito.

 

11º Dia: Romanos 3:21-31 – A justificação pela fé em Jesus Cristo

Romanos 3 revela que todos necessitam de um Salvador, porque todos pecaram. A lei [fazer o que é certo] não pode salvar. Sua função é mostrar o pecado. A salvação só é obtida por meio de Jesus Cristo, o qual morreu pelos nossos pecados. Quem realmente crê nEle recebe a justificação - a dádiva de Sua justiça.

21 Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas;

22 isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção.

É importante compreender que o recebimento da justiça de Deus (Rom. 3:21 e 22) é o que Paulo considera justificação (verso 20). Seu argumento pode ser parafraseado desta maneira: "A lei não pode salvar-vos do pecado. Isso significa que a lei não pode justificar-vos. Ela só pode indicar o vosso pecado. Se, porém, receberdes a dádiva da justiça de Deus, tereis justificação (salvação)." Só poderemos receber a dádiva da justiça de Deus se tivermos fé em Jesus Cristo. (H. Kiesler)

23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;

24 sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,

Redenção significa: "ser libertado da escravidão pelo pagamento de um resgate." (Herbert Kiesler)

Veja este verso na Bíblia Viva: "No entanto Deus nos declara agora sem culpa das ofensas que fizemos a Ele se tivermos fé em Jesus Cristo. Aquele que tira os nossos pecados, sem termos que pagar nada em troca."

Um dos significados da palavra justificação é que quando cremos, Deus nos declara justos lançando a justiça de Cristo a nosso crédito (adaptado das lições do Dr. Kiesler)

25 ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos;

Verso 25 na Bíblia Viva:

"Deus destinou Jesus Cristo para sofrer em nosso lugar o castigo pelos nossos pecados, e assim esgotou toda a ira de Deus contra nós. Ele usou o sangue de Cristo como o meio de nos salvar da Sua própria ira. Deste modo ele estava sendo completamente justo, mesmo não tendo castigado aqueles que pecaram em tempos passados. Ele estava aguardando com paciência o dia em que Cristo viria para apagar aqueles pecados."

Embora a justificação não nos custe nada, a não ser o nosso orgulho, a Cristo custou seu próprio sangue (v. 25). A base da propiciação, o propiciatório, era a tampa de ouro da arca, que o sumo sacerdote aspergia com sangue. (Veja Hebreus 9:5) (Frederick B. Meyer)

O encontro da justiça (lei) e a misericórdia...

26 para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus.

27 Onde está logo a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.

Bíblia Viva: "Podemos então nos gabar de termos feito alguma coisa para ganhar a salvação? Absolutamente, não! Por que? Porque a nossa salvação não está baseada em boas obras; e sim, está baseada naquilo que Cristo fez. E é por meio da fé que a recebemos."

28 concluímos pois que o homem é justificado [BV: declarado justo] pela fé sem as obras da lei.

29 É porventura Deus somente dos judeus? Não é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,

30 se é que Deus é um só, que pela fé há de justificar a circuncisão, e também por meio da fé a incircuncisão.

Bíblia Viva: "Deus trata com igualdade a todos os que têm fé; todos mesmo, quer sejam judeus ou gentios são declarados justos se tiverem fé."

31 Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.

Bíblia Viva: "Então, se somos salvos pela fé, isso significa que não precisamos mais obedecer às leis divinas? Ao contrário! De fato, só quando confiamos em Jesus é que na verdade podemos obedecer a elas."

A justificação não é somente uma mudança nos registros no Céu de nossa condição de culpados para inocentes.

"Justificação é também uma experiência do coração", diz o Dr. Kiesler. "A graça é uma dádiva ao coração do crente. (Ver II Cor. 9:8 e 14; I Cor. 1:4 e 5.) Ela é o poder de Cristo manifestado na vida."..."A pessoa salva é aquela que recebeu o Espírito de Cristo." ..."A justiça de Deus é nossa quando recebemos o Espírito Santo."

Vejam: quando aceitamos, em nossa consciência, a voz e direção do Espírito, Ele, através dos méritos de Jesus, nos reconcilia com o Eterno, porque nossa mente, nossas vontades são mudadas e podemos manter comunhão constante com Deus.

Para meditar: Liberdade condicional?

Muitos cristãos aceitam intelectualmente a verdade da justificação pela fé, e acham que foram completamente perdoados por Deus. Mas vivem e se portam como se estivessem em liberdade condicional. [Pense no que isto significa...]

É o seu caso?

Encerrando, duas magníficas declarações sobre o assunto: uma de Lutero e a outra de Ellen White:

"Diante disso, é suficientemente evidente qual é a distinção entre a Lei e o Evangelho. A Lei nunca traz o Espírito Santo; portanto, ela não justifica, porque só ensina o que devemos fazer. Mas o Evangelho traz o Espírito Santo, porque ensina o que devemos receber." (Luther Works, p. 208)

"Só podemos ser habilitados para o Céu mediante a operação do Espírito Santo no coração; pois temos de ter a justiça de Cristo como credenciais nossas, se quisermos ter acesso ao Pai. Para que tenhamos a justiça de Cristo, precisamos diariamente ser transformados pela influência do Espírito, a fim de sermos participantes da natureza divina." (Mensagens Escolhidas, p. 374)

Que o Espírito de Cristo esteja em todos nós, nos transformando. Que nosso coração esteja aberto à Sua atuação.

 

12º Dia: Romanos 4:1-12 – Abraão justificado pela fé

Paulo não escolheu Abraão como exemplo por mero acaso. Abraão era o pai da nação judaica (Gen. 17:1-8). Se Paulo não conseguisse provar que a idéia da justificação pela fé estava firmemente ancorada no Antigo Testamento, teria sido chamado de herege pelos judeus. E Paulo realmente provou este ponto de vista (versos 1-5). Ele mostrou que porque Abraão creu em Deus, seus pecados foram cancelados e ele declarado justo e reto. (Observe que Rom. 4:3 é uma citação de Gen. 15:6).

Do exemplo de Abraão, vemos que a fé é mais que uma mera crença, um assentimento mental. É confiança que leva à ação. Fé é coisa prática. Não é fantasia. Fé significa risco. Abraão saiu, não sabendo para onde ia. (Comentários baseados nos escritos de Fritz Ridenour)

1 Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?

2 Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.

3 Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

Bíblia Viva: "As Escrituras nos dizem que Abraão creu em Deus, e que por isto Deus o declarou justo."

Abraão também foi salvo pela fé em Jesus Cristo. "Elevando-se acima do resto de seus contemporâneos, ele viu antecipadamente o fulgor do dia de Cristo e se alegrou. Jesus declarou em João 8:56: "Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o Meu dia , viu-o e regozijou-se." (Frederick B. Meyer)

Abraão nasceu com natureza humana decaída e necessitava de um Salvador, mas não levou uma vida dominada pelo medo da condenação à morte Eterna. O Senhor "pregou o evangelho antecipadamente a Abraão" (Gál. 3:8, RSV). A morte de Abraão certamente seria eterna se Cristo não houvesse morrido e ressuscitado. (Ver I Cor. 15:17 e 18.) Mas o Senhor previu que seria bem sucedido em Seus esforços para resgatar a humanidade. (Herbert Kiesler)

4 Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida;

5 porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é contada como justiça;

6 assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras, dizendo:

7 Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.

8 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputará o pecado.

9 Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente, ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos: A Abraão foi imputada a fé como justiça.

10 Como, pois, lhe foi imputada? Estando na circuncisão, ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas sim na incircuncisão.

11 E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles na incircuncisão, a fim de que a justiça lhes seja imputada,

12 bem como fosse pai dos circuncisos, dos que não somente são da circuncisão, mas também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, antes de ser circuncidado.

Verso 12 na Bíblia Viva:

"E Abraão é pai espiritual também daqueles judeus que fizeram a circuncisão. Eles podem entender, pelo próprio exemplo dele, que não é este rito - a circuncisão - que os salva, pois Abraão também foi salvo só pela fé, antes da sua circuncisão."

Paulo foi brilhante ao demonstrar que Abraão tinha sido declarado como justo perante e por Deus ANTES da circuncisão, pela Fé no Salvador que viria (o Cordeiro que Deus providenciaria...). Assim, demonstrou que a circuncisão era somente um símbolo, sem valor real para a salvação.

Para meditação:

Está você recebendo constantemente a dádiva da justiça de Cristo? Entregando-se diariamente a Ele, poderá ter a presença de Cristo na vida. Paz com Deus, vitória sobre o pecado e contínuo estado de preparação para o Céu são os resultados dessa experiência emocionante. (Herbert Kiesler)

 

13º Dia: Romanos 4:13-25

Em Romanos 4 o apóstolo Paulo compara e contrasta LEI, OBRAS e MÉRITO com GRAÇA, PROMESSA e FÉ. Paulo dá a entender que os legalistas procuram obter salvação com base na lei, nas obras e no mérito. Mas ele esclarece que a salvação só pode dar-se pela graça, promessa e fé. (Herbert Kiesler)

13 Porque não foi pela lei que veio a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé.

A declaração de Paulo acerca das promessas de Deus a Abraão estava em acentuado contraste com as crenças dos rabinos. Eles afirmavam que todas as promessas foram feitas a Abraão com base à sua obediência à lei. Paulo salienta que Deus cumpre Suas promessas devido à fé de Abraão e de seus filhos espirituais. (Herbert Kiesler)

14 Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é anulada.

O que Deus prometeu a Abraão?

Ele lhe prometeu inúmeros descendentes (Gên. 12:2; 15:5) e a posse da terra de Canaã (Gên. 12:7) ... O Messias seria o seu Descendente por meio do qual se ofereceria vida eterna ao mundo inteiro (Gál. 3:8).

15 Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão.

Onde não há lei, não há transgressão:

Paulo parece estar usando essa declaração negativa para confirmar a veracidade de sua asseveração positiva, de que onde a lei existe, é revelada a transgressão e paira a ameaça de ira. Ele está procurando tornar claro aos legalistas que se a justiça não é pela fé, mas pela lei, não há esperança de salvação. (Comentário Bíblico Adventista)

[Ou: somente onde não há lei, não há transgressão...]

16 Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós.

17 (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem.

18 O qual, em esperança, creu contra a esperança, para que se tornasse pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência;

19 e sem se enfraquecer na fé, considerou o seu próprio corpo já amortecido (pois tinha quase cem anos), e o amortecimento do ventre de Sara;

20 contudo, à vista da promessa de Deus, não vacilou por incredulidade, antes foi fortalecido na fé, dando glória a Deus,

21 e estando certíssimo de que o que Deus tinha prometido, também era poderoso para o fazer.

Ele tinha certeza, por exemplo, que mesmo matando Isaque, Deus cumpriria sua promessa de estabelecer sua (e Sua) descendência (Descendência) através dele, o ressuscitando...

Por que Paulo não mencionou o casamento de Abraão com Hagar e outros erros cometidos pelo patriarca?

Na epístola aos Gálatas, Paulo traz à lembrança dos leitores o erro cometido por Abraão. (Gál. 4:21-31). Sua tentativa de alcançar o cumprimento da promessa tendo um filho por meio de Hagar constitui um exemplo da experiência do velho concerto. As promessas de Deus são recebidas só pela fé. Elas não podem ser obtidas pelo esforço humano. Em Romanos 4, Paulo não menciona o lapso espiritual de Abraão, lembrando-nos de que não obstante as evidências em contrário, o patriarca confiou implicitamente na promessa de Deus. Foi por isso que Deus pôde imputar-lhe Sua justiça.

[Como nós,] Abraão não foi vitorioso em todas as batalhas, mas ganhou a guerra pela fé no Seu Redentor (Herbert Kiesler)

Mesmo Abraão, Moisés, João e até Enoque cometeram os seus deslizes; não foram perfeitos. Mas mesmo caindo, se levantaram ao olhar para o Salvador. O Dr. Kiesler nos diz o que devemos fazer quando nos deparamos com nossas deficiências espirituais:

1) Reconhecer a realidade da natureza humana. "Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós." I S. João 1:8.

2) Não dar atenção às acusações de Satanás.

3) Não ficar desesperado.

4) Confessar os pecados e olhar com fé para Jesus.

5) Examinar a nossa vida e evitar situações que nos conduzam ao pecado.

Enquanto Satanás reinar [neste mundo], teremos de subjugar o próprio eu, de vencer fraquezas; e não há um ponto de parada. Não há um ponto a que possamos chegar e dizer que o alcançamos plenamente. (Ellen G. White.)

22 Pelo que também isso lhe foi imputado como justiça.

23 Ora, não é só por causa dele que está escrito que lhe foi imputado;

24 mas também por causa de nós a quem há de ser imputado, a nós os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor;

25 o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitado para a nossa justificação.

Vejam como ficam mais claros estes últimos versos na Bíblia Viva:

21 Ele estava absolutamente certo de que Deus tinha poder para cumprir qualquer coisa que prometesse.

22 E foi por causa dessa fé que Deus atribuiu justiça a ele, e assim perdoou seus pecados e o declarou "sem culpa".

23 Ora, está dito nas Escrituras que a fé que Abraão possuía foi retribuída a ele com a justificação, não só para benefício dele.

24 Mas também para benefício de todos nós, garantindo-nos que Deus contará a nossa fé como justiça do mesmo modo como fez a Abraão - a nós os que cremos nas promessas de Deus, que ressuscitou dos mortos a Jesus, nosso Senhor.

25 Este Jesus morreu por causa dos nossos pecados e ressuscitou a fim de nos fazer justos para com Deus.

Vejam só o que ele quer dizer, resumindo: a fé de Abraão fortalece a nossa.

Quando ele só tinha a promessa e as evidências racionais e emocionais diziam o contrário, Abraão confiou em Deus e saiu vitorioso. Deus nos promete a reconciliação com Ele por Jesus. E com Ele, a vida eterna.

Confiamos nesta promessa?

Vivemos como esta promessa já seja uma realidade?

 

14º Dia: Romanos 5:1-11 – A justificação pela fé e paz com Deus

Muitos cristãos são acusados (e alguns com razão) de procurarem a salvação como se fosse uma "apólice de seguro contra fogo" que impede a ida para o lago de fogo, o acerto de contas final. Suas vidas, porém, não revelam resultado algum. Paulo fala aqui que o fato de ser cristão proporciona benefícios e resultados para esta vida - aqui e agora. (adaptado de Fritz Ridenour)

[O capítulo 5 de Romanos] ...descreve as bênçãos que acompanham a justificação. [...] Os que são reintegrados na comunhão com Cristo recebem o dom de Sua paz (Herbert Kiesler)

1 Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,

verso 1 na BLH:

Agora que fomos aceitos por Deus por meio da fé, temos paz com Ele por intermédio de Jesus Cristo, o nosso Senhor.

Muitos cristãos têm dificuldade para crer que sua culpa foi eliminada. Passam a vida condenando-se a si mesmos pelos pecados cometidos no passado. Alguns dizem crer que Cristo os perdoou, mas admitem que não conseguem perdoar a si mesmos. Essa atitude envolve uma blasfêmia inconsciente. Sem que o percebam, essas pessoas estão dizendo virtualmente: "Tenho uma consciência mais sensível do que Deus. Ele pode perdoar-me, mas eu não posso perdoar a mim mesmo." Como o grande apóstolo dos gentios, todo pecador precisa ouvir as palavras do Salvador: "Sua aflição acabou; Eu expiei completamente os seus pecados. Vá em paz." (Herbert Kiesler)

[Nota: Medite demoradamente neste último parágrafo. Veja se você tem certeza - racional e emocional - do perdão de Jesus e apodere-se com segurança da paz que Ele dá.]

2 por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus.

verso 2 na Bíblia Viva:

Por meio de Cristo somos colocados nesta situação de bênção em que nos encontramos firmes pela fé; e, confiantes e alegres, esperamos ansiosos o dia em que veremos a glória de Deus e participaremos dela.

3 E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança,

verso 3 na BV:

Podemos nos alegrar, também, quando nos encontramos diante de problemas e lutas, sabendo que tudo isto é bom para nós - pois ajuda-nos a aprender a ser pacientes e a não desistir.

Paulo via nos sofrimentos um motivo de alegria (o que pareceria contraditório), porque a fé, uma vez confirmada, produz alegria e salvação.

A fé em Cristo dá poder para suportar as coisas quando se tornam difíceis. (Fritz Ridenour)

A lixa e a tesoura dos Senhor às vezes doem, mas sem a aspereza e os espinhos podemos abraçar nossos queridos sem machucá-los e nos achegarmos confiantemente (agasalharmo-nos como filhotes) a Deus.

4 e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança;

Alegria no sofrimento:

O cristão não está isento de tribulações e tristezas. (Ver Atos 14:22.) O apóstolo explicou como a fé cristã usa as tribulações para o aperfeiçoamento do caráter:"...o sofrimento produz perseverança...caráter...esperança". Aqui há uma seqüência natural de desenvolvimento. Não precisamos ser destruídos pelo sofrimento; pela graça de Cristo podemos perseverar. Assim, nos tornamos pessoas com caráter mais forte, mais confiantes nEle e mais vitoriosos sobre o pecado e a comiseração de nós mesmos. Então vem a realização da esperança: O Espírito Santo nos dá a glória do caráter de Jesus! (verso 5) (Herbert Kiesler)

Se Deus é o amoroso Pai celestial, por que Ele permite que Seus filhos tenham de passar por tantas dificuldades, aflições e sofrimentos?

1) Porque estamos no território do inimigo. É S. quem causa aflição e sofrimentos aos filhos de Deus.

2) Grande parte dos nossos sofrimentos resulta de um procedimento pecaminoso e insensato.

Pergunte a si mesmo: Quando tenho aprendido algo muito valioso: em tempos de serenidade, ou em tempos de adversidade? (Herbert Kiesler)

5 e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

verso 5 na BV:

Pois confiar e esperar as promessas de Deus se cumprirem, por mais que isto demore, não nos deixará decepcionados, porque sabemos o quanto Deus nos ama: pois o Espírito Santo que Ele nos deu encheu nossos corações com amor.

6 Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios.

A cruz possibilitou que Cristo derrame o Espírito Santo com ilimitado poder sobre os crentes reconciliados com Deus (Ver. Luc. 24:49; Atos 1:8.) (Herbert Kiesler)

Cristo morreu a seu tempo:

BV: Cristo veio na hora certa.

Ao olhar para um relógio, uma menininha disse o seguinte: "Deus inventou o tempo para impedir que tudo aconteça ao mesmo tempo."

"Tudo tem o seu tempo determinado..." (Ecles. 3:1).

A História produz a ocasião propícia, e então Deus intervém no momento exato. "...vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho..." (Gál. 4:4.)

Jesus nasceu no tempo exato, quando os efeitos do pecado já estavam patentes ao Universo. Nosso Senhor repreendeu os fariseus por não discernirem "os sinais dos tempos" (S. Mat. 16:3).

Estamos nós interpretando os sinais dos tempos no mundo em nossa vida, ao estar tão claro a terrível e maravilhosa verdade da segunda volta de Cristo? Depende de nossa postura, ser terrível ou maravilhosa... (adaptado de Herbert Kiesler)

7 Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer.

verso 7 na BV:

Mesmo que fôssemos justos e bons, não esperaríamos que alguém morresse em nosso lugar, embora isso fosse possível, mas muito difícil de acontecer.

8 Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.

Existe amor maior que este?

9 Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

Ira de Deus: Ele se afastando de nossa vida.

A punição é a inevitável conseqüência do pecado. (Ver Apoc. 14:10; 6:16 e 17.) A ira de Deus é a Sua justa e amorosa indignação contra o pecado. Quando alguém se identifica com o pecado e rejeita a graça de Cristo para abandoná-Lo, Deus, em sua misericórdia, separa esse indivíduo de Sua pessoas por toda a eternidade. O amor requer um Universo livre do pecado e de pecadores impenitentes. O amor permite que o pecador decida o seu destino. Ele livra o pecador arrependido das garras da morte eterna (João 3:16 e 36.)

10 Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

Seremos salvos pela Sua vida:

BV: ...quantas bênçãos deve Ele ter para nós, agora que já somos Seus amigos, e que Ele está vivendo dentro de nós!

Nossa salvação abrange muito mais do que ser salvo daquilo que fizemos no passado. [...]

Que significa "ser salvo por Sua vida"?

1) Jesus intercede por nós no Céu.

2) Ele ouve e atende nossas orações.

3) Como nosso Irmão mais velho, Jesus cuida de nós e nos anima na jornada cristã.

4) Ele é o Bom Pastor, e nos faz repousar em pastos verdejantes, leva-nos para junto das águas de descanso, refrigera-nos a alma e nos guia pela vereda da justiça (Salmo 23:1-3).

5) Jesus habita em nosso coração pelo Espírito Santo.

Nosso Salvador coloca os Seus préstimos sacerdotais à nossa disposição. Sua constante intercessão constitui a garantia de nossa completa salvação. Por que será que oramos tão pouco? (Herbert Kiesler)

11 E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação.

verso 11 na BV: Nesta nova relação de amigos de Deus, nós nos alegramos nEle, porque foi por meio de tudo o que Jesus Cristo fez, que nós nos tornamos amigos de Deus.

Pode parecer ao cristão que ele está sozinho com seus problemas, suas provações e suas convicções. O cristão pode parecer pequeno e insignificante, mas ele tem a Palavra de Deus como garantia de que Deus cuida dele. (Fritz Ridenour)

Como um verdadeiro amigo cuida do outro.

 

15º Dia: Romanos 5:12-21 – Adão e Cristo

Revelador o comentário do pastor Meyer:

Essa é a passagem mais profunda e a mais fundamental de toda a epístola. Ela apresenta um vislumbre das coisas profundas de Deus (I Cor. 2:10).

Mas para captar todo o seu significado, precisamos lê-la vagarosa e atentamente, diversas vezes.[...]

Aqui Deus revela que a humanidade se acha unificada, não somente em Adão, mas também em Cristo. O pecado de Adão afetou a condição de todos os homens. Mas pela graça e obediência de "um só homem", Jesus Cristo, é garantida a todos os homens a oferta da dádiva gratuita. A culpa que recaiu sobre a raça humana pelo pecado de Adão, foi removida pela obediência do Filho do homem na cruz. Portanto ninguém é condenado por causa daquela primeira transgressão, nem é sentenciado por aquela primeira queda.

Num certo sentido, todos são justificados; isto é, Deus vê a cada um de nós, não na base da culpa global da raça, e, sim, na individual. Nós não somos mais condenados por causa de Adão, mas seremos condenados se nos recusarmos a valer-nos da graça de Jesus Cristo. Tudo que a humanidade perdeu por causa do pecado é colocado ao nosso alcance. Mais ainda, nós podemos atingir maiores alturas que Adão, bastando, para isso, que recebamos a abundância da graça de Cristo. (Frederick B. Meyer)

Devido ao pecado de Adão, todos os seus descendentes nasceram com natureza decaída, propensos a cometer pecado e sujeitos à morte. Devido à morte e ressurreição de Cristo, em todos os períodos da História houve livramento da condenação, poder para vencer o pecado e a certeza de que a morte será um sono temporário. Cristo era o "Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo" (Apoc. 13:8). Abraão nasceu com natureza humana decaída e necessitava de um Salvador, mas não levou uma vida dominada pelo medo da condenação à morte Eterna. O Senhor "pregou o evangelho antecipadamente a Abraão" (Gál. 3:8, RSV). A morte de Abraão certamente seria eterna se Cristo não houvesse morrido e ressuscitado. (Ver I Cor. 15:17 e 18.) Mas o Senhor previu que seria bem sucedido em Seus esforços para resgatar a humanidade. (Herbert Kiesler)

12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.

13 Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta.

14 No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir.

versos 12 -14 na BV:

12: Quando Adão pecou, o pecado passou para a humanidade inteira. E foi por causa do pecado que a morte entrou no mundo todo, de modo que todas as coisas passaram a envelhecer e morrer, e é por isso que, desde então, todos morrem: porque todos pecaram.

13: Antes de haver a Lei de Deus dada aos homens, estes já pecavam, mas Deus não os julgou dignos de morte por causa dos pecados, porque não havia dado ainda as Suas leis, nem havia dito aos homens o que desejava que eles fizessem.

14: No entanto, desde os dias de Adão os homens morriam não porque estivessem desobedecendo uma lei que não tinha sido dada a eles (pois a Lei dada a Adão foi a lei de não comer do fruto proibido). Eles morriam porque também eram pecadores. [...]

[...] Adão era a figura daquele que havia de vir. (BLH)

15 Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.

verso 15 na BLH:

Mas o presente que Deus nos dá não é como o pecado de Adão. Pois muitos morreram por causa do pecado de um só homem. Mas a graça de Deus é muito maior, e ele dá a salvação gratuitamente a muito mais gente, por meio de um só homem - Jesus Cristo.

16 Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.

17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

18 Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida.

Visto que o pecado de Adão "conduziu à condenação de todos os homens" (Rom. 5:18, RSV), como podemos ensinar que as criancinhas não são culpadas por ocasião do nascimento?

O princípio bíblico é que nenhum ser humano é castigado pela culpa dos pais. (Ver Deut. 24:16; Jer. 31:30; Ezeq. 18:20.) "É inevitável que os filhos sofram as conseqüências das más ações dos pais, mas não são castigados pela culpa deles, a não ser que participem de seus pecados." - Patriarcas e Profetas, p. 312.

Há importante distinção entre condenação e culpa. A criança que nasceu com AIDS está condenada a morrer da doença que adquiriu dos pais, mas não é culpada de algum pecado cometido por eles. Nós nascemos com a decaída natureza humana de Adão, que não pode viver na presença de Deus até ser transformada pelo Salvador. Nesse sentido, nós nascemos sob condenação. Mas não nascemos culpados do pecado de Adão. Só nos tornamos culpados quando resolvemos pecar. [...]

A culpa trazida pelo mundo pelo pecado de Adão resulta do fato de que a natureza decaída é predisposta a escolher o pecado. Nós nascemos com natural propensão para o mal. Antes da experiência do novo nascimento (justificação), o pecado era natural a todos nós. O ponto importante é que, para toda a humanidade, a condenação à morte eterna foi revogada pelo sacrifício de Cristo. (Ver João 6:33; Rom. 8:1.) Essa condenação incide sobre os que rejeitam a Cristo e escolhem o pecado. (Ver João 3:18 e 36.) (Herbert Kiesler)

19 Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos.

20 Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;

verso 20 na BV:

A Lei foi dada a fim de que todos pudessem ver como estavam longe de fazer a vontade de Deus. Entretanto, quanto maior é a nossa tendência para o pecado, ainda maior é a graça abundante de Deus nos perdoando e ajudando numa nova vida.

21 para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.

verso 21 na BLH:

Portanto, assim como o pecado dominou e trouxe a morte, assim também a graça de Deus, dominando por meio do seu poder salvador, nos traz a vida eterna, que é nossa por meio de Jesus Cristo, o nosso Senhor.

Como cristãos, podemos desfrutar a vida ao máximo em Jesus. Ao contrário dos que vivem sem Ele, podemos ter paz duradoura, pois temos a certeza da salvação eterna. Diante de pressões e dificuldades, podemos encontrar descanso no amor de Deus. (Herbert Kiesler)

 

 

 

16º Dia: Romanos 6:1-11 – Livres do pecado pela graça. O batismo

Quando somos justificados, nós morremos para o pecado e começamos uma nova vida pelo poder de Cristo. Essa vida de vitória é mantida do mesmo modo que começou: recebendo pela fé a justiça de Cristo . (Herbert Kiesler)

Não basta apenas entender, ainda que claramente, nossa posição em Cristo; precisamos tomar cuidado para que a doutrina resulte numa vida santa. Nada é mais prejudicial que aceitar uma verdade intelectualmente sem manifestá-la em nosso caráter. Muitos que se batem em defesa de detalhes de exatidão doutrinária mostram-se negligentes em relação às exigências de Cristo com vistas a uma vida que manifeste o amor divino. Por isso, após a forte exposição doutrinária, o apóstolo agora se propõe a debater o modo de se ter uma vida santa. A obra que Cristo realizou POR nós deve ser seguida por sua obra EM nós, com a libertação do poder do pecado. Todos os que crêem em Cristo são vistos por Deus incluídos em sua morte. Eles não fizeram expiação pelo pecado, mas morreram para uma vida egoística, para a satisfação pessoal, para a sujeição ao espírito do mundo, a cidadania na esfera terrena, e passaram, com Cristo, para uma vida de ressurreição em glória. Esse é o significado do rito do batismo. (Frederick B. Meyer)

1 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça?

Uma boa definição de pecado é a feita pelo psiquiatra Dr. Menninger, como: "...a conduta que viola o código moral ou a consciência individual, ou ambos; o procedimento que aflige, prejudica ou destrói o meu próximo, ou a mim mesmo." (Citado por Herbert Kiesler)

2 De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?

Paulo desejava que eles parassem de cometer pecados que eram típicos de sua antiga vida na qual pecavam de maneira habitual. (Herbert Kiesler)

Nossa natureza é decaída, e pecamos com trágica regularidade. Um de nossos maiores problemas é não admitir que somos pecaminosos. E nutrimos, portanto, o pensamento de que somos "vítimas" de tudo o que acontece. O que a maioria de nós precisa é ser honesto consigo mesmo. Em vez de apresentar pretextos como este: "A sua teimosia me levou a isso", por que não dizer sinceramente: "Minha explosão de ira e minhas palavras ferinas foram pecaminosas. Desculpe-me!"? (Herbert Kiesler)

3 Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?

verso 3 na BV:

3: O poder do pecado sobre nós é quebrado quando nos tornamos crentes e somos batizados a fim de estarmos unidos a Cristo como uma parte dEle. Através de Sua morte foi esmagado o poder da natureza pecaminosa de todos nós.

4 Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

verso 4 na BV:

A natureza humana inclinada para o pecado, que vocês tinham, foi sepultada com Ele no batismo, quando Ele morreu. Quando Deus o Pai, com poder e glória ressuscitou a Cristo, Ele iniciou uma nova vida; assim, também vocês vivam, agora, essa nova vida.

Assim como Cristo morreu levando a nossa culpa, foi sepultado e ressuscitou para a plenitude da vida, nós também morremos para o pecado, somos sepultados no batismo e ressurgimos para nova vida com Cristo. O batismo por imersão é a única forma que representa corretamente tal experiência (Ver Mat. 3:16; João 3:23; Atos 8:39.)

O batismo só é significativo se antes dele o candidato morreu para o pecado. (Herbert Kiesler)

Alguns são sepultados vivos

"O novo nascimento é uma rara experiência nesta época do mundo. É por esta razão que há tantas perplexidades nas igrejas. Muitos, muitos que adotam o nome de Cristo não são santificados e santos. Foram batizados mas foram sepultados vivos. O próprio eu não morreu, e, portanto, eles não ressuscitaram para novidade de vida em Cristo." (Ellen G. White, no Comentário Bíblico Adventista.)

5 Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição;

verso 5 na BV:

Vocês são agora uma parte dEle, pois que morreram com Ele, por assim dizer, quando Ele morreu; e agora participam da Sua nova vida, como também participarão da ressurreição, ressuscitando também com Ele.

Cristão é aquele que é um com Cristo num relacionamento pessoal. ... Paulo diz que tornar-se cristão significa que você não somente começa a seguir a Cristo, mas também que você se identifica com Ele, tornando-se parte dEle. E assim como Cristo venceu o poder do pecado mediante Sua morte e ressurreição, Ele também deu o golpe decisivo contra a antiga e pecaminosa natureza que faz parte de cada um de nós. (Fritz Ridenour)

6 sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado.

verso 6 na BLH:

Porque sabemos que a nossa velha natureza pecadora já foi morta com Cristo na cruz para que fosse destruída, e assim não fôssemos mais escravos do pecado.

Como podemos libertar-nos da escravidão de nossa natureza? Seguindo a Jesus até o Calvário (Herbert Kiesler)

"E quando Cristo os atrai, levando-os a olhar à Sua cruz, para contemplar Aquele que os seus pecados ali cravaram, o mandamento desperta na consciência. É-lhes revelada a pecaminosidade de sua vida, o pecado que se acha arraigado em sua alma. Começam a compreender alguma coisa da justiça de Cristo, e exclamam: 'Que é o pecado, que exigir tão grande sacrifício pela redenção de sua vítima? Acaso se fez preciso todo esse amor, todo esse sofrimento, toda essa humilhação, para que não perecêssemos mas tivéssemos vida eterna?' " (Ellen G. White, em Caminho a Cristo.)

7 Pois quem está morto está justificado do pecado.

8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,

Ao enfrentar tentações que parecem ser insuperáveis, você reivindica o poder de Cristo e Lhe agradece a vitória? Agradecer-Lhe antes de receber a resposta, é fé. E fé é a vitória! (Veja I S. João 5:4 e 5 : "Porque os filhos de Deus podem vencer o mundo. Assim, com a nossa fé conseguimos a vitória sobre o mundo. Quem pode vencer o mundo? Somente aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus")

9 sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele.

10 Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus. [BV: ... mas agora, quanto a viver, Ele vive para sempre em contínua comunhão com Deus.]

versos 9 e 10 na BLH:

9: Sabemos que Cristo foi ressuscitado e nunca mais morrerá, pois a morte não tem mais poder sobre ele.

10: A sua morte foi uma morte para o pecado e valeu de uma vez para a sempre. E a vida que ele agora vive é uma vida para Deus.

11 Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

 

17º Dia: Romanos 6:12-23 – A lei, a escravidão e a graça

"Bem, de qualquer forma, não posso ser perfeito. Qual é o problema se eu peco só um pouquinho? Deus me perdoará."

Alguma vez já teve tal idéia? É uma armadilha típica para qualquer cristão, pois como ele deve saber, o fato de "estar salvo" não resolve todos os seus problemas com o pecado. Você está salvo da PENA e da CULPA do pecado - "justificado pela fé", conforme Paulo explicou nos capítulos 3 e 4 de Romanos. Mas o PODER do pecado ainda está ali, operando em você, tentando você. A conclusão natural, portanto, é deixar que "os deslizes lhe sobrevenham de todos os lados". Sempre há um I João 1:9, isto é: o confessar. Deus é fiel. Ele perdoa e purifica. E logo isso se torna uma espécie de jogo de "ganha-e-perde", mas no fim, você acaba perdendo, e você não se sentirá bem nessa situação. [...]

Paulo jamais alega que o cristão esteja isento da tentação, impermeável ao pecado, como que encerrado num recipiente plástico impermeável chamado "salvação". As tentações surgem ainda, mas o que Paulo quer dizer é que agora você não tem de escolher o pecado como se ele fosse sua única alternativa. Acha-se aberto outro caminho: o da obediência a Cristo. A escolha cabe a você! (Fritz Ridenour)

A verdadeira vida cristã começa com a rejeição radical de nossa antiga maneira de viver. Ao sermos justificados, somos crucificados com Cristo, e estamos, portanto, mortos para o pecado. Assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, devemos ressurgir para novidade de vida nEle. A experiência da justificação, a morte da antiga vida de pecado, envolve a dádiva da justiça de Cristo. O cristão é escravo voluntário da justiça. O resultado é santidade de vida (santificação), a qual abrange a obediência à lei de Deus. (Herbert Kiesler)

12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências;

verso 12 na BV:

Não deixem nunca mais o pecado dominar esse corpo fraco de vocês; e não cedam mais aos seus desejos pecaminosos.

Nossa natureza humana decaída certamente continua tendo propensões para o mal. Mas esse "eu" decaído é subjugado diariamente pelo poder de Cristo em nosso íntimo. (Ver Gál. 2:20.) Em Romanos 6:12, Paulo está falando sobre o perigo de CEDER aos impulsos de nossa natureza humana decaída. Quando fazemos isso, o pecado reina em nosso corpo. Quando Cristo reina na vida, o pecado não poderá fazê-lo. João enfatizou a mesma verdade. (Ver I. João 3:8 e 9.) Ele não ensinou que, embora o pecado habitual seja do diabo, o pecado ocasional é permissível. Todo pecado é do diabo, e se Cristo vive na vida pelo Espírito Santo, o pecado não poderá existir ali. [...]

A maioria de nós rejeitaria intelectualmente a idéia de pecar de modo casual, mas é provável que digamos subconscientemente: "Só esta vez!" A resposta a esta atitude é a cruz do Calvário. Considere o imenso sofrimento que o pecado custou a Deus. Por isso a graça é tão preciosa. (Herbert Kiesler)

13 nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como redivivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.

Deixemos que nossos membros sejam monopolizados por Deus de modo que não sobre nenhum espaço para o diabo (Efés. 4:27 - "Não deis lugar ao diabo".) (Frederick B. Meyer)

14 Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

O texto não está dizendo que a lei não precisa mais ser guardada. O livro de Romanos e muitas outras passagens das Escrituras contradizem essa idéia. Ver Rom. 3:31; 7:7; 8:3 e 4; Tiago 2:10-12; I João 2:4; Apoc. 12:17.) A mensagem de Paulo é que, estando a graça de Cristo (Sua poderosa presença divina) reinando no coração, podemos vencer todo pecado. A pessoa que está "debaixo da lei" é a que procura usar a observância da lei como meio de salvação. Em Romanos, antes disso, bem como em Gálatas e outras Epístolas, Paulo se opôs à observância da lei como meio de salvação. (Ver Rom. 3:20; Gál. 2:16; Efés. 2:8-10.) (Herbert Kiesler)

15 Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.

versos 14 e 15 na BV:

14: Nunca mais o pecado há de voltar a dominar vocês, pois agora vocês não são obrigados pela Lei, mas estão livres sob a graça de Deus.

15: Quer dizer então, que agora nós podemos pecar à vontade, uma vez que nossa salvação já não depende de guardar a Lei, mas de receber a graça divina? É claro que não!

A santificação é uma obra diária.

Ninguém se engane com a crença de que Deus lhe perdoará e o abençoará enquanto está pisando a pés um de Seus mandamentos. A prática voluntária de um pecado conhecido faz silenciar a voz testemunhadora do Espírito e separa de Deus a alma. SEJA QUAL FOR O ÊXTASE dos sentimentos religiosos, Jesus não pode habitar no coração que desrespeita a lei divina. Deus só honrará aos que O honram. (Herbert Kiesler)

16 Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?

Somos "escravos" voluntários daqueles a quem amamos: cônjuge, filhos e pais. E assim também, resolvemos tornar-nos escravos de Cristo, porque O amamos e Lhe entregamos a vida. (Herbert Kiesler)

A verdade, um grilhão? - Sim, em um sentido; porquanto ela prende a alma em voluntário cativeiro ao Salvador, dobrando o coração à suavidade de Cristo. (E. G. W.)

Se condescendemos com a zanga, a concupiscência, a cobiça, o ódio, o egoísmo ou qualquer outro pecado, tornamo-nos servos do pecado. Ninguém pode servir a dois senhores. Se servimos ao pecado, não podemos servir a Cristo. O cristão sentirá as sugestões do pecado, pois a carne cobiça contra o Espírito; mas o Espírito luta contra a carne, mantendo um constante conflito. `É aí que se faz necessário o auxílio de Cristo. A fraqueza humana une-se à força divina, e a fé exclama: "Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo!" (E. G. W. em Mensagens aos Jovens)

Todos servimos a um poder superior, mas qual? O nosso verdadeiro dono e senhor, por mais que digamos o contrário, é indicado pela vida que levamos. Nós pertencemos àquele a quem obedecemos em momento de crise. (Frederick B. Meyer)

17 Mas graças a Deus que, embora tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues;

18 e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça.

Você se torna semelhante àquele a quem você obedece. Se você é servo do pecado, isso significa frustração, desilusão, uma espécie de endurecimento cínico para com o evangelho. Mas se você é servo de Cristo, Ele molda a sua vida. Aquele a quem você se oferece tomará conta de você e será seu senhor e você seu escravo. E você se tornará semelhante àquele a quem você pertence!

Desse modo escolhemos um entre dois senhores. Servimos a Deus ou ao pecado. Alguns pensam que embora "pequem um pouco", ainda serão senhores de si em determinado hábito ou prática. Não é assim, porém. Você não domina o pecado; ele é quem domina você. Você pertence ao poder ao qual escolhe para obedecer. Você poderá ter aceitado a Cristo pela fé, porém, se a sua fé em Cristo não for constante e real, o pecado ainda governará a sua vida. (Fritz Ridenour)

19 Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniqüidade para iniqüidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para santificação.

verso 19 na BLH:

Falo com palavras bem simples por causa da fraqueza de vocês. No passado vocês se entregaram inteiramente como escravos da impureza e da maldade para servirem o mal. Agora entreguem-se como escravos de Deus para viverem uma vida de santidade.

Em termos teológicos, "santificação" é: "colocarmo-nos à parte, para uso de Deus, mediante um viver santo de acordo com a vontade divina".

Ou, simplificando: "como deixar Cristo faça uma real diferença em sua vida". (baseado em Fritz Ridenour)

Justiça é santidade, semelhança com Deus; e "Deus é amor". I. João 4:16. É conformidade com a lei de Deus; pois "todos os Teus mandamentos são justiça" (Sal. 119:172); e o cumprimento da lei é o amor (Rom. 13:10).

Justiça é amor, e o amor é a luz e a vida de Deus. A justiça de Deus acha-se concretizada em Cristo. Recebemos a justiça recebendo-O a Ele. (E. G. W., em O Maior Discurso de Cristo.)

20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres em relação à justiça.

21 E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Pois o fim delas é a morte.

versos 20 e 21 na BLH:

20: Quando vocês eram escravos do pecado, não faziam a vontade de Deus.

21: Porém o que é que vocês receberam de bom quando faziam aquelas coisas de que agora se envergonham? Pois o resultado de tudo aquilo é a morte.

22 Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.

verso 22 na BV:

Agora, no entanto, estão livres do poder do pecado e são servos de Deus. E entre os benefícios que Ele dispensa a vocês, estão: a santidade e a vida eterna.

O ponto principal é que a justificação (o dom da justiça) resulta em santificação (santidade de vida). Uma é a causa da outra. Justificação é Cristo concedido; santificação é Cristo possuído (Herbert Kiesler)

Servindo o pecado, seremos levados à impureza, À iniqüidade e à morte. Se servimos a Deus seremos levados à justiça, à santificação, e dessa à vida eterna. Moldemos nossa vida pelos santos preceitos, como o metal se molda na fôrma (v. 17). Nossa recompensa será gozar no presente uma vida que é vida de fato. (Frederick B. Meyer)

Devemos crescer diariamente em amabilidade espiritual. Havemos de falhar muitas vezes em nosso esforços por copiar o Modelo divino. Muitas vezes havemos de prostrar-nos em pranto aos pés de Jesus, por motivo de nossas faltas e erros; mas não devemos desanimar; cumpre orar mais fervorosamente, crer mais plenamente, e de novo tentar, com mais constância, crescer na semelhança do nosso Senhor. (E. G. W. em Mensagens Escolhidas).

23 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.

Paulo mostra aqui qual o fruto de seguir a cada um dos senhores a quem podemos nos submeter, completando o pensamento do verso 21. Nesta memorável frase, o apóstolo destaca a inconteste superioridade da recompensa de se submeter a Deus – a vida (...e vida em abundância...)Nós escolhemos o nosso senhor, e com ele, o nosso destino.

Que escolha faremos hoje?

Para meditar:

Você rejeitou as práticas pecaminosas de sua velha vida?

Como isso é possível? Por meio de uma oração de entrega total e passando cada dia algum tempo com cristo e Sua Palavra, permitindo assim que Ele alimente sua vida espiritual.

 

18º Dia: Romanos 7:1-6 - A analogia do casamento

Paulo deseja, aqui, esclarecer um ponto importante. Ele abre o assunto dizendo que o cristão não está casado com a lei. Naquilo que concerne à lei, ele "morreu", e agora é um com Cristo. (Fritz Ridenour)

Para deixar mais claro o seu pensamento, o apóstolo introduz uma parábola tirada da vida doméstica. Diz ele que estamos casados com a Lei, que é nosso primeiro cônjuge, e procuramos, através de nossa união com esta lei, frutificar para Deus.

Cada convertido se esforça seriamente no primeiro impulso da nova vida, para ser bom e produzir, por meio de esforço incessante, uma vida que seja agradável a Deus. Como Caim, trazemos o fruto da terra, arrancado do solo com o suor do rosto. Mas logo, logo, nos sentimos desapontados com o resultado. Nosso laborioso cuidado sempre termina em fracasso [os frutos podres das obras]. Os desejos pecaminosos são muito dominadores. Então verificamos que a cruz pôs a morte entre nós e o nosso penoso esforço. Descobrimos que o contrato de casamento que nos unia ao nosso primeiro cônjuge, a Lei, foi dissolvido. Agora estamos livres para celebrar uma união matrimonial com o bendito Senhor, e ele, por meio do Seu Espírito que em nós habita, opera em nós o que nós, com nossas próprias energias, não conseguimos produzir. (Frederick B. Meyer)

1 Ou ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que ele vive?

verso 1 na BV:

Sabem vocês, meus irmãos, conhecedores da Lei, que a Lei tem poder sobre uma pessoa somente enquanto ela está viva?

2 Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido.

3 De sorte que, enquanto viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido.

4 Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus.

verso 4 na BLH:

É o que acontece com vocês, meus irmãos. Do ponto de vista da Lei, vocês também já morreram porque são parte do corpo de Cristo. E agora pertencem a ele, que foi ressuscitado para podermos viver vidas úteis para Deus.

5 Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.

verso 5 na BV:

Quando a velha natureza ainda era ativa, havia desejos pecaminosos agindo dentro de vocês, dando vontade de fazer tudo aquilo que Deus não quer, produzindo obras pecaminosas, o fruto podre da morte.

Estávamos na "carne":

Isto não quer dizer meramente que éramos seres físicos. Quer dizer que éramos vítimas de nossos impulsos pecaminosos - não apenas os impulsos sexuais, mas todas as nossas propensões para o mal. [...]

suscitadas pela lei:

Paulo não estava criticando a lei ao insinuar que ela era responsável por nossas paixões pecaminosas. Ele simplesmente salientou a verdade de que no estado em que nos encontrávamos, como pessoas impulsivas, não convertidas e não justificadas, o conhecimento da vontade de Deus tornou-nos mais decididos a continuar no pecado. [sabemos que é errado e, assim mesmo, fazemos.]

A lei condenou- nos à morte por não estarmos dispostos a servir a Cristo, e nossa vida desenfreada nos conduzia à destruição eterna. (Herbert Kiesler)

Estarmos separados é Deus é morte, é não receber constante Sua comunicação de vida e amor com a renovação da nossa mente.

6 Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.

verso 6 na BLH:

Porém agora estamos livres da Lei porque já morremos para aquilo que nos tornava prisioneiros. Portanto, somos livres para servir a Deus não da maneira antiga, obedecendo à Lei escrita, mas da maneira nova, obedecendo ao Espírito de Deus.

A lei não morre:

O primeiro marido não é a lei, mas a vida pecaminosa do indivíduo que não aceitou a Cristo como a solução de sua necessidade. O primeiro marido em Romanos 7:1-6 é o "velho homem" de Romanos 6:6. ... o velho homem do pecado é a nossa antiga maneira de viver, em que cedíamos habitualmente aos impulsos da natureza humana decaída. (Ver Efés. 4:22-24; Col. 3:1-10.) (Herbert Kiesler)

O que nos mantinha cativos?

No sentido primário, era a nossa vida pecaminosa que nos mantinha cativos. No sentido secundário, a lei nos mantinha cativos porque sua função de origem divina é condenar o pecador à morte. (Ver. Rom. 3:19 e 20; I Tim. 1:9.) Quando fomos justificados, o velho "eu" pecaminoso morreu, e ficamos livres dele. E também fomos libertados da condenação da lei. (Ver Rom. 8:1.)

velhice (caducidade) da letra:

Ao usar a palavra "letra", Paulo não se refere à vontade escrita de Deus. A palavra "letra" tem uma significação especial nos escritos de Paulo. Refere-se à tentativa de obedecer à lei sem estar ligado a Cristo.

O israelita que praticava a circuncisão exterior, e não a circuncisão do coração, estava servindo "segundo a letra" (Rom. 2:29). A "letra" significa a tentativa legalista de obedecer à lei de Deus, estando separado de Cristo.

A mensagem de II Coríntios 3 é que essa tentativa legalista resultará em fracasso. O legalismo mata, mas permitir que Cristo viva a Sua vida por nosso intermédio, de modo que por Sua divina presença e poder sejamos obedientes a Sua lei, é servir "em novidade de espírito" (Rom. 7:6.) (Herbert Kiesler)

 

19º Dia: Romanos 7:7-13 – A lei, modelo, e o pecado, o verdadeiro inimigo

Paulo não deseja que você fique com a idéia de que a lei é algo mau. O verdadeiro inimigo é o pecado - essência abominável que usa as boas leis de Deus para seus maus desígnios. (Fritz Ridenour)

7 Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.

verso 7 na BV:

Bem, será que estou sugerindo que estas leis de Deus são más? Claro que não! A Lei não é pecaminosa, porém foi a lei que me apontou o pecado. Eu nunca teria sabido o que é pecado da cobiça que está em meu coração - os maus desejos e paixões que lá estão escondidos - se a Lei não dissesse: "Não cobiçarás".

O ensino de Paulo, de que morremos "relativamente à lei" (Rom. 7:4) e de que agora estamos "livres da lei" (Rom. 7:6), tem feito com que alguns cheguem à conclusão de que há algo de errado com a lei. Nos tempos modernos alguns têm deduzido que essas afirmações indicam que os Dez Mandamentos não vigoram mais para os cristãos. Paulo previu essa má compreensão do seu ensino. Ele perguntou: "É a lei pecado?" Rom. 7:7. Em outras palavras: "A lei deve ser responsabilizada pela triste condição em que nos encontrávamos?" A resposta de Paulo é inequívoca. Ele diz virtualmente: "Não há nada de errado com a lei. Ela é santa e boa. Faz exatamente o que deve fazer; indica o pecado, condena o pecador à morte, e chama-lhe a atenção para Cristo. "Eu é que sou pecaminoso. O problema é o meu pecado, não a lei de Deus." (Herbert Kiesler)

Use uma trena ou fita metálica para definir a função da lei. Ela serve para medir as coisas, mas não para modificá-las. "Muitos têm a idéia de que devem fazer sozinhos parte do trabalho. Confiaram em Cristo para o perdão dos pecados, mas agora procuram por seus próprios esforços viver retamente. Mas qualquer esforço como este terá de fracassar. Diz Jesus: 'Sem Mim nada podeis fazer.' " - Caminho a Cristo, p. 69. (Citado por Herbert Kiesler)

8 Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado.

9 E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;

verso 9 na BV:

Era por isso que eu me sentia bem durante tanto tempo, pois não compreendia o que na realidade a Lei estava exigindo. Mas quando descobri a verdade, eu compreendi que havia quebrado a Lei e que era um pecador destinado a morrer.

Reviveu o pecado:

Literalmente: "o pecado voltou à vida". Paulo não dá a entender que antes da ocasião em que sobreveio o mandamento, o pecado [...] permanecera inativo em sua vida, e, sim, que ele [Paulo] não compreendera sua verdadeira natureza ou suas funestas conseqüências (verso 13). Com efeito, o pecado não sofrera restrições ao dominar-lhe a vida (v.5). Mas a chegada do "mandamento" impugnou a presença do pecado e seu direito de controlar-lhe a vida. O pecado despertou, então, a fim de manter sua autoridade ameaçada. Com toda perversidade e força, ele se manifestou em seu verdadeiro caráter - o de impostor, inimigo e assassino. (Comentário Bíblico Adventista)

10 e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte.

verso 10 na BV:

Portanto, no que diz respeito a mim, a Lei de Deus foi feita para mostrar-me o caminho da vida, mas em vez disto aplicou-me a pena de morte, porque antes lhe desobedeci.

11 Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou.

12 De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.

Deus mesmo é retratado nas Escrituras como justo, santo, reto e bom. (Ver Mat. 19:17; Sal. 25:8.) Paulo enalteceu a lei, dizendo que ela é santa, justa e boa, porque a lei constitui uma transcrição do caráter de Deus. Romanos 7 engrandece a lei, apresentando-a como a grande norma de justiça. A questão considerada por Paulo é a seguinte: "Como poderá uma vida como a minha, tão vacilante e em desarmonia com a perfeita lei de Deus, atingir o padrão de justiça que Deus requer?" (Herbert Kiesler).

13 Logo o bom tornou-se morte para mim? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte por meio do bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se manifestasse excessivamente maligno.

verso 13 na BV:

Mas como pode ser isso? A Lei causou a minha condenação! Como, então, ela pode ser boa? Não foi a Lei, mas foi o pecado, coisa diabólica como ele é, que usou aquilo que era bom para levar-me à condenação. Portanto, vocês podem ver como ele é mau e terrível, levando o homem à morte! Porque o pecado se utiliza até das boas leis de Deus para seus próprios fins perversos.

 

20º Dia: Rom 7:14-25 – A desesperadora condição humana. A solução

O apóstolo apresenta uma exposição mais extensa de sua experiência pessoal falando da sua incapacidade para perceber o ideal divino que lhe fora revelado como uma meta a ser alcançada. A vida não transcorre suavemente. Há esforço, tensão, fracasso, consciência de pecado... Por que isso? É devido à falta de "poder para a salvação". Não somos fortes o suficiente para obter a vitória. Somos fracos por causa da carne. Existe como que um vazamento através do qual nossos bons desejos se esvaem como a água escorre de um vaso rachado. (Frederick B. Meyer)

14 Porque bem sabemos que a lei é espiritual [BLH: é boa]; mas eu sou carnal [BLH: humano e fraco], vendido sob o pecado.

O ego constitui sempre a dificuldade. Antes de encontrarmos a Cristo, ou de sermos achados por ele, tentamos justificar-nos pelas obras; depois, tentamos santificar-nos por nós mesmos. Observemos como esses versículos estão cheios de verbos na primeira pessoa do singular - eu - e como se faz pouca referência ao Espírito Santo. (Frederick B. Meyer)

15 Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.

16 E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.

17 De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.

[Paulo] Não estava se desculpando ao declarar: "Quem faz isto já não sou eu" (Rom. 7:17 e 20). Uma parte dele preferia não pecar, e outra parte não conseguia resistir ao pecado. (Herbert Kiesler)

18 Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.

ou: ...ainda que a vontade de fazer o bem esteja em mim, eu não consigo fazê-lo. (BLH)

- Começo o dia com atos de devoção e me sinto muito bem...

- Mas logo em seguida topo com um obstáculo e entro em dificuldades... alguém que não aprecio, uma situação que não posso controlar, uma tentação atraente...

- Sei que eu não deveria permitir que tal coisa me apanhasse desse modo. Afinal, não é bom testemunho...

- Não importa, porém, para onde me volte, o quanto me esforce...

- Eu erro tudo, termino derrotado, atado com nós, um escravo do pecado...

Sejamos honestos: Esta "nova vida em Cristo" não é nada fácil.

Chegamo-nos a Cristo como pecadores. Somos salvos pela admirável graça de Deus. Somos perdoados e justificados perante Deus.

...Mas ainda somos pecadores mesmo depois que cremos....

Paulo descobriu este fato. Ele admitiu que estava "completamente corrompido" (v. 18) (Fritz Ridenour)

19 Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.

20 Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.

Verso 20 na BLH:

Agora, se estou fazendo aquilo que não quero, é simples dizer onde está a dificuldade: é o pecado que ainda se encontra firmemente alojado dentro de mim.

21 Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.

Verso 21 na BLH:

Assim eu sei que é isto que acontece comigo: quando quero fazer o que é bom, só sou capaz de fazer o que é mau.

Intelectualmente, Paulo estava persuadido de que a Lei de Deus era justa; mas devido à debilidade de sua natureza decaída, não conseguia obedecer a Deus. (Herbert Kiesler)

22 Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;

23 Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.

O físico contra o espiritual:

Paulo não estava pensando num dualismo ainda comum entre o povo cristão de por o físico e o espiritual em oposição um ao outro. Sua idéia promanou da convicção de que Deus criou todas as coisas e de que todo o nosso ser - corpo e alma - pertence a Ele. Pecado é revolta do homem contra Deus - uma rebelião que comumente encontra sua sede em nossa natureza física, mas enfatiza a distinção entre o bem e o mal, e não entre a alma e o corpo. (The Interpreter's Bible, citado por Herbert Kiesler)

A dicotomia (separação) mente x corpo reflete um pensamento antigo grego, levando ao pensamento que a mente deveria dominar o corpo. A idéia cristã é a de um homem integrado, onde sua razão e emoções sejam renovadas pelo Espírito (Rom. 12:2.)

24 Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?

25 Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.

versos 23, 24 e 25, reordenados, na BV:

Contudo, existe alguma coisa lá em minha natureza inferior, que está em guerra com a minha consciência e acaba ganhando esta luta, fazendo-me escravo do pecado que ainda está dentro de mim. Em minha mente desejo de bom grado ser um servo de Deus mas, em vez disso, vejo-me ainda escravizado ao pecado. Assim, vocês podem ver como isto é: minha nova vida manda-me fazer o que é correto, porém a velha natureza que ainda está dentro de mim gosta de pecar. Que situação terrível esta em que estou! Quem me livrará da escravidão deste corpo que está me levando para a morte? Mas, graças a Deus! Isso foi feito por Jesus Cristo, nosso Senhor. Ele me libertou.

Romanos 7:14-25 se refere a duas experiências humanas:

a) A experiência da pessoa que está servindo na "caducidade da letra" (Rom. 7:6). Essa pessoa está inteirada da perfeição da lei de Deus, mas ainda é incapaz de obedecer a ela, porque o "velho homem" do pecado ainda não morreu. ... Cristo não pode reinar no coração. O resultado é que a vida está em desarmonia com a lei de Deus;

b) A experiência da pessoa que experimentou o novo nascimento (justificação), mas se afasta temporariamente de sua ligação com Cristo. Paulo viu este perigo ao dizer que, pela graça de Cristo, ele dominava a sua natureza humana decaída, para que tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado" (I Cor. 9:27). (Herbert Kiesler)

Estou refletindo a imagem de Cristo?

Já percebeu que, embora você renove constantemente sua entrega a Cristo, às vezes cai em pecados que detesta? Consegue ver por quê?

Será por uma ou outra destas razões?

* Há alguns pecados que não quero abandonar.

* Não oro, e não estudo diariamente a Palavra de Deus.

* Não recorro a Cristo no momento da tentação.

* Confio demais em minha força de vontade.

Quando oro por vitória, deixo de reivindicá-la pela fé, e de dar graças ao Senhor. (Herbert Kiesler)

O fato inevitável é que por nós mesmos não conseguimos fazer o que é certo. Simplesmente não o fazemos. O conhecimento das regras, mesmo da regra áurea ou que outra seja, não nos capacita a obedecer. Continuamos caindo na armadilha chamada pecado, porque escolhemos cair. A velha natureza ainda está presente em cada cristão, tentando impedir que a nova natureza assuma o comando. E não há "coexistência pacífica". O cristão é uma "guerra civil ambulante".

Paulo tem a resposta para ganhar esta guerra.

Primeiro você tem de estar seguro de que entende quem está lutando nesta guerra, e depois você precisa de boa estratégia militar.

O seu plano de batalha está no capítulo 8 de Romanos. (Fritz Ridenour)

Essa experiência sombria que termina em vaidade, aflição, desapontamento e miséria, leva ao capítulo seguinte, que está saturado de poder pentecostal. Uma leve previsão disso já nos reanima, como o cheiro da terra firme reanima animais que adoecem em longas viagens marítimas; e nós agradecemos a Deus. (Frederick B. Meyer)

 

21º Dia: Rom. 8:1-11 – Nenhuma condenação. A vida no Espírito Santo

Vida Nova no Espírito.

Esse capítulo pode, acertadamente, ser chamado "o capítulo do Espírito Santo". O apóstolo como que manteve esse grande tema num segundo plano até que tivesse preparado o terreno, mostrando-nos nossa incapacidade para atingir nosso ideais sem o reforço da energia divina. [...]

O Espírito aqui, naturalmente, é o Espírito Santo, por meio de quem Cristo habita em nós. (Frederick B. Meyer)

Quando Cristo habita no coração do crente por meio do Espírito Santo, Ele provê o poder necessário para vencer o pecado e para viver plenamente em harmonia com a vontade de Deus. [...]

Comparação entre Romanos 7 e 8:

Certo dia, um homem carrancudo postou-se numa movimentada esquina da cidade de Chicago, Estados Unidos. à medida que as pessoas iam passando apressadamente, ele erguia o braço, apontava para alguém que estivesse bem próximo e dizia em voz alta: "CULPADO!" Retornava então para a posição anterior, levantava outra vez o braço e, apontando para um transeunte, pronunciava solenemente a palavra "CULPADO!" O efeito dessa estranha pantomima [expressão por meio de gestos] era dramático. Um homem até chegou a virar-se para o amigo e perguntar: "Como é que ele ficou sabendo?"

O homem postado na esquina representa a experiência religiosa descrita em Romanos 7. É a religião de incessante esforço e labuta pela obtenção de retidão moral e aprovação da parte de Deus. As pessoas que adotam tal espécie de religião ficam completamente esgotadas na tentativa de construir sua própria rodovia para o Céu, pois só experimentam derrota e frustração. [...]

Em Romanos 8, Paulo partilha o segredo de sua nova vida em Cristo. É uma vida de certeza, de ser amado, de filiação e de libertação do opressivo fardo da culpa. Nos versos iniciais ele delineia completo sistema de crença cristã - o desígnio de Deus, a vida e a morte de Cristo, a presença e o poder do Espírito, a gravidade do pecado e o livramento de seu poder. Em Cristo não há condenação; o fardo da culpa desapareceu; Jesus provê liberdade e alegria. (Herbert Kiesler)

1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.

Por que não há condenação para os que conhecem a Cristo? Tendo levado os nosso pecados sobre Si, na cruz, Cristo pode perdoar-nos e purificar-nos. Mas há algumas condições:

a) Precisamos crer nEle como Salvador e Senhor (Rom. 1:16).

b) Precisamos estar dispostos a confessar os nossos pecados (I. João 1:9).

c) Precisamos estar dispostos a não andar "segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Rom. 8:1 e 4).

"Nenhuma condenação" significa justificação, incluindo a libertação "do corpo desta morte" (Rom. 7:24); isto é, do domínio do pecado e da condenação a que está sujeito o que é carnal. Jesus Cristo é o poder que produz o "novo homem", quando morre o "velho homem" do pecado (justificação). Num sentido bem real, Jesus Cristo é o novo Homem que dirige a vida do crente justificado. Sua habitação no coração perdoado traz a cura dos danos causados pela culpa e libertação da condenação da lei. (Herbert Kiesler)

os que estão em Cristo:

os que estão unidos com Cristo Jesus (BLH);

aqueles que pertencem a Cristo Jesus (BV).

James S. Stewart declara que a expressão "em Cristo" (ou outras expressões equivalentes) ocorre 164 vezes nos escritos do apóstolo Paulo. Ele diz que quando falamos sobre estar "em Cristo", estamos, em certo sentido, fazendo uma confissão de fé e formando uma parte da cristologia. E prossegue dizendo que tal expressão declara alguma coisa a respeito de nossa própria pessoa, mas algo muito mais importante a respeito de Jesus; a saber, "que Jesus não é meramente um fato histórico e um eminente personagem do passado, mas um Espírito vivo e presente, cuja natureza é a própria natureza de Deus." Paulo é o originador desse "novo termo técnico". (A Man in Christ, p. 154 e 155.)

Jesus disse: "Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós." João 15:4. (Herbert Kiesler)

2 Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte ["...do círculo vicioso do pecado e da morte." BV]

A "lei do pecado e da morte" não são os Dez Mandamentos. É a "lei nos meus membros" (Rom. 7:23), a natureza carnal que domina quando não sou dominado pelo Espírito de Cristo. (Herbert Kiesler)

O que é que Paulo está dizendo? Não havia ele acabado de admitir que não poderia ter êxito, que jamais poderia obedecer à lei por melhor que ela fosse? Sim, esse é o ponto. Quando tentamos obedecer à lei, estamos tentando FAZER ALGO POR DEUS. Mas quando seguimos o Espírito Santo (vs. 4-5), permitimos que Deus FAÇA ALGO POR NÓS.

Alguns cristãos fracassam porque nem mesmo sabem que têm o Espírito Santo dentro deles. Mas talvez um número bem maior de cristãos fracassem porque o conceito que guardam de ter o Espírito Santo dentro deles não passa de uma bela idéia ou um chavão teológico convencionado, que nada tem a ver com a realidade de suas vidas.

Mas o Espírito Santo não é apenas não é apenas um "conceito". Ele é uma Pessoa. Ele é o Espírito de Cristo e tem muito a ver com a sua vida. (Fritz Ridenour)

3 Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne ["...e Ele dando-se a Si mesmo como sacrifício por nossos pecados, destruiu o domínio do pecado sobre nós." - BV];

A lei:

A "lei do pecado e da morte" (Rom. 8:2) não é a "lei" dos versos 3 e 4. Esta última é a mesma lei mencionada em Romanos 7:7, 12, 14 e 22, Constitui a vontade de Deus expressa nos Dez Mandamentos e apresentada de maneira mais pormenorizada em todas as Escrituras. (Herbert Kiesler)

O que era impossível à lei:

A lei não podia salvar a pessoa alguma, porque sua função não é salvar, mas ser o padrão de justiça (Rom. 3:20; Gál. 2:16), apontando o pecado e dirigindo o pecador a Cristo. Aquele que transgrediu a lei de Deus não pode ser salvo por seus esforços pessoais para obedecer no futuro. A culpa do passado não poderá ser eliminada pela obediência no futuro. (Herbert Kiesler)

Um colega de trabalho me contou nestes dias um fato que exemplifica bem isto: Ele tinha ido visitar um presidiário que no passado levou a vida de forma muito irregular, dando golpes financeiros em muitas pessoas.

Certo dia resolveu mudar. Conseguiu emprego fixo e tudo ia bem até que a empresa, como de praxe fazia, pediu a sua folha corrida no Fórum. Lá havia um processo "transitado em julgado", onde ele havia sido condenado à reclusão. Ato contínuo, foi emitido mandado de prisão e ele está cumprindo os seus dois anos de pena...

Cristo expiou a nossa culpa no Calvário (Rom. 5:8), para que os que O aceitassem pudessem ser perdoados e purificados (Rom. 5:17)

4 Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

Carne e Espírito:

Ao usar a palavra "carne, Paulo refere-se à natureza humana pecaminosa, separada de Cristo, e a tudo que prende a pessoa ao mundo, e não a Deus. [...]

A "carne" não pode reinar onde reina o Espírito. (Herbert Kiesler)

5 Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito.

Não há necessidade de viver em perpétua autocondenação. Como um passarinho, obedecendo às leis do vôo, é superior à lei da gravidade que o atrai para baixo, assim também o coração, onde a vida de Jesus é aplicada e sustentada pelas incessantes comunicações do Espírito Santo, obtém a vitória sobre a perpétua pressão degeneradora do pecado. (Frederick B. Meyer)

Você diz que deseja viver por Cristo e fazer o que é certo...

Há, porém, um grande problema, não é mesmo? Você está enfrentando esta guerra com certa dificuldade. No fundo, você nem deseja ganhá-la, pois isso significa que você perderia o comando das operações. Nesta guerra, porém, nenhum cristão é general. Todos nós somos soldados rasos, e as ordens que recebemos são de: seguir o Espírito Santo.

Em Romanos 8:5, Paulo deixa muito claro para você essa questão da escolha: "Aqueles que se deixam controlar por sua natureza pecaminosa vivem tão-somente para agradar a si mesmos: mas aqueles que são controlados pelo Espírito Santo só querem fazer as coisas que agradam a Deus" [BV]. E olhe, é uma coisa interessante... agradando a Deus, você agrada também a si mesmo. Cristo vence o pecado e você ganha a guerra interior. (Fritz Ridenour)

6 Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.

verso 6 na BLH:

Ter a mente controlada pela natureza humana produz morte; mas ter a mente controlada pelo Espírito produz vida e paz.

7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.

8 Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.

verso 8 na BV:

É por essa razão que nunca podem agradar a Deus aqueles que ainda estão sob o controle de sua própria natureza pecaminosa, inclinados a seguir seus antigos desejos malignos.

9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

verso 9 na BV:

Vocês, porém, não são assim. Vocês são controlados pela nova natureza se tiverem o Espírito de Deus morando em vocês (E lembrem-se de que se alguém não tiver o Espírito de Cristo morando nele, esse não é crente de modo nenhum!)

10 E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. ("...para vocês o Espírito de Deus é vida porque vocês têm sido aceitos por Deus." BLH)

11 E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. ("...por meio desse Espírito Santo que mora em vocês - BV)

Estes versos [Rom. 8:9-11] constituem o âmago do livro de Romanos. Na realidade, eles expressam a própria essência do evangelho. Porque Cristo morreu pelos nosso pecados, ressuscitou dentre os mortos e está agora intercedendo por nós, podemos ter o dom de Sua justiça. (Herbert Kiesler)

Para meditar:

A mente é o campo de batalha ou o lugar em que as vitórias são ganhas ou perdidas. O que Paulo nos diz é que devemos concentrar nossa mente no que o Espírito deseja. Escolhemos sobre o que queremos pensar. Se decidimos pensar nas coisas espirituais, isso possibilita que o Espírito Santo nos dirija a mente. Devemos desviar o pensamento daquilo que é carnal, como a ira, a inveja e a concupiscência. A mente precisa aprender a demorar-se em assuntos elevados. Paulo disse: "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da Terra;" Col. 3:2. (adaptado das lições do Dr. Kiesler)

Como podemos defender-nos do poder de sugestão da parte de Satanás?

Algumas respostas:

1) Podemos controlar o aparelho de televisão;

2) Sendo prudentes na escolha de músicas, fitas, discos e vídeos;

3) Sabendo escolher os livros e revistas que lemos;

4) Pelo poder de Cristo podemos concentrar a atenção naquilo que é puro e proveitoso (Herbert Kiesler)

 

22º Dia: Rom. 8:12-17 – Filhos e herdeiros

12 De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne.

verso 12 na BLH:

Portanto, meus irmãos, temos uma obrigação, que é a de não viver de acordo com a nossa natureza humana.

13 Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.

Em nenhum estágio de nossa peregrinação terrena podemos dispensar o poder do Espírito de Deus para libertar-nos dos feitos do corpo [natureza humana/velho homem]. (Frederick B. Meyer)

14 Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

...existe uma outra função do Espírito divino, que é ainda mais bendita (v. 14). Ele está desejando guiar-nos, impulsionar nossas ações, inspirar nossos propósitos e moldar nosso caráter. Quanto mais nos submetermos a Ele, tanto mais profunda se tornará nossa consciência daquela relação filial com Deus que está expressa no clamor: "Aba, Pai". (Frederick B. Meyer)

Não podeis mudar vosso coração, não podeis por vós mesmos consagrar a Deus as suas afeições; mas podeis ESCOLHER servi-Lo. Podeis dar-Lhe a vossa vontade; Ele então operará em vós o querer e o efetuar, segundo o Seu beneplácito. Deste modo toda a vossa natureza será levada sob o domínio do Espírito de Cristo; vossas afeições centralizar-se-ão nEle; vossos pensamentos estarão em harmonia com Ele." (Ellen G. White, em Caminho a Cristo.)

15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.

verso 15 na BLH:

Porque o Espírito que Deus tem dado a vocês não os torna escravos e não faz que fiquem com medo. Ao contrário, o Espírito os faz filhos de Deus, e pelo poder do Espírito dizemos com fervor a Deus: "Pai, meu Pai!"

16 O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

verso 16 na BV:

O Espírito Santo de Deus fala no íntimo dos nossos corações, dizendo que somos realmente filhos de Deus.

17 E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

...notemos o maravilhoso clímax (v. 17). Se nos submetermos ao Espírito Santo, ele nos conduzirá aos tesouros divinos e nos dirá para nos apropriarmos dos infinitos recursos que estão guardados para nosso uso, não na vida futura, mas nesta. (Frederick B. Meyer)

Guiados pelo Espírito (Rom. 8:14):

Nem sempre as coisas não saem tão certinhas.

"O cristão realista está preparado para derrotas circunstanciais, mas ele nunca bate em retirada definitivamente. Seria preciso que a pessoa fosse perfeita para andar continuamente no Espírito sem dar nem um passo em falso. Há uma completa carência desse tipo de pessoas perfeitas deste lado da eternidade.

"O que você pode fazer é iniciar cada dia com uma decisão definida de que, PELA FÉ, você andará no Espírito, e não viverá somente para agradar-se a si mesmo. Quando você pecar, confesse-o no mesmo momento assim que reconhecer o erro. E mantenha-se no mesmo momento andando no Espírito. Para alguns cristãos o andar no Espírito é algo muito efêmero, e a causa dessa pouca duração, é só porque ele não tem a coragem necessária para admitir perante Deus (e perante os outros) que está errado, portanto não põe as coisas em ordem para poder prosseguir a partir daí. Se realmente você deseja andar no Espírito, ninguém está no seu caminho senão você mesmo. Dê o primeiro passo e vá em frente!" (Fritz Ridenour)

 

23º Dia: Rom. 8:18-25 – Os sofrimentos do presente e as glórias do porvir

Além de ficar livre do domínio do pecado, o cristão confiante tem também a esperança de um futuro glorioso com Cristo por toda a eternidade. Aquele que prefere viver "na carne" não tem nenhuma dessas bênçãos. O cristão considera suas aflições e tristezas como insignificantes em comparação com a alegria do livramento final de um mundo de pecado e da escravidão à natureza humana decaída. (Herbert Kiesler)

18 Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.

19 Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.

verso 19 na BV:

Toda a criação ("o universo todo", na BLH) espera com ansiedade por aquele dia futuro em que Deus ressuscitará os Seus filhos.

20 Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,

verso 20 na BV:

Isto porque a criação de Deus, por causa do pecado, ficou sob o poder do adversário de Deus que a dominou, contra a vontade dela.

21 Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

22 Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.

ou:

"...geme e suporta angústias até agora." (Almeida RA)

Três gemidos pela redenção final:

a) Toda a criação geme (Rom. 8:22).

b) Nós que nascemos de novo pelo Espírito Santo gememos interiormente, aguardando o toque final da imortalidade (Rom. 8:23).

c) "O mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis." Rom. 8:26. O Espírito Santo sofre com o Seu povo, esperando ansiosamente o dia do livramento final de todos eles. (Herbert Kiesler)

Dores de parto:

O pastor George Vandeman, numa muito feliz comparação feita em uma palestra do "Está Escrito" ligou estas "dores de parto" que todos sofremos hoje (e até Deus...) às dores do parto de um mundo novo, com a segunda vinda de Jesus.

E, de certa forma critica aqueles que somente pensam nas dores deste parto que está muito próximo, como indicam as profecias. Ele diz: "Uma mulher que está para dar à luz, não fica amargurada pensando somente nas dores do momento do nascimento - ela vive antecipadamente a alegria de ter o bebê em seus braços, prepara o seu enxoval e o quarto."

Se as dores de parto estão fazendo você sofrer e gemer muito, deixe-se demorar um pouco mais na expectativa das maravilhas que Deus tem preparado para nós para muito em breve - coisas que não podemos sequer imaginar... (I Cor. 2:9) , incluindo o indizível privilégio de poder abraçar fisicamente nosso Salvador e Redentor.

Isto não é fuga da realidade como dizem alguns: isto é colocar as coisas no foco adequado, nos recarregando de energias para enfrentar a realidade, tantas vezes tão dura...

23 E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.

Verso 23 na BV:

Nós também esperamos ansiosamente aquele dia em que Deus nos dará plenos direitos como Seus filhos, inclusive os novos corpos que Ele já prometeu - corpos que nunca voltarão a adoecer, e nunca jamais morrerão.

O cristão aguarda o dia em que seu próprio corpo não será mais vítima da deterioração e da morte. (Fritz Ridenour)

24 Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?

O cristão pode enfrentar o futuro sem temor. Ele possui muito mais do que um simples conjunto de preceitos religiosos. Ele se relaciona diretamente com o Deus vivo! O Espírito Santo ainda faz mais para o cristão. Mediante o Espírito, o cristão tem esperança. A vida não é um beco sem saída. (Fritz Ridenour)

25 Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

verso 25 na BV:

Entretanto, se precisamos continuar a esperar em Deus por algo que ainda não estamos vendo, isso nos ensina a esperar com paciência e certeza.

Para finalizar, repasso e recomendo a seguinte atividade prática proposta por Fritz Ridenour, no seu livro "Como ser cristão sem ser Religioso":

"Faça uma experiência baseado em Gálatas 5:16-25. Observe os resultados impuros de viver somente para si mesmo segundo os versos 19-21: 'Entretanto, se vocês seguirem inclinações erradas da carne, suas vidas produzirão os seguintes maus resultados: prostituição, pensamentos impuros; paixão pelo prazer carnal; idolatria, feitiçaria (isto é, incentivo à atividade dos demônios); ódio e luta; ciúme e ira; egoísmo; queixas e críticas; formação de grupinhos; e haverá também, doutrinas falsas, inveja, crimes, heresias, divisões ferozes e toda essa espécie de coisas'.

"Algumas dessas áreas atingem você e seu modo de viver? Seja honesto e objetivo acerca de si mesmo, e não capcioso e falso quanto à sua espiritualidade. Assuma o compromisso de andar diariamente no Espírito pela fé, não pela sua própria vista (ou pela sua própria sabedoria). Veja como muitos desses resultados impuros do viver egoísta se transformam em frutos positivos mencionados nos versos 22-23: 'Mas quando o Espírito Santo controlar as vossas vidas, Ele produzirá em nós estes frutos: amor, alegria, paz, paciência, generosidade, bondade, retidão, fidelidade, mansidão e domínio próprio...' ".

Após esta análise, faça uma oração, reafirmando sua escolha em servir a Deus, sua decisão que o Espírito conduza a sua vida e produza em si os Seus frutos.

Entregue sua vida, no dia de hoje "como um sacrifício vivo" (Rom. 12:1) a Deus.

Refaça a cada dia esta decisão e entrega.

Que Deus te abençoe e te guarde. Que você sinta o rosto de Deus tão próximo de você que o seu dia fique radiante. Que Ele te dê a paz.

 

24º Dia: Rom. 8:26-30 – A intercessão do Espírito

26 E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

Qual é a "fraqueza" a que Paulo se refere?

1) A fraqueza moral e espiritual;

2) O modo imperfeito como proferimos as nossas orações.

Os bebês choram porque não têm a capacidade de expressar suas necessidades em palavras. E as mães logo aprendem como atendê-los. Mas o Espírito Santo sabe intuitivamente como suprir as nossas necessidades.

Nossos "gemidos" podem ser comparados ao choro de um bebê. Mas o Espírito Santo ouve e compreende, e apresenta nossas necessidades a Deus. "O Espírito Santo investiga tudo, até mesmo os propósitos mais profundos e escondidos de Deus." I Cor. 2:10, BLH. "Segundo a vontade de Deus é que Ele intercede pelos santos." Rom. 8:27 . (Herbert Kiesler)

Somos tão falíveis e curtos de vistas que às vezes pedimos coisas que não nos seriam uma bênção, e nosso Pai celestial amorosamente nos atende às orações dando-nos aquilo que é para nosso maior bem - aquilo que nós mesmos desejaríamos se com vistas divinamente iluminadas, pudéssemos ver todas as coisas como elas são na realidade. ... Deus é muito sábio para errar, e bom demais para reter qualquer benefício dos que andam sinceramente. Não receeis, pois, confiar nEle, ainda que não vejais a resposta imediata às vossas orações. Apoiai-vos em Sua segura promessa: "pedi, e dar-se-vos-á." - (Ellen G. White, em Caminho a Cristo).

O Espírito Santo intercede...

O Espírito Santo já opera dentro de você. Além disso, Ele intercede por você. Seus problemas diários já não são mais somente seus. O Espírito Santo está sempre com você: basta, então, que você Lhe conceda o controle completo. (Fritz Ridenour)

27 E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.

verso 27 na BV:

E o Pai, que conhece todos os corações, evidentemente sabe o que o Espírito está dizendo enquanto Ele intercede por nós os crentes em harmonia com a própria vontade divina.

28 E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

29 Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

[Leia mais abaixo os magníficos comentários sobre os versos 28 e 29.]

30 E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

Comentário de Fritz Ridenour sobre Rom. 8:28 e 29:

Será que o texto de Romanos 8:28 faz sentido para o cristão?

Ah, sim, faz perfeito sentido. Na realidade, faz sentido somente para o cristão. ...

Está o texto de Romanos 8:28 tentando dizer-me que Deus está a par das minhas circunstâncias? Ele tem permitido que me aconteça este fato, este desapontamento, esta frustração, talvez mesmo uma tragédia. Se eu sei, porém, que Deus me ama e que eu amo, então minha pergunta não é "por quê?", mas "para quê?" ...

Tudo coopera para nosso bem, "...pois... fomos chamados de acordo com os planos dEle".

E quais são esses planos? Passe para o verso 29: O propósito de Deus é que tornássemos "...semelhantes ao Seu Filho".

Isto não significa que você deva tornar-se em algum tipo de cópia celestial feita a papel carbono. Deus sempre concede liberdade de escolha, liberdade para ser um indivíduo, uma pessoa. Mas Deus também conhece nossas fraquezas, nossos problemas - nossos pecados. É Ele que encaminha as circunstâncias da nossa vida, circunstâncias que operam quase da mesma forma que o escultor trabalha a pedra: lascando aquela irritação, aparando o orgulho, a decepção, o ciúme. Cada cristão é uma criatura diferente, mas Deus opera em todos nós, para nosso bem, tendo Seu Filho como modelo.

Quando você lê o contexto de Romanos 8:28, você começa a ver como todas as coisa realmente cooperam para o bem. A despeito de tudo que possa acontecer, sabemos que por trás está sempre o plano, o propósito de Deus e acima de tudo o Seu amor. Paulo prossegue e fala acerca desse amor à medida que leva o capítulo 8 da carta aos Romanos a um clímax. O vale da morte, do capítulo 7, ele já deixou bem para trás. Agora ele está para terminar a escalada de um pico espiritual que se eleva muito mais alto do que qualquer das mais altas montanhas da terra. Paulo sabe que, mediante Cristo, ele é mais do que um vencedor...

 

Resumo do Comentário de Ron Mehl sobre Rom. 8:28 e 29, no Livro "Deus Trabalha no Turno da Noite" (prêmio "Excelência em Literatura Cristã", da Abec 96), da Editora Quadrangular:

A maioria de nós pode identificar-se com os períodos dolorosos e sombrios de luta de uma borboleta ao romper de uma crisálida. [Sabemos que são estes momentos de luta que preparam e capacitam a borboleta para voar.]

Nos sentimos abatidos, frustrados e confinados. Ficamos cansados de lutar e labutar, imaginando o que Deus está querendo fazer em nossas vidas. É mais ou menos nessa hora - quando estamos em meio a alguma perplexidade penosa ou decepção tremenda - que algum cristão bem intencionado se aproxima e sussurra um certo versículo da Escritura em nosso ouvido.

Você pode imaginar que versículo é este? No geral, o que eles sussurram é o versículo de que eu menos gosto na Bíblia, Romanos 8.28. Aposto como alguém já o mencionou para você algumas vezes também. ...

Francamente, não quero escutar este verso quando estou sofrendo. Não quero escutá-lo quando estou triste. Não quero escutá-lo quando as circunstâncias puxam o meu tapete e me deixam confuso e desorientado, caído de costas no chão.

A verdade é que Romanos 8.28 não passa da metade de um pensamento. Romanos 8.28 não ajuda ou encoraja muito a não ser que você o ligue com a outra metade do pensamento - Romanos 8.29.

A razão do versículo 28 é o versículo 29. ... Nós somos chamados "segundo o Seu propósito", mas qual é esse propósito?

O versículo 29 esclarece: "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou a serem conforme à imagem de Seu Filho..."

O que Deus está então fazendo em minha e na sua vida? Ele só pretende uma coisa, uma única coisa.

Ele está tornando você e eu mais parecidos com o Seu Filho. Ponto final.

[...]

Seu grande objetivo em sua vida - a razão dEle deixar você na terra - é torná-lo mais e mais como o Filho de Deus eterno.

Se não fosse isso, por que Ele não nos dá um bilhete-expresso para o céu no momento em que recebemos a salvação em Cristo? Por que não nos poupa os sofrimentos e pesares?

Ele quer que nos tornemos maduros em Cristo, realizados e completos. ...

Deus sabia então [quando entregou a terra prometida ainda a conquistar] (como sabe agora) que é o exercício da fé e a dependência do Seu poder e libertação que produzem maturidade e força em nossas vidas. De fato, é exatamente isso que nos conforma a Cristo. Mostre-me alguém que nunca enfrentou qualquer dificuldade ou oposição e lhe mostrarei alguém cuja vida é apenas superficial. Eu lhe mostrarei alguém que tem um longo caminho a andar em direção à semelhante de Cristo. [...]

A maioria dos artistas de quem ouvi falar gosta de muita luz em seus estúdios. Eles apreciam grandes janelas e clarabóias, luz dirigida para iluminar o que estão pintando, esculpindo ou moldando.

Todavia, Deus cria as suas obras-primas no escuro, no turno da noite.

Você é a tela.

A tinta e os pincéis são as suas provações e sofrimento.

O retrato é do Seu Filho.

 

25º Dia: Rom. 8:31-39 – As provas e a certeza do amor de Deus em Jesus Cristo

Depois do sofrimento e conflito do capítulo 7, o capítulo 8 de Romanos nos conduz à paz e à certeza do amor de Deus. Como depois da angústia do nascimento, a paz de dormir no colo da mãe; depois da turbulência das corredeiras da montanha, a calma da planície...

Desfrute de Romanos 8 - a certeza do cuidado que Deus tem por nós. Se possível, leia Romanos 8 durante alguns dias, para interiorizar este novo direcionamento para a sua vida cristã.

Nada nos separará do amor de Cristo.

Este é o fecho do arrazoado feito pelo apóstolo Paulo. Ele demonstra que os crentes são [mais] amados [ainda] por Deus porque estão em Cristo; que o Senhor anteviu todas as necessidades deles e as atendeu; que a culpa deles foi cancelada e que Deus tomou providências para que tenham um caráter santo e vitorioso; que o Espírito Santo está neles e com eles para sempre; que o pecado está debaixo dos seus pés e o céu acima de suas cabeças - o que, então, temer?

Em seguida, ele passa a demonstrar que o amor de Deus não é afetado, nem mesmo pelas mais extremas mudanças de nossa condição - "nem a morte, nem a vida" (v. 38); que não é retirado de nós nem pela ação de outra ordem de seres - "nem anjos, nem principados, nem poderes"; que está universalmente presente em toda a criação. E, finalmente, afirma que esse amor está "em Cristo Jesus nosso Senhor". Mas, para conhecê-lo e experimentá-lo precisamos estar unidos ao Senhor Jesus por uma fé viva. (Frederick B. Meyer)

[...]

Então seremos "mais do que vencedores"; isto é, não seremos apenas vitoriosos, mas tiraremos proveito das mesmas coisas que antes nos prejudicavam. (Frederick B. Meyer)

31 Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Deus não é contra nós; Ele é "por nós" [Esta é uma certeza que deveria estar bem plantada firmemente em nosso inconsciente, que, na maioria das vezes, sente o contrário...]

O acusador é o diabo (Rom. 12:10); Deus é o amoroso Salvador dos que aceitam a dádiva infinita de Seu Filho. (Herbert Kiesler)

32 Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?

Vós, que vos sentis o mais indigno, não temais confiar vosso caso a Deus. Quando Se entregou a Si mesmo em Cristo pelos pecados do mundo, assumiu Ele o caso de toda alma. [...] Rom. 8:32. Não cumprirá Ele a graciosa palavra que nos deu para nos animar e fortalecer? (Ellen G. White, em Parábolas de Jesus).

33 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.

verso 33 na BLH:

Quem acusará o povo escolhido de Deus? É o próprio Deus quem declara que eles não têm culpa.

34 Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.

35 Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?

36 Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro.

37 Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.

38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades [BLH: nem anjos, nem outras autoridades, ou poderes celestiais] nem o presente, nem o porvir,

39 Nem a altura, nem a profundidade [BV: Mesmo o lugar onde estivermos - seja bem alto no céu, seja nas profundezas do mar] nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

O maior poder que conhecemos!

A Bíblia não promete escape ao sofrimento. Se ela o fizesse, então todo mundo ia querer tornar-se cristão, ao menos para evitar acidentes como: problemas, ataques cardíacos, câncer. Podia ser um bom motivo para ser "religioso", porém é um motivo muito fraco para ser cristão.

Em vez disso, Deus nos oferece Sua presença em todos os problemas da vida. Ele nos diz que nada pode abalar o amor que nos tem.

[...]

O Cristo que mora em você, Ele é a chave para a "santificação", para você adquirir força a fim de viver a vida cristã.

Creia, pois, em Cristo, confie nEle, ande com Ele no Espírito, procure corresponder ao Seu amor com todas as suas forças.

Esta é a diferença entre ser cristão e procurar, apenas, "ser religioso". (Fritz Ridenour)

Para meditação posterior:

[...]

Compare Romanos 8:37-39 com I Coríntios 15:54-58. (Fritz Ridenour)

 

26º Dia: Romanos 9:1-5 - Paulo e a incredulidade dos judeus

A esta altura de sua carta à igreja de Roma, Paulo insere o que alguns chamam de "parêntese" [João fez o mesmo em Apocalipse 7, ao responder, ele mesmo, à pergunta de Apoc. 6:17]. Ele faz uma pausa para falar a respeito de um assunto sobremaneira desagradável, para ele mais ainda que para os seus leitores: a rejeição, por parte de seus próprios patrícios, os judeus, do plano de Deus da salvação em Cristo. Paulo sabe que Deus está ligado aos judeus por pactos solenes. São esses pactos apenas promessas no papel? Negou Deus a Sua palavra ao oferecer salvação aos gentios? Age Deus por caprichos? Ou será que existe alguma falha em Seu plano? Leia cuidadosamente os capítulos 9-11.

[...]

Você verá que este parêntese é, em certo sentido, a viga mestra na estrutura de uma ponte que nos leva a compreender as diferenças vitais entre Cristianismo - uma resposta confiante a um Deus soberano que vem ao homem -, e Religião - o homem procurando agradar ou estimular a um deus que ele mesmo criou - ... (Fritz Ridenour)

1 Digo a verdade em Cristo, não minto, dando testemunho comigo a minha consciência no Espírito Santo,

Nossa consciência deveria estar continuamente sendo banhada na luz e no calor do Espírito Santo (v. 1), de modo que o testemunho interno pudesse ser mantido em sua integridade. (Frederick B. Meyer)

2 que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração.

3 Porque eu mesmo desejaria ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne;

versos 1,2 e 3, reordenados, na BV:

Israel, meu povo! Meus irmãos judeus! Como desejo que vocês vão a Cristo! Meu coração está abatido dentro de mim, e eu me entristeço amargamente dia e noite por causa de vocês. Cristo sabe - e também o Espírito Santo - que não é fingimento meu quando digo que estaria pronto a ser condenado, eternamente separado de Cristo, se isso pudesse salvá-los.

Devemos amar o próximo como Moisés e Paulo amaram, para podermos compreender Êxodo 32.32 e Romanos 9:3. (Frederick B. Meyer)

Êxodo 32:32 - "Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste."

O interesse de Paulo pela salvação de seus irmãos e irmãs israelitas baseava-se no conhecimento que ele tinha da aridez espiritual do judaísmo legalista. A solicitude de Paulo pelos judeus era tão intensa que o apóstolo estava disposto a ser separado de Cristo para que eles pudessem ser conduzidos à fé no Salvador. Seu amor por eles e o desejo de levá-los a Jesus eram tão sinceros como o amor de Moisés por Israel depois que os israelitas haviam apostatado no Sinai. (Ver Êxodo 32:31 e 32.) Naturalmente, o Senhor não puniria a Moisés pelo pecado do povo (verso 33). E também não puniria a Paulo com a rejeição eterna por causa do pecado de Israel no seu tempo. (Herbert Kiesler)

4 os quais são israelitas, de quem é a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas;

5 de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém.

A nação hebraica foi alvo de um maravilhoso privilégio pela "adoção" como primogênita de Deus, por ter a "glória" do shekinah, e por ser chamada para manter o testemunho do templo e seus "cultos" (v . 4). Mas esses privilégios foram concedidos, não para abençoar apenas a nação, mas toda a humanidade. É esse o significado da eleição. Há raças eleitas, para que possam partilhar o que receberam e comunicar a outros todas as bênçãos que lhes tenham sido confiadas. (Frederick B. Meyer)

O que eu, pessoalmente, achei mais significativo nesta passagem foi o amor de Paulo por seus compatriotas. Paulo, que era tão zeloso pelo judaísmo, a ponto de consentir com a morte do inocente Estêvão, passa a demonstrar em sua vida o desprendimento pela própria vida e o amor pelo semelhante que marcou a vida e sacrifício de Jesus.

Poderíamos dizer, em termos de hoje, que ele deixou de amar mais a igreja-instituição para amar mais a igreja-pessoas.

O encontro com o Salvador foi o que fez toda a diferença.

E quanto a nós?

 

27º Dia: Romanos 9:6-13 – A rejeição de Israel não é incompatível com as promessas de Deus

6 Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas;

verso 6 na BV:

Bem, então as promessas de Deus a Seu povo judaico falharam quando eles se recusaram a ser salvos? Naturalmente que não. Suas promessas são somente para aqueles que vêm a Ele. Só estes é que são verdadeiramente o povo de Israel. Apenas estes são judeus de verdade, pois nem todo aquele que é nascido de família judaica é verdadeiramente judeu.

É doloroso, mas temos que admitir que uma porção muito grande da raça hebraica perdeu os privilégios para os quais tinha sido habilitada, porque os viu apenas como meios de obter conforto e enriquecimento (v. 6). Essa foi a grande diferença entre Esaú e Jacó. (F.B. Meyer)

7 nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.

Verso 7 na BV:

O simples fato de terem vindo da família de Abraão não os faz, na verdade, filhos de Abraão. As Escrituras dizem que as promessas se destinam somente ao filho prometido por Deus a Abraão - Isaque - e aos que vieram de Isaque, embora Abraão tivesse tido também outros filhos.

8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência.

Verso 8 na BLH:

Isso quer dizer que são considerados como os verdadeiros descendentes de Abraão aqueles que nasceram como resultado da promessa de Deus, e não os que nasceram de modo natural [Nota Rodapé: isto é, os descendentes de Abraão por meio de Ismael, o filho que Agar lhe deu.]

9 Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho.

Verso 9 na BV:

Deus havia prometido: "No próximo ano darei um filho a você e Sara".

Estes versos [6-9] expõem o assunto de todo o capítulo. Isaque é usado como ilustração do verdadeiro Deus de Israel. Porque era o filho da promessa, o qual Abraão crera que seria concebido e nasceria como cumprimento da predição de Deus, Isaque representa todos os que vivem pela fé em Cristo, quer sejam judeus ou gentios.

A mensagem de Paulo na carta aos Romanos é a salvação pela fé, e não pelas obras da lei. Os que, como Abraão, aceitam a justiça e a salvação pela fé, e não pelas obras, são considerados verdadeiros descendentes de Abraão, seja qual for a sua nacionalidade. (Comparar com Rom. 4:9-12 e 323-25; Gál. 3:6-9 e 14.)

Os que têm fé em Cristo são o verdadeiro Israel de Deus. (Herbert Kiesler)

10 E não somente isso, mas também a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai;

verso 10 na BLH:

E mais ainda: os dois filhos de Rebeca tinham o mesmo pai, o nosso antepassado Isaque

11 (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),

Não houve uma preferência arbitrária da parte de Deus, pela qual ficassem excluídas de Esaú as bênçãos da salvação. Os dons de Sua graça por Cristo são gratuitos a todos. Não há eleição senão a própria, pela qual alguém possa perecer. Deus estabeleceu em Sua Palavra as condições pelas quais toda a alma será eleita para a vida eterna: obediência aos Seus mandamentos, pela fé em Cristo. Deus elegeu um caráter de acordo com Sua lei, e qualquer que atinja a norma que Ele exige, terá entrada no reino de glória. (Ellen G. White, em Patriarcas e Profetas.)

12 foi-lhe dito: O maior servirá o menor.

Versos 11 e 12, reordenados, na BLH:

Mas, para que a escolha de um deles fosse completamente de acordo com o propósito de Deus, ele mesmo disse a Rebeca: "O mais velho será dominado pelo mais moço." Disse isso antes de nascerem e antes de fazerem qualquer coisa, boa ou má. Assim, a escolha de Deus foi baseada no seu próprio chamado e não em qualquer coisa que eles tivessem feito

Jacó foi escolhido por causa da fé.

A declaração: "O mais velho servirá o mais moço", feita antes do nascimento dos meninos (Gên. 25:23), significava que Deus escolhera Jacó para que tivesse o direito de primogenitura espiritual e fosse o patriarca da família. No futuro os dois irmãos seriam culpados de graves pecados. (Ver Gên. 25:27-34; 27:1-41.)

Jacó arrependeu-se, e, pela fé, aceitou a salvação de Deus. Esaú persistiu em sua rebeldia.

Jacó não foi escolhido por Deus devido a suas boas obras futuras, mas porque o Senhor previu que ele seria um crente genuíno que receberia a dádiva da graça. (Comparar com Rom. 8:29.) Esaú foi rejeitado porque Deus previu que não aceitaria a salvífica graça divina. O Senhor ofereceu a salvação aos dois homens. (Comparar com Isaías 45:22.) Um atendeu ao convite, o outro não.

A passagem não ensina que a escolha de Jacó, por parte de Deus, foi independente da escolha da graça, por parte de Jacó. Ela ensina que a escolha divina não dependeu das boas obras de Jacó (Rom. 9:11). A fé não é uma obra que nos salva; constitui a resposta à graça divina. (Ver Rom. 5:17.) (Herbert Kiesler)

13 Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú. [BLH: "Eu amei Jacó, mas odiei Esaú."; BV: "Escolhi abençoar a Jacó, e não Esaú."]

Deus não "odiou" a Esaú (Rom. 9:13) no sentido moderno dessa palavra. O vocábulo grego, como o seu equivalente hebraico, é usado no sentido de "amar menos" ou "por de lado". Jesus usou a palavra desse modo. (Ver Luc. 14:26;João 12:25.) (Herbert Kiesler)

Está claro que o ABORRECI do versículo 13 nada mais significa do que um repúdio relativo, como o de Mateus 6.24 e Lucas 14.26. Na natureza do Deus de amor não pode existir nenhuma animosidade pessoal, excetuando-se o fato de que ele retira do infiel a plena manifestação e o fluxo do Seu amor. (Frederick B. Meyer)

Paulo está ilustrando a salvação pela graça, mediante a fé, em contraste com a salvação pelas obras. Assim como Isaque, Jacó é usado como símbolo dos que são salvos pela graça, e não por suas próprias obras. Esaú é o símbolo dos que são rejeitados por Deus porque não exercem fé. Paulo não está afirmando que o Senhor deu arbitrariamente a salvação a Jacó, e negou-a a Esaú. (Herbert Kiesler)

 

Comentários adicionais: Eleição e Predestinação.

O escopo de Romanos 9 - quem são os eleitos? Quem é o verdadeiro "Israel" de Deus?

Nos oito primeiros capítulos de Romanos , Paulo tratou dos assuntos doutrinários que os cristãos de Roma precisavam ouvir: a necessidade que o mundo tem do evangelho, o significado da justiça pela fé e a nova vida que Deus tornou possível por meio de Cristo. Em Romanos 9:1, o apóstolo começa uma nova linha de pensamento que termina em Romanos 11:36. Ele trata de problemas práticos na igreja de Roma. Havia diversos grupos étnicos e nacionais nessa igreja que em grande parte se compunha de gentios. Também havia prosélitos que se tornaram judeus aceitando o sinal da circuncisão, e que estavam, portanto, obrigados a guardar toda a lei judaica. Então havia as pessoas tementes a Deus que freqüentavam a sinagoga e aceitavam os ensinamentos básicos do Antigo Testamento, mas não se haviam colocado sob o jugo da lei judaica. A maioria provavelmente provinha do mundo gentílico, e para eles os costumes judaicos talvez parecessem estranhos e irrelevantes. Evidentemente, em Roma também havia muitos judeus que não aceitaram a mensagem de Cristo, mas estavam seguindo as tradições de seus pais. A igreja composta de indivíduos de formações culturais e pontos de vista diferentes enfrentava verdadeiro desafio para aprender como ter mútuo respeito e harmonia. A questão era se os cristãos que observavam a lei judaica no todo ou em parte podiam reivindicar alguma superioridade sobre os que não faziam isso. Deus rejeitara os judeus em favor dos cristãos? Quem são os eleitos? E quem constitui o verdadeiro "Israel" de Deus? O concerto que Deus fizera com Abraão e Moisés ainda tinha validade? Como uma sociedade tão pluralista podia viver em harmonia? ...[ Em Romanos 9] notaremos como Paulo procurou enfrentar esses problemas e reconciliar essa igreja.

...[Os cristãos sinceros, a igreja de Deus nesta terra] são também um conjunto de pessoas que diferem consideravelmente entre si. É um conjunto multiétnico, multicultural e multinacional. Que podemos aprender, portanto, do dilema enfrentado pela Igreja primitiva? (Herbert Kiesler)

Quem são os eleitos de Deus?

"Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para pertencermos a Ele, sendo unidos com Cristo, a fim de sermos somente dEle e estarmos sem culpa diante dEle. Por causa do Seu amor por nós, Deus já havia resolvido que nos faria Seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois esse era o seu prazer e a Sua vontade." Efés. 1:4 e 5, BLH. Deus escolhe aqueles que escolhem a Cristo e põem a confiança nEle. (Ver Efés. 1:11.) (Herbert Kiesler)

O problema da predestinação - origem:

Muitos comentaristas bíblicos têm usado Romanos 9 [e em especial o verso 11] como base para a sua doutrina de dupla predestinação. Este é o ensino de que nos tempos eternos, antes da Criação, Deus decretou que alguns seriam salvos e outros se perderiam; que os eleitos estão inevitavelmente salvos; e os condenados, inevitavelmente perdidos. De acordo com esse ensino, não há nada que esse grupos possam fazer para alterar o decreto divino quanto ao seu futuro.

Esse ensino tornou-se pela primeira vez uma questão séria na Igreja Cristã no tempo de Agostinho (354-430 d.C.), o famoso bispo de Hipona, no Norte da África. Agostinho ensinou que Deus só concede Sua graça aos eleitos, isto é, àqueles que devem receber o Seu favor imerecido, segundo a Sua decisão arbitrária. A graça de Deus concedida aos eleitos é irresistível; portanto, é certo que eles serão salvos. Ele disse que aqueles que não são assim escolhidos por Deus permanecem nos seus pecados e receberão a condenação eterna.

No século dezesseis, Lutero e Calvino aceitaram, em essência, o ensino de Agostinho sobre a predestinação. Desde então, a predestinação calvinista, de uma forma ou outra, tem sido muito influente em numerosas igrejas protestantes.

Jacques Armínio (1560-1609), o célebre teólogo holandês, combateu vigorosamente a doutrina da predestinação, defendida por reformadores anteriores a ele. Armínio ensinava que Deus previu quem aceitaria a Cristo, e quem não O aceitaria. Cada indivíduo recebeu o poder de escolher ou rejeitar a Cristo. Aqueles que, na previsão de Deus, escolheriam a Cristo como Salvador foram predestinados para a salvação. Aqueles que, na Sua previsão, rejeitariam a Cristo foram destinados para a morte eterna. A graça e a justiça de Deus são concedidas aos que escolhem crer, e vedadas aos que não querem crer.

Quanto a essa questão, os Adventistas do Sétimo Dia [em particular] são arminianos.

Sendo este um assunto comum no mundo hoje em dia, é essencial que compreendamos a mensagem de Paulo em Romanos 9. (Herbert Kiesler)

 

28º Dia: Romanos 9:14-24 - A soberania de Deus

14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum.

15 Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão.

16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.

17 Pois diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra.

Mas não é somente por causa da ira de Deus que Ele rejeita a Esaú ou Faraó e depois passa a ter misericórdia de Seu povo escolhido. Deus sabia, antes de Esaú nascer, como ele agiria, e o que ele faria. Por causa desse comportamento descuidado de Esaú, Deus o rejeitou. Já Faraó foi rejeitado não porque Deus tenha decidido ser mesquinho, mas porque ele se recusou a reconhecer o Senhor. Faraó endureceu o coração em face da revelação miraculosa de Deus. O problema nunca está com o Deus santo, mas com o homem pecador. (Fritz Ridenour)

Faraó poderia ter crido.

Deus resolve ter misericórdia dos que têm fé em Cristo. (Comparar Rom. 9:14-16 com o verso 30.) A referência a Faraó é interpretada por alguns como indicação de que Deus endureceu intencionalmente o coração desse monarca porque ele estava predestinado à perdição. Mas não foi assim! Faraó decidiu não aceitar as advertências de Deus e crer nEle. É declarado que o Senhor endureceu o coração de Faraó (Êxo. 4:21; 7:23; 8:15); e também que ele mesmo [Faraó] endureceu o coração (Êxo. 8:32; 9:34; I Sam. 6:6.) Esse paradoxo (ou aparente contradição) é explicado por dois fatos:

a) Nas Escrituras, o que Deus permite é às vezes apresentado como tendo sido causado por Ele; mas o verdadeiro causador é Satanás;

b) Os amorosos apelos de Deus abrandam um coração e endurecem cada vez mais a outro coração, porque um decidirá aceitá-lo, e o outro não. O Sol endurece a massa de vidraceiro, mas derrete a manteiga. Apelos rejeitados resultam em cada vez maior separação de Deus. [Vejam o exemplo de Pedro e Judas...] (Herbert Kiesler)

O desígnio de Deus cumprir-se-ia na certa. Romanos 9:17 cita Êxodo 9:16. Deus disse que suscitara a Faraó "para mostrar em ti o Meu poder, e para que o Meu nome seja anunciado por toda a Terra". No contexto, a declaração de Deus faz parte de Sua repreensão a Faraó por não atender aos apelos do Senhor. O desígnio divino ter-se-ia cumprido, seja qual fosse a reação de Faraó. Se a resposta dele houvesse sido positiva, o nome de Deus teria sido exaltado na Terra. Mas quando decidiu rejeitar a Deus, Faraó foi destruído, e ainda assim o nome do Senhor foi exaltado. (Herbert Kiesler)

A passagem não contém nenhuma insinuação de que, tendo sido predestinado para a perdição, Faraó não teve outra alternativa senão adotar uma atitude negativa para com os apelos de Deus. O Senhor terá misericórdia dos que crêem e rejeitará os que não crêem. (Comparar Rom. 9:18 com Rom. 4:16) (Herbert Kiesler)

18 Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.

Na primeira parte do conflito com o orgulhoso monarca egípcio, diz a Bíblia que ele endureceu o seu coração, e, depois, que Deus o endureceu (Êxo. 8.15; 10:20). Para o intransigente, Deus se mostra intransigente; isto é, os meios que ele usa para amolecer o coração e salvar o indivíduo irão endurecê-lo, assim como o sol que derrete a cera também endurece o barro. (Frederick B. Meyer)

As perguntas hão de sempre persistir. Nosso conhecimento é limitado, visto que somos apenas seres criados e não o Criador. Uma vez que Deus é amoroso e misericordioso (e temos certeza disto por causa de Jesus Cristo!), o milagre não é que Deus rejeita a homens pecadores e, sim, que Ele é misericordioso para com aqueles que estão longe de merecer misericórdia. Até é um milagre que Ele ainda não tenha destruído o mundo. (Fritz Ridenour)

19 Dir-me-ás então. Por que se queixa ele ainda? Pois, quem resiste à sua vontade?

20 Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?

Deus não está sob julgamento. Ele governa o mundo de acordo com Sua vontade. Ele é soberano. Nós somos Sua criação. Portanto, não nos compete julgar nosso Criador. Não devemos ser críticos de Deus. Ele é que é nosso crítico. (Fritz Ridenour)

21 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?

O Senhor toma a "massa" informe que representa o pecador arrependido e crente e molda-a à imagem de Cristo. A transformação é obra da graça de Deus, não o resultado de algum esforço humano. " (Herbert Kiesler)

22 E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;

verso 22 na BLH:

E foi isto o que Deus fez. Ele quis mostrar a Sua ira e fazer bem conhecido o Seu poder. Assim suportou com muita paciência os que mereciam o castigo e que iam ser destruídos.

"Os vasos de ira, preparados para a perdição", são os que, como os antigos israelitas, buscam justiça pelas obras, e não pela fé. (Herbert Kiesler)

23 para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória,

verso 23 na BLH:

Deus quis também mostrar como é grande a Sua glória; portanto, teve compaixão de nós e nos preparou para recebermos a Sua glória, que agora Ele derramou sobre nós.

Os que foram escolhidos para serem "vasos de misericórdia", são os que, como os gentios que crêem, obtêm a justiça pela fé. Romanos 9:30-33 constitui o resumo da argumentação do apóstolo. Os eleitos são os que têm fé em Cristo; os condenados são os que não tem fé. (Herbert Kiesler)

24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

Entretanto, que tem isto a ver com os judeus e sua rejeição de Cristo? Tudo. Paulo tem novidades para eles. Deus não salva nações inteiras. Ele salva indivíduos e todo aquele que quiser vir, que venha...

[Esta é a mensagem principal de Romanos 10]

 

 

29º Dia: Romanos 9:25-33 – O cumprimento da palavra do Senhor. Israel é responsável pela sua rejeição

Houve uma notável transferência de privilégio espiritual, que passou do judeu para o crente gentio. Isso não se deveu a uma mudança da parte de Deus, mas a um defeito fatal do povo hebreu. O vaso foi danificado na mão do oleiro não por inabilidade do oleiro, mas por uma falha própria do barro. O povo escolhido tropeçou na lei da fé e rejeitou seu Messias. Os gentios, por outro lado, creram nele e, por isso, alcançaram a justificação.

Deus não tem variação, "nem sombra de mudança" (Tiago 1:17). Qualquer aparente mudança em Seu comportamento é determinada por nossa atitude para com Ele. (Frederick B. Meyer)

25 Como diz ele também em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; e amada à que não era amada.

26 E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; aí serão chamados filhos do Deus vivo.

27 Também Isaías exclama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente [BLH: somente alguns deles] é que será salvo.

O fato lamentável é que só o remanescente de Israel volveu-se para o Senhor, pela fé. Só o remanescente aceitará a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. No entanto, os gentios não devem ser virtuosos aos seus próprios olhos. O remanescente deles é que será salvo (Apoc. 12:17), porque só o remanescente tem a fé que conduz à obediência à vontade do Senhor. (Herbert Kiesler)

28 Porque o Senhor executará a sua palavra sobre a terra, consumando-a e abreviando-a [BLH: Logo e de uma vez.]

29 E como antes dissera Isaías: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, teríamos sido feitos como Sodoma, e seríamos semelhantes a Gomorra.

verso 29 na BV:

E, em outra parte, Isaías diz que se não fosse a misericórdia de Deus, deixando alguns, todos os judeus seriam destruídos – todos eles - tal como todo o mundo morreu nas cidades de Sodoma e Gomorra.

30 Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.

A graça de Deus possibilita que tenhamos fé em Jesus Cristo. Quando aceitamos a Cristo, Deus nos concede o Dom da justiça por meio do Espírito Santo (Rom. 8:9 e 10). Isto é justificação. Os gentios "alcançaram" a justiça porque não confiaram em suas próprias obras; eles creram na misericórdia de Cristo para salvá-los. O verbo grego traduzido por "alcançar" significa "apossar-se de, obter, agarrar, apoderar-se de". Os gentios apoderaram-se da justiça de Cristo pela fé. Sua justiça passou a pertencer-lhes porque O convidaram a reinar no coração.

31 Mas Israel, buscando a lei da justiça, não atingiu esta lei.

verso 31 na BV:

Os judeus, porém, que tão duramente procuravam ser justos e estar bem com Deus guardando Suas Leis, nunca conseguiram isso.

32 Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras; e tropeçaram na pedra de tropeço;

verso 32 na BV:

E por que não? Porque estavam procurando conseguir a salvação guardando a Lei e sendo corretos, em vez de aceitarem a salvação pela fé. Assim, tropeçaram na grande pedra de

tropeço.

Jesus é uma pedra de tropeço para os cegos espirituais, mas todos que nele confiam e nele descansam não serão envergonhados. Na morte de Cristo, Ele condenou o pecado na carne, e agora nós que somos edificados nEle, como uma pedra é ajustada ao alicerce, permanecemos firmes quando as últimas e grandes tempestades varrerem terra e mar. (Frederick B. Meyer)

33 como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço; e uma rocha de escândalo; e quem nela crer não será confundido.

verso 33 na BV:

Deus os avisou disso nas Escrituras quando disse: "Eu coloquei uma Rocha no caminho dos judeus, e muitos tropeçarão nEla", e aí Ele está falando de Jesus, e diz: "Porém, todos

quantos crerem nEle nunca ficarão desiludidos".

Pedro também fala da rocha de tropeço e de passagem, em I Pedro 2:1-10, baseado em Isaias 28:16.

Queridos irmãos, a mensagem destes versos é clara: somente fazem parte do remanescente aqueles que, indiferentemente de posição, hierarquia, classe ou cultura, convidaram Jesus a reinar em seus corações.

Não basta que a sua igreja tenha a verdade bíblica - você somente passa rapidamente pela Rocha aos finais de semana, ou está solidamente fundamentado nela?

 

30º Dia: Romanos 10:1-10 – Cristo, o fim da Lei

Paulo torna claro um fato nesta passagem. O zelo religioso não basta. Os judeus pensavam que podiam fazer-se justos para com Deus pela obediência meticulosa às leis e observância dos costumes. [...]

Mas Paulo informa a seus patrícios da verdade que lhe foi revelada no caminho de Damasco: Não é pelo esforço de guardar as leis de Deus que se pode chegar até onde Ele está (versos 4-7). Simplesmente seja receptivo a Deus quando Ele vem a você. Você crê (com o coração, não apenas com a cabeça) que Jesus é Senhor e confessa (com a boca) que Ele é seu Salvador; salvou você dos seus pecados. E então - judeu ou gentio - Deus aceitou você [versos 6-8]. (Fritz Ridenour)

1 Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação.

verso 1 na BV:

Queridos irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração é que o povo judeu possa ser salvo.

Como o apóstolo Paulo amava sinceramente o seu povo! Todo o ódio que nutriam contra ele não podia extinguir a devoção intensa que ele alimentava por eles. (Frederick B. Meyer)

2 Porque lhes dou testemunho de que têm zelo [BLH: são muito dedicados a Deus] por Deus, mas não com entendimento.

[BLH: ...Porém a dedicação deles não está baseada no verdadeiro conhecimento]

3 Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus.

verso 3 na BV:

Eles não compreendem que Cristo morreu para colocá-los em posição de justos diante de Deus. Em vez disso, eles estão procurando ser bastante bons para ganharem o favor de Deus mediante a guarda das leis e dos costumes judaicos. Porém, esse não é o caminho divino da salvação.

Não se sujeitaram...

A razão por que rejeitaram o evangelho assentava-se em sua inveterada recusa de "sujeitar-se (v. 3). Não é esse o problema de todos nós? Não é que não possamos crer, mas não queremos submeter-nos ao caminho de justiça estabelecido por Deus, pois é muito humilhante para o nosso orgulho. (Frederick B. Meyer)

4 Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.

Cristo é o FIM da lei...

O texto grego diz literalmente: "Porque Cristo é o fim da lei PARA justiça a todo aquele que crê." A palavra traduzida por "fim" pode significar "finalidade, alvo, objetivo". Alguns comentaristas chegaram, portanto, à conclusão de que o texto significa que Cristo é o alvo para o qual aponta a lei.

A palavra "fim" também pode significar "término" ou "cessação". Se a interpretarmos dessa maneira, a passagem dá a entender que Cristo é a terminação do uso da lei como meio de justiça. Esse significado se ajusta muito bem ao contexto. A idéia central da mensagem de Paulo em Romanos 9 e 10 é que, não querendo crer em Cristo, os israelitas deixaram de apoderar-se de Sua justiça. "Desconhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus." Rom. 10:3. Cristo é o fim da tentativa de estabelecer a justiça própria. Quando Ele é recebido no coração mediante a habitação do Espírito Santo, o crente possui justiça porque tem Sua justa presença. (Lições do Dr. Herbert Kiesler)

5 Porque Moisés escreve que o homem que pratica a justiça que vem da lei viverá por ela.

verso 5 na BV:

Porque Moisés escreveu que se alguém pudesse ser perfeitamente justo e ficar longe da tentação durante toda a sua vida sem jamais pecar uma só vez, só assim poderia ser perdoado e salvo.

A pessoa que nunca houvesse pecado poderia ser considerada como justa, com base na lei (Rom. 10:5). Mas "todos pecaram" (Rom. 3:23). Por isso, não podemos tornar-nos justos pelas obras. Dependemos totalmente de Cristo para ser restaurados à Sua semelhança. Como Ele efetua isso? [a resposta vem nos versos 6-8.] (Herbert Kiesler)

6 Mas a justiça que vem da fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo;)

verso 6 na BV:

Entretanto, a salvação que vem pela fé, diz: "Você não precisa dar uma busca nos céus para encontrar Cristo e trazê-Lo aqui em baixo para que Ele o ajude", e

7 ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a fazer subir a Cristo dentre os mortos).

verso 7 na BV:

"Você não precisa ir até onde estão os mortos, a fim de trazer Cristo de volta à vida",

Se Deus ao menos consentisse que escalássemos as alturas ou mergulhássemos nas profundezas, que fizéssemos alguma coisa grandiosa ou algum enorme sacrifício, nós nos sentiríamos satisfeitos por ser salvos, e seu auxílio no processo não nos deixaria ressentidos. Mas é intolerável ao nosso coração orgulhoso reconhecer que nossos próprios esforços são inúteis, e que a fonte exclusiva da nossa salvação é a graça de Deus. (Frederick B. Meyer)

8 Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos.

verso 8 na BLH:

É isto o que Moisés diz: "A mensagem está perto de você, nos seus lábios e no seu coração", isto é, a mensagem de fé que anunciamos.

verso 8 na BV:

Pois a salvação que recebemos pela fé em Cristo - aquela que pregamos - está ao alcance de cada um de nós; de fato, ela está tão perto como nossos próprios corações e nossas bocas.

Como Cristo nos restaura à Sua semelhança?

"Paulo já havia falado do dom da justiça pelo Espírito Santo (Rom. 8:9 e 10). Ele referiu-se a pecadores arrependidos e crentes sendo colocados em harmonia com a lei de Deus (Rom. 8:3 e 4). Agora ele nos dá outro vislumbre da maneira pela qual Deus nos restaura espiritualmente. O apóstolo define a justiça pela fé como o ato de a lei ser escrita no coração do crente. Paulo cita Deuteronômio 30:11-14. Nessa passagem, a palavra que é escrita no coração refere-se aos mandamentos de Deus. Juntando as ênfases de Paulo em Romanos 3 e 8 com esta nova ênfase em Romanos 10, deduzimos que quando o Espírito Santo entra no coração, Ele nos coloca em completa harmonia com a santa lei de Deus. O ato de a lei ser escrita no coração é a concessão que Cristo faz de Si mesmo pelo Espírito Santo". (Herbert Kiesler)

9 Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo;

verso 9 na BV:

Pois, se alguém afirmar aos outros com seus próprios lábios que Jesus Cristo é o seu Senhor, crendo, do fundo do coração, que Deus O ressuscitou dentre os mortos, será salvo.

10 pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.

verso 10 na BV:

Porque é crendo de coração que um homem se torna justificado diante de Deus; e com a boca é que ele fala da sua fé aos outros, confirmando assim a sua salvação.

Como somos salvos?

"A fé é o meio de salvação porque constitui a resposta à abundante graça de Deus. "Porque o homem crê com o coração e assim é justificado." Rom. 10:10, RSV. O texto grego diz literalmente: "Porque ele crê em seu coração para justiça." A fé em Cristo resulta em justiça de coração. Como Paulo acaba de afirmar, a fé em Cristo resulta no ato de a lei ser escrita no coração. Justiça de coração é perfeita conformidade com a vontade de Deus da maneira expressa em Sua lei. Justificação (salvação) é dádiva da justiça de Cristo ao coração daquele que crê. (Herbert Kiesler)

 

31º Dia: Romanos 10:11-17 – Salvação em invocar o nome do Senhor

Deus não salva nações; Ele salva indivíduos. A pergunta correta não é: "Deus deixou de lado o Seu povo, os judeus?" A pergunta correta é: "Quais os judeus que estão sendo receptivos ao dom de Deus da salvação em Cristo?" [...] Os judeus começaram a pensar que tinham a salvação pelo simples fato de serem membros de uma nação especial. (Fritz Ridenour).

Agora aplique esta reflexão a você: Você se julga salvo por ser membro de uma igreja cristã ou porque tem uma relação vital com Ele, pelo Espírito Santo? Você crê, realmente, na Sua atuação em sua vida?

11 Porque a Escritura diz: Ninguém que nele crê será confundido.

verso 11 na BV:

As Escrituras nos dizem que quem crê em Deus jamais será decepcionado.

12 Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam. [BLH: ...e abençoa muito todos os que pedem a sua ajuda. BV: ...Aquele que dá generosamente de Suas bênçãos a todos que pedem.]

O povo escolhido agastou-se [aborreceu-se, irou-se], não somente pela liberalidade da graça justificadora de Deus, mas porque não havia nenhuma diferença entre eles e os gentios no que dizia respeito à salvação. Certamente devia haver uma entrada especial para eles na vida eterna, separada da que era palmilhada pelos pés do mundo pagão vulgar! Não eram eles os filhos de Abraão, o amigo de Deus? Aqui o apóstolo se sentiu obrigado a contestá-los. Não, disse ele, não pode ser! Não há diferença entre judeu e grego. Todos pecaram, e o mesmo Senhor está sobre todos, rico para com todos os que O invocam, de qualquer nacionalidade. (Frederick B. Meyer)

13 Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

O que Paulo declara aí fornece a resposta aos conceitos de Agostinho e de Calvino sobre a predestinação. Todos podem atender ao convite, todos podem vir, todos têm acesso à graça por meio de Jesus Cristo; a todos é oferecida a salvação; todos podem ser justificados pela fé. A salvação não se restringe a alguns favorecidos que os calvinistas chamam de "eleitos". Para Paulo, os eleitos são todos os que utilizam sua faculdade de escolha para aceitar a Cristo como Salvador e Senhor. (Comparar com João 1:7, 9 e 12; 12:32; Mat. 11:28-30.) (Herbert Kiesler)

Estes pensamentos se harmonizam com o que Paulo expressou em I Tim. 2:4: "...o qual [Deus] deseja que todo os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade."

14 Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue?

O "pregador" (ou "quem prega") de que fala Romanos 10:14 é todo crente em Jesus Cristo. O mundo só poderá ouvir e crer se propagarmos a mensagem do amor de Cristo. Muitos que ouvem não irão crer (verso 16). No entanto, somos tão devedores aos outros como Paulo aos romanos. (Ver Rom. 1:14 e 15.) (Herbert Kiesler)

No restante do capítulo (v. 14 e seguintes), o apóstolo sustenta sua determinação de pregar o evangelho além dos limites do seu próprio povo; e assim fazendo, estava agindo com base nas palavras de Deuteronômio 32:21 [citadas em Rom. 10:19]; Deus provocaria seu ciúme por meio de um povo que não era nação como eles tinham provocado o Seu por meio de deuses que não eram deuses (v.19). (Frederick B. Meyer)

15 E como pregarão, se não forem enviados? assim como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam coisas boas! [BV: ...como são bem-vindos aqueles que vêm pregando o Evangelho de Deus!]

16 Mas nem todos deram ouvidos [BLH: aceitam] ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem deu crédito à nossa mensagem?

17 Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.

Para meditar:

"Qual é a utilidade de confessarmos ou expressarmos nossa fé em Cristo?

1) A expressão aprofunda a impressão.

2) A confissão de nossa fé pode ajudar outras pessoas a crerem em Cristo.

3) Nossa confissão de fé nos ajuda a permanecer firmes.

'O sentimento que não é expresso tende a dissipar-se como o vapor que não se condensou. A confissão é um ato real; ela faz com que a pessoa se dedique definitivamente a determinada linha de procedimento e o ajuda a alcançar o seu ideal. ...Valorosa declaração pode confirmar a fé dos irmãos hesitantes.' - The Pulpit Commentary..." (Herbert Kiesler)

Troque a última palavra "quem" do verso 14 pelo seu nome.

"Porque Paulo sentiu emoções tão fortes como as que foram expressadas [Rom. 9:2 e 3]...? Talvez ele soubesse como é triste estar perdido. ... Se de nosso ser pudesse fluir uma torrente de compaixão como a que Paulo sentia, logo veríamos resultados impressionantes." (Herbert Kiesler)

32º Dia: Romanos 10:18-21 – Israel não pode alegar falta de oportunidade

Paulo lembra aos judeus que o plano de Deus nunca se limitou a uma nação apenas (versos 19, 20). Os profetas do passado longínquo falaram de como Deus seria encontrado por povos que nem mesmo O estavam buscando. (Fritz Ridenour)

18 Mas pergunto: Porventura não ouviram? Sim, por certo [BLH: Claro que ouviram]: Por toda a terra saiu a voz deles, e as suas palavras até os confins do mundo.

verso 18 na BV:

Mas, que dizer dos judeus? Será que não ouviram a palavra de Deus? Ouviram, sim, pois ela chegou a todo lugar onde eles estavam. A Palavra de Deus foi levada até os confins da terra.

19 Mas pergunto ainda: Porventura Israel não o soube? Primeiro diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, com um povo insensato vos provocarei à ira.

verso 19 na BV:

E será que eles entenderam, que Deus daria a salvação para outros se eles recusassem a receber? Sim, pois já desde o tempo de Moisés Deus havia dito que poria Seu povo em ciúmes e iria provocá-lo, dando Sua salvação às nações desobedientes e sem juízo.

20 E Isaías ousou [BLH: teve a coragem de] dizer: Fui achado pelos que não me buscavam, manifestei-me aos que por mim não perguntavam.

verso 20 na BV:

E mais tarde Isaías chegou a ponto de dizer que Deus seria achado por gente que nem ao menos procurava por Ele. Pois Deus se revelaria aos que antes nem viviam na religião dos judeus.

21 Quanto a Israel, porém, diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.

verso 21 na BV:

Nesse meio tempo Deus continua a estender Suas mãos aos judeus porém eles ainda são rebeldes e se recusam a vir a Ele.

 

33º Dia: Romanos 11:1-6 – O futuro de Israel

Os israelitas que não tinham fé foram rejeitados por Deus. Os gentios que creram foram aceitos. Todos os que crêem, que sejam judeus ou gentios, receberão a vida eterna. (Herbert Kiesler)

Nos primeiros versículos do capítulo 11, Paulo repete o que disse no capítulo 9. Deus não salva nações; Ele salva indivíduos. A pergunta correta não é: "Deus deixou de lado o Seu povo, os judeus?" A pergunta correta é: "Quais os judeus que estão sendo receptivos ao dom de Deus da salvação em Cristo?" Foi precisamente com relação a este ponto que os judeus cometeram um erro fatal. Esqueceram-se de que desde o começo as condições que Deus impunha eram responsabilidade pessoal e fé individual. Os judeus começaram a pensar que tinham a salvação pelo simples fato de serem membros de uma nação especial. Tornaram-se, de certo modo, "homens da organização". (Fritz Ridenour)

No que este pensamento poderia nos ser útil, hoje?

Poderíamos colocar o pensamento acima nos seguinte termos: "Deus não salva igrejas; não salva adventistas, metodistas, batistas, católicos ou pentecostais. Ele salva indivíduos."

E mais: "Quais os pretensos cristãos de hoje que REALMENTE estão receptivos ao dom de Deus da salvação em Cristo?".

Leia novamente o comentário do pastor Ridenour, sob este novo foco.

1 Pergunto, pois: Acaso rejeitou Deus ao seu povo? De modo nenhum; por que eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.

Pelo fato de haver rejeitado o Messias, Israel deixou de ser a nação escolhida PARA LEVAR O EVANGELHO AO MUNDO. Mas, como indivíduos, os judeus têm ainda a mesma oportunidade que todas as outras pessoas para crer em Jesus Cristo e aceitar a salvação oferecida por Ele. (Comparar com Mat. 21:43; Luc. 20:16; Atos 6:7.) (Herbert Kiesler) [Letras colocadas em maiúscula somente para destaque]

"Uma sinagoga judaica da Irlanda estava em chamas. Correndo até a arca, um policial irlandês salvou a Torah. Ele entregou-a ao rabino, dizendo: 'Eis aqui! Salvei o seu crucifixo!'

Os judeus não têm crucifixo, mas aquele policial irlandês transmitiu a idéia correta: os rolos da lei são os símbolos mais sagrados no judaísmo. Os judeus não têm igreja organizada, nem sacerdotes. E o conceito da salvação pela fé é estranho ao pensamento deles. Mas o povo judeu tem profundas convicções religiosas. Para eles o judaísmo é um modo de vida.

Deus prometeu um futuro grandioso para os judeus, caso fossem obedientes. Mas o Senhor predisse também o que aconteceria se eles O rejeitassem. (Ver Deut. 28:64 e 65.)

Paulo faz a pergunta: 'Terá Deus, porventura, rejeitado o Seu povo?' E ele mesmo responde: 'De modo nenhum.' Rom. 11:1. Tanto aos judeus como aos gentios é estendido o convite para fazerem parte do novo Israel da fé." (Herbert Kiesler)

2 Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu [BLH: ...que Ele escolheu desde o principio.]. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus contra Israel, dizendo:

3 Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e procuraram tirar-me a vida?

4 Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal.

5 Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça.

verso 5 na BLH:

A mesma coisa também acontece agora: por causa da graça de Deus, ainda existe um pequeno número daqueles que Ele escolheu.

Mesmo nos piores dias da apostasia dos hebreus sempre havia um remanescente eleito que não se desviava após outros deuses, como acontecera nos dias de Elias. Era um conforto para o fiel coração de Paulo crer que, no meio da oposição geral provocada pela pregação do evangelho, havia muito partidários secretos da cruz que eram fiéis ao Messias e à Sua mensagem. Não há como contar esses cristãos silenciosos, desconhecidos, santos. Eles são como as mais perfumadas flores silvestres, que somente são descobertos pela fragrância que exalam. Mas são reconhecidas por Deus a cuja graça e cuidado se deve tudo que há de bom nelas. (Frederick B. Meyer)

6 Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.

verso 6 na BLH:

A Sua escolha é baseada na Sua graça e não no que eles têm feito. Porque, se a escolha de Deus fosse baseada no que as pessoas fazem, então a Sua graça não seria verdadeira.

A salvação é pela graça, mediante a fé, para toda a humanidade. (Ver João 3:16; Rom. 3:20-24.) O "remanescente segundo a eleição da graça" (Rom. 11:5) são aqueles aos quais Deus resolve conceder Sua graça para a salvação. Eles se mostram sensíveis à obra da graça em seu coração - a convicção produzida pelo Espírito Santo.

A graça salvífica é concedida aos que escolhem crer em Jesus Cristo. Os gentios que recebem a justiça pela fé encontram-se entre os escolhidos pela graça. (Ver Rom. 9:30.) (Herbert Kiesler)

 

34º Dia: Romanos 11:7-16 – O ardente desejo do apóstolo pela salvação dos judeus

Os eleitos procuram e acham porque se curvam para procurar do modo predeterminado por Deus e de acordo com Sua orientação. Mas, quando os homens repelem essas coisas, tornam-se endurecidos e dominados por um "espírito de entorpecimento" (v. 8). Quando a Escritura [toda a Bíblia] diz que Deus lhes dá esse espírito, quer dizer apenas que tal estado de insensibilidade é resultado de uma lei inevitável. Mas o apóstolo alimentava a secreta esperança de que a avidez com que os gentios estavam aceitando o evangelho teria, no ministério da Providência de Deus, o efeito de trazer o povo escolhido de volta àquele que seus pais crucificaram (v. 11). (Frederick B. Meyer)

7 Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os outros foram endurecidos,

8 como está escrito [Em Deut. 29:4 e Isa. 29:10]: Deus lhes deu um espírito entorpecido [BLH: Deus endureceu os seus corações e as suas mentes...], olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje.

verso 8 na BV:

É isto que as Escrituras [aqui Paulo se refere ao VT] afirmam, quando dizem que Deus os adormeceu, fechando seus olhos e ouvidos para não compreenderem aquilo que estamos falando, quando contamos a respeito de Cristo. E assim acontece até o dia de hoje.

O endurecimento/entorpecimento que Deus causou no Seu povo aconteceu porque eles fecharam o seu coração a Ele. Neste caso, quanto maior a atuação do Espírito, maior a rejeição aos apelos da consciência. Brilhante a comparação: "O mesmo sol que derrete a manteiga, endurece o barro..."

Semelhantemente, acontece a destruição dos que rejeitaram a Deus no acerto de contas final. Não é por vontade de Deus que morram; eles não podem conviver com Sua presença gloriosa e destruidora: "Deus lhes dá existência por algum tempo, a fim de poderem desenvolver seu caráter e revelar seus princípios. Feito isso, receberão os resultados de sua própria escolha. Por uma vida de rebelião, Satanás e quantos a ele se unem colocam-se em tanta desarmonia com Deus, que Sua própria presença lhes é um fogo consumidor. A glória dAquele que é amor os destruirá" [Ellen G. White, em] - O Desejado de Todas as Nações, p. 734 e 735.

9 E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e em tropeço, e em retribuição;

verso 9 na BV:

O rei Davi falou sobre isto, quando disse: "Que a maneira de comer, obedecendo a lei, sirva para eles de engano e armadilha, em tropeço e condenação", pois não é por fazerem essas coisas que vão ser salvos.

Como podemos explicar os salmos que contêm imprecações ou maldições? (Paulo cita Sal. 69:22 e 23). Como podemos harmonizar esses pensamentos com o Deus revelado por Jesus Cristo?

1) Essas palavras, próprias de antigas formas de pensamento, não constituem uma explosão de ira pessoal; e, sim, uma condenação dos que perseguem o povo de Deus.

2) Esses versos nos dizem que Deus condenará o pecado. A lei da causa e do efeito vigora tanto no âmbito espiritual como no mundo natural.

"Há um inexorável processo de julgamento que desenvolve suas conseqüências no mundo espiritual. Os que desprezam a verdade perdem a capacidade de vê-la, e sua cegueira não é menos terrível porque a trouxeram sobre si mesmos. ... O julgamento é inseparável do domínio da lei no âmbito moral; desprezá-lo não é uma prova de nossa emancipação, mas apenas uma indicação de que a indiferença está chegando às raias da loucura." - Gerald R. Craig, The Interpreter's Bible, vol. 9, p. 567.

Tem-se declarado que um Deus sem ira seria também um Deus sem compaixão. Deus não é meramente um conceito de perfeição, mas um Ser que salva os que correspondem ao Seu amor, e rejeita os que preferem não corresponder a esse amor. (Herbert Kiesler)

10 escureçam-se-lhes os olhos para não verem, e tu encurva-lhes sempre as costas [BLH: debaixo do peso das suas dificuldades].

11 Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? [BLH: Quando os judeus tropeçaram, será que caíram em desgraça total?] De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.

verso 11 na BV:

Isto significa que Deus rejeitou para sempre o povo judeu? É claro que não! O propósito de Deus era tornar a salvação acessível a todos, e então os judeus ficariam cheios de ciúmes e começariam a querer a salvação divina para si mesmos.

12 Ora se o tropeço deles é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! [BV: ...imaginem que bênção maior ainda o mundo gozará, quando também os judeus vierem a Cristo!]

verso 12 na BLH:

O pecado dos judeus trouxe grandes bênçãos para o mundo, e a sua pobreza espiritual trouxe riqueza para os não-judeus. Então, quando se completar o número de judeus que voltarão a Deus, as bênçãos serão muito maiores ainda.

Visto que os judeus, por toda parte do Império Romano, tendiam a rejeitar o evangelho de Jesus Cristo, os cristãos tornaram-se mais diligentes em conquistar conversos gentios. Não era necessário que os judeus tropeçassem para que os gentios pudessem receber as bênçãos do evangelho. Mas, como os judeus não quiseram ouvir, os esforços evangelísticos dos primeiros cristãos tornaram-se mais acessíveis aos gentios. (Ver Atos 8:4; 11;19-21; 13:45-49.) (Herbert Kiesler)

13 Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério,

Interessante (e marcante) este verso, onde Paulo se proclama ter sido escolhido por Deus para ser apóstolo dos gentios.

verso 13 na BV:

Como vocês sabem, Deus me nomeou como um apóstolo para todos os povos. Eu dou muito valor a isso e lembro aos judeus este fato, toda vez que posso.

14 para ver se de algum modo posso incitar à emulação os da minha raça e salvar alguns deles.

verso 14 na BV:

Para que, se possível, eles venham a desejar aquilo que vocês, os gentios, têm, e deste modo eu possa levar alguns deles a aceitarem a salvação.

Alguns:

"Nesse capítulo, ou em qualquer parte das Escrituras, não há nenhuma indicação de que serão salvos todos os israelitas. Paulo esperava que alguns aceitassem o evangelho e fossem salvos. Ele disse que o objetivo do seu ministério, tanto entre os judeus como entre os gentios, era 'por todos os modos, salvar alguns' (I Cor. 9:22). (Herbert Kiesler)

Qual foi o efeito que o rompimento de Paulo com o judaísmo legalista teve sobre o futuro da Igreja Cristã?

Visto que os dirigentes judaicos rejeitaram a Jesus como o Messias, e também a salvação pela fé nEle, Paulo e outros levaram o evangelho aos gentios. O evangelho devia ter sido levado ao mundo gentílico pelos judeus, quando ainda eram o povo de Deus, mas a incredulidade e a negligência deles não permitiram que Deus os usasse. O ponto salientado por Paulo em Romanos 11 é que ainda há esperança para os judeus como indivíduos. Ao verem a salvação dos gentios, eles olham mais intensamente para Jesus e reconhecem que também podem ser salvos por Sua graça. (Herbert Kiesler)

Compaixão pelos judeus:

Se os cristãos, no decorrer da História, houvessem manifestado a mesma compaixão pelos judeus manifestada por Jesus e o apóstolo Paulo, muitos outros teriam sido atraídos para o evangelho. Paulo chorou e lutou em oração por eles, e apelou fervorosamente para que aceitassem a Jesus como o Messias. Um dos fatos mais deploráveis na História é o de alguns cristãos professos terem perseguido judeus, às vezes justificando sua atitude com base na rejeição e crucifixão e Jesus por esse povo.

A verdade é que CADA UM DE NÓS É RESPONSÁVEL PELA MORTE DE JESUS. Nossa rebeldia foi a causa do Seu sofrimento; nossos pecados partiram-Lhe o coração.

Como é fácil supor que estamos salvos, e que outros estão perdidos porque não crêem o que nós cremos! Felizmente, só Deus pode julgar se há fé para salvação no coração humano. Até nos é declarado que alguns que nunca ouviram ou compreenderam o evangelho serão salvos em virtude da morte de Cristo, porque viveram de acordo com a luz a eles concedida pelo Espírito Santo. (Ver Rom. 2:11-16.)

Quando chegarmos ao Céu, talvez fiquemos surpresos com o grande número de pessoas que pensávamos não estariam ali, e que nosso amoroso Salvador julgou dignas de participarem das alegrias do Reino eterno. (Herbert Kiesler) [Destaque acrescentado]

15 Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?

verso 15 na BV:

Como é maravilhoso quando eles se tornam cristãos! Quando Deus voltou as costas aos judeus, Ele se voltou para o resto do mundo, a fim de oferecer Sua salvação e fazer a reconciliação. E agora - vejam - será ainda mais maravilhoso quando os judeus vierem a Cristo. Será como gente morta voltando à vida outra vez!

16 Se as primícias são santas, também a massa o é [BV: Visto que Abraão e os profetas são os primeiros do povo de Deus, seus filhos também serão desse povo.]; e se a raiz é santa, também os ramos o são.

Paulo usa aqui um termo (primícias) ligado aos ritos judaicos; e faz a sua alocução sobre esta comparação.

início do verso 16 na BLH:

Já que o primeiro pão assado depois da colheita é dedicado a Deus, isso quer dizer que todos os outros pães também são dedicados a Ele. ...

Romanos 11:16 significa que, assim como os que inicialmente atenderam ao convite de Cristo eram santos, também o seriam aqueles que aceitassem o convite mais tarde, e se unissem ao remanescente fiel. (Herbert Kiesler)

Deve ser lembrado desta leitura, como já abordado em outros comentários:

A rejeição de Deus ao povo judeu se refere à sua missão de, como povo, evangelizar o mundo. Como eles voltaram para dentro de si mesmos, esta missão foi passada à Igreja. Os judeus continuam sendo aceitos, individualmente, com muito amor, para a salvação em Cristo, como Abraão e os patriarcas também se salvaram.

Para meditar:

1) Cumpro, por amor, a minha missão de evangelizar os que Deus coloca ao meu alcance ou estou fechado dentro dos meus rituais internos?

2) Atendo aos apelos do Espírito quanto a alguns "cantos escuros" de minha vida ou prefiro fazer de conta que não existem ao tentar orar a Deus? Lembre-se que a falta de entrega total impede a posse de Deus e a renovação e condução de nossa vida.

 

 

35º Dia: Romanos 11:17-24 – Os participantes naturais e enxertados da raiz e da seiva da oliveira

Paulo nunca abandonou a esperança de que, por fim, Israel voltasse para Deus em Cristo. Ele cria que as promessas de Deus apontavam nessa direção e que, mesmo que passassem séculos, essas infalíveis garantias seriam plenamente cumpridas. ... Ele percebeu, entretanto, que Israel deve, temporariamente, afastar-se para dar lugar à formação da Igreja, na qual não há judeu nem grego; e que quando a Igreja tiver sido formada e reunida ao seu Senhor, então terá chegado a hora de ocorrer a incorporação de Israel. Vamos estar atentos para que nós, os gentios, compreendamos nossa posição como uma permissão para participarmos "da raiz e da seiva da oliveira" (v. 17). Cristo era a raiz da árvore, e é de sua rica natureza que obtemos o viço e a seiva, a vida e a energia, o amor e graça das Escrituras e da herança das promessas dadas aos hebreus. Subamos e possuamos a terra! (Frederick B. Meyer)

17 E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro [Almeida RA: oliveira brava], foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira,

18 não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.

verso 18 na BLH:

Portanto, vocês não devem desprezar os galhos que foram quebrados. Como podem ficar orgulhosos? Vocês são somente galhos. Não são vocês que sustentam a raiz - é a raiz que sustenta vocês.

Ramos quebrados (v. 17):

Os judeus começaram a pensar que tinham a salvação pelo simples fato de serem membros de uma nação especial. ...E assim Deus cortou muitos deles, "quebrou-os", se você preferir o termo usado por Paulo na ilustração da oliveira (vs. 16-24). E Paulo adverte os gentios que não comecem com gabolice. Eles estão enxertados na oliveira por um único motivo: a fé que possuem. Este é o plano de Deus no momento, porém Ele não Se esqueceu de Seus pactos com os judeus. Ainda que em sua maioria sejam agora inimigos do evangelho, virá o dia em que serão salvos pela misericórdia de Deus. (Fritz Ridenour)

Os gentios incrédulos são comparados aos ramos de uma oliveira brava. Os fiéis em Israel são representados pelos ramos de uma oliveira cultivada. Esta figura provém do Antigo Testamento. (Ver Jer. 11:16; Osé. 14:6.) Os cristãos gentios são comparados aos ramos de uma oliveira brava que foram enxertados numa oliveira cultivada. Os judeus incrédulos são comparados aos ramos da oliveira cultivada que foram quebrados. Paulo queria que os cristãos gentios tivessem uma atitude humilde e amorosa para com os judeus incrédulos. Sempre deviam lembrar-se e que a árvore cultivada, consistindo de tudo aquilo que Deus concedeu a Israel (Rom. 9:4), era a própria base de sua vida espiritual. As mesmas promessas do concerto eterno feitas a Abraão e aos profetas são para todos os que crêem, hoje em dia. (Ver Heb. 8:8-12; comparar com Jer. 31:31-34.) (Herbert Kiesler)

19 Dirás então: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado.

20 Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu pela tua fé estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme;

Paulo volta mais uma vez à mensagem central da Epístola aos Romanos. Os ramos naturais da oliveira cultivada foram quebrados devido à incredulidade. Os judeus não foram rejeitados devido a algum decreto divino predeterminado, pelo qual Deus decidiu arbitrariamente que eles estavam perdidos. Foram rejeitados porque não quiseram aceitar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Os gentios são advertidos de que só serão ligados à oliveira cultivada se tiverem fé. Temos aí uma mensagem para todos os cristãos. Ser membro da igreja não é suficiente para a salvação. Só poderemos desfrutar as bênçãos da salvação no tempo presente e a esperança da vida eterna se mantivermos uma relação de fé e graça com Jesus Cristo, extraindo constante nutrição espiritual da árvore primitiva. (Herbert Kiesler)

Considero esta última frase como a mais importante lição espiritual a ser retirada de Rom. 11:17-24.

21 porque, se Deus não poupou os ramos naturais, não te poupará a ti.

verso 21 na BLH:

Se Deus não deixou de castigar os judeus, que são os galhos naturais, acham que ele vai deixar e castigar vocês?

22 Considera pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado.

verso 22 na BLH:

Vejam como Deus é bom e também severo. Ele é severo para os que caíram e bom para vocês, se continuarem sempre confiando na bondade dele. Se não, vocês também serão cortados.

O que aconteceu aos judeus incrédulos acontecerá também a todo cristão professo que perder sua união com Cristo. Assim como a justificação inicial envolveu o recebimento do Espírito Santo no coração (Tito 3:5-7), a continuação de nossa relação com Cristo como pessoas justificadas abrange a renovação diária dessa experiência. Perder a Cristo é perder a salvação. O crente "eleito" torna-se o não escolhido incrédulo quando se afasta de Jesus. (Herbert Kiesler)

23 E ainda eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os enxertar novamente.

24 Pois se tu foste cortado do natural zambujeiro, e contra a natureza enxertado em oliveira legítima, quanto mais não serão enxertados na sua própria oliveira esses que são ramos naturais!

verso 24 na BLH:

Vocês, os não-judeus, são como aquele galho de oliveira brava que foi cortado e enxertado, contra a natureza, na oliveira cultivada. Os judeus são como essa oliveira cultivada. Portanto, para Deus será muito mais fácil juntar de novo, na própria árvore deles, esses galhos cortados.

A Bíblia não ensina que o Israel literal será restaurado à antiga posição como nação escolhida e que as profecias do Antigo Testamento a respeito de sua grandeza e supremacia nacionais se cumprirão de modo definitivo e incondicional. Alguns comentaristas chegaram a essa conclusão por causa de tais promessas condicionais como estas: Isa. 14:1-3; 27:12 e 13; 43:1-7; Jer. 16:14-16.

Essas maravilhosas promessas não puderam cumprir-se porque Israel como nação, rejeitou a Jesus Cristo. Cumprir-se-ão agora para o Israel espiritual. Por ocasião da Segunda Vinda de Jesus, o fiel povo de Deus ao redor do mundo, seja qual for a sua nacionalidade, será colhido e levado para a Jerusalém celestial. No fim dos mil anos (de Apoc. 20), a Cidade Santa descerá à Terra, e as promessas do Antigo Testamento cumprir-se-ão finalmente para todos os que creram. (ver Apoc. 21 e 22.) (Herbert Kiesler)

Para reflexão:

"Como podemos usar Romanos 11:17-24 para refutar o errôneo conceito de 'uma vez salvo, salvo para sempre? " (Herbert Kiesler)

 

36º Dia: Romanos 11:25-36 – A misericórdia de Deus para com todos. A profundidade da sabedoria e do conhecimento de Deus

Conquanto a rejeição do Messias, por parte de Israel, fizesse com que perdessem a posição de nação escolhida por Deus, o Senhor procura conduzir o povo judeu à salvação por meio de Jesus Cristo. Os que crêem são unidos aos crentes gentios para formar o Israel espiritual. (Herbert Kiesler)

25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado;

verso 25 na BV:

Quero que vocês, queridos irmãos, conheçam esta verdade que vem de Deus, para que não fiquem orgulhosos e comecem a se gabar. Sim, é bem verdade que alguns judeus agora se puseram contra o Evangelho, porém isso vai durar somente até que todos vocês, os gentios, tenham vindo a Cristo - isto é, aqueles que são destinados para isso.

"Mistérios" são as razões e princípios do procedimento divino que estão ocultos à mente do homem comum, mas revelados aos filhos de Deus pelo Espírito, que perscruta as profundezas de Deus (I Cor. 2.10). (Frederick B. Meyer)

A palavra *mistério* é muitas vezes usada no Novo Testamento para designar "algo que Deus quer tornar conhecido aos que estão dispostos a receber Sua revelação", de preferência a alguma coisa que Ele deseja manter em segredo. Nos escritos de Paulo, ela tem o significado de algo que não podia ser plenamente compreendido pela razão humana em si, mas agora se tornou conhecido por revelação divina. (Ver Rom. 16:25 e 26.) Em Apocalipse 1:20; 17:5 e 7, "mistério" refere-se a um símbolo que requer interpretação para que seja compreendido. O mistério revelado em Romanos 11 é como Deus planeja salvar "todo o Israel" (versos 25 e 26). (Herbert Kiesler)

"A plenitude dos gentios"; "todo o Israel".

A Bíblia na Linguagem de Hoje traduziu a última parte de Romanos 11:25 desta maneira: "até que o número completo de não-judeus venha para Deus." Em Romanos 11:12 Paulo fala da "plenitude" de Israel. Ele sabia, porém, que só um remanescente era sensível à graça de Deus (Rom. 11:5); que só alguns deles aceitariam o evangelho e seriam salvos (verso 14); e que só aqueles que escolhessem crer em Cristo seriam enxertados de novo no tronco original (verso 23).

O "número completo" de gentios refere-se a todos os que aceitarão a pregação do evangelho antes da segunda vinda de Jesus. Outras passagens das Escrituras indicam que isso será apenas um remanescente. (Ver Apoc. 12:17.) O remanescente de Israel que foi salvo, mais o remanescente de gentios salvos, juntos constituirão "todo o Israel". Alguns dos ramos naturais cortados (judeus) serão enxertados na oliveira a que pertencem, e alguns ramos da oliveira brava (gentios) também serão enxertados na oliveira cultivada. Então o Israel espiritual estará completo, e Cristo virá levar o Seu povo para o Céu. (Herbert Kiesler)

26 e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades;

verso 26 na BV:

É só desta maneira - pelo enxerto em Cristo - que qualquer israelita pode ser salvo. Lembram o que os profetas disseram sobre isto? "De Sião sairá um Libertador, e Ele afastará os judeus de toda a maldade".

27 e este será o meu pacto com eles, quando eu tirar os seus pecados.

verso 27 na BV:

Naquele tempo Eu tirarei os pecados deles, tal como prometi.

28 Quanto ao evangelho, eles na verdade, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.

verso 28 na BV:

Muitos judeus agora são inimigos do Evangelho porque vocês estão tendo a sua oportunidade de salvar-se. Entretanto, porque Deus os elegeu, são ainda amados por Ele, por causa das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.

29 Porque os dons e a vocação de Deus são irretratáveis.

verso 29 na BV:

Pois os dons de Deus e o Seu chamado nunca podem ser revogados. Ele nunca voltará atrás em Suas promessas.

30 Pois, assim como vós outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles,

verso 30 na BV:

Antigamente vocês também foram rebeldes contra Deus, porém quando os judeus se recusaram a crer em Cristo, Deus foi misericordioso para com vocês, como tinha sido com eles.

31 assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada.

verso 31 na BV:

E agora os judeus é que são os rebeldes, porém, algum dia eles também participarão da misericórdia que Deus tem tido para com vocês.

32 Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.

verso 32 na BV:

Porque Deus classificou todas as pessoas como pecadores, para que pudesse ter misericórdia para com todos igualmente.

33 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! [BV: Realmente é impossível a nós compreendermos Suas decisões e Seu modo de agir.]

34 Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? [BV: Quem é que sabe o suficiente para ser Seu conselheiro e Seu guia?]

35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?

verso 35 na BV:

E quem jamais pode oferecer ao Senhor algo tão valioso que Deus lhe fique devendo?

36 Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

verso 36 na BV:

Todas as coisas vêm de Deus. Tudo existe por Seu poder e tudo é para Sua glória. A Ele, pois, a glória para todo o sempre. Assim seja.

Nós podemos compreender os atos de Deus só até certo ponto; existe um limite além do qual não podemos avançar; e quando mergulhamos o olhar no abismo profundo dos procedimentos divinos, podemos exclamar: "Ó profundidade" (v. 33). A origem, a manutenção e a redenção são de Deus. A Ele deve ser dada toda a glória! Em outras palavras, nós percebemos que toda essa questão do pecado, da redenção, e salvação, manifesta e revela a natureza de Deus, do mesmo modo como o prisma, ao decompor a luz solar, revela-a. (Frederick B. Meyer)

Se Deus não governa, então toda crença em Deus é de pouca importância. Se Deus não é soberano, não podemos confiar nEle. Afinal, como você pode confiar num Deus que não está no comando? O Senhor é Rei. Ele deve ser cultuado, não utilizado. Ele deve ser adorado e não tornar-Se meramente um atrativo. Sua sabedoria ultrapassa a nossa. Ele toma Suas decisões sem solicitar nossas pobres opiniões. Pouco mais podemos fazer do que senão reconhecer que Deus é Deus. No final desta seção esquadrinhadora em que Paulo tentou descobrir as respostas para algumas perguntas importantes, ele só pode cair de joelhos em admiração e louvor de Deus. Ele está esmagado pela sabedoria que está além de seu alcance. Ele só pode adorar. Deus, em Cristo, é uma Pessoa, não uma religião. (Fritz Ridenour)

Paulo tratou de grandes e profundas verdades. Mas ele seria o último a dizer que solucionara todos os problemas ou refutara todas as objeções. Uma coisa é clara: Deus tem um propósito na história da salvação. E o Seu propósito cumprir-se-á plenamente. (Herbert Kiesler)

Qual é a responsabilidade que temos para com os judeus? "Quando este evangelho for apresentado em sua plenitude aos judeus, muitos aceitarão a cristo como o Messias. Entre os ministros cristãos há poucos que se sentem chamados a trabalhar pelo povo judeu; mas aos que têm sido passados ao alto, bem como a todos os outros, deve chegar a mensagem da misericórdia e esperança em Cristo.

"Na proclamação final do evangelho, quando deve ser feito um trabalho especial pelas classes de pessoas até aqui negligenciadas, Deus espera que Seus mensageiros tomem interesse especial pelo povo judeu, o qual eles encontram em todas as partes da Terra. Ao serem as Escrituras do Velho Testamento amalgamadas com o Novo numa explanação do eterno propósito de Jeová, isto será para muitos judeus como o raiar de uma nova criação, a ressurreição da alma. Ao verem o Cristo da dispensação evangélica retratado nas páginas das Escrituras do Velho Testamento, e perceberem quão claramente o Novo Testamento explica o Velho, suas adormecidas faculdades despertarão e eles reconhecerão a Cristo como o Salvador do mundo. Muitos receberão a Cristo pela fé como seu Redentor...

"Há entre os judeus alguns que, como Saulo de Tarso, são poderosos nas Escrituras, e esses proclamarão com maravilhoso poder a imutabilidade da lei de Deus. O Deus de Israel fará que isto suceda em nossos dias. Seu braço não estará encolhido para que não possa salvar. Ao trabalharem Seus servos em fé pelos que de muito têm sido negligenciados e desprezados, Sua salvação será revelada" - [Ellen G. White em] Atos dos Apóstolos, p. 380 e 381. (Citado nas lições do Dr. Kiesler).

Não é mero acaso estarmos estudando estes versos de Romanos exatamente neste momento. O "em nosso dias", do texto anterior é precisamente o tempo presente. Em final de março começaram a atuar os "Beth B'Nei Tsion" (Templo/Congregação dos Filhos de Sião), entre as congregações judaico-adventistas, em vários países do mundo, com objetivo de oportunizar um diálogo aberto e respeitoso entre as duas comunidades. Reproduzo aqui o convite:

"Aproveite a oportunidade e divulgue o endereço do site relacionado entre seus amigos de origem judaica: www.advir.com.br/tsion ."

Para meditar:

"Por que alguns 'ramos' da videira acabam secando e morrendo?

1) Por causa do amor ao mundo. 'Porque Demas se apaixonou por este mundo e me abandonou.' II Tim. 4:10, BLH.

2) Porque amam o dinheiro (como Judas).

3) Devido às preocupações desta vida (S. Mat. 13:22).

4) Até mesmo cristãos podem perder a ligação vital com Cristo (S. João 15:2).

‘A vida espiritual é alimentada pela união invisível da alma com Cristo, mediante a fé.’ Parábolas de Jesus, p. 47." (Herbert Kiesler)

 

37º Dia: Romanos 12:1-8 – A nova vida. O uso devido dos dons espirituais

Até aqui o apóstolo esteve explicando como Deus nos salva mediante a obra de Jesus Cristo. Por Seu Espírito, Jesus nos leva a afastar-nos do pecado e a entregar-Lhe a vida pela fé. O perdão de nossos pecados (justificação) abrange a transformação de nosso coração pela obra do Espírito Santo. Somos declarados justos porque recebemos a dádiva da justiça quando Ele vem habitar em nosso coração.

Essa nova posição para com Deus precisa ser mantida pela contínua entrega de todo o nosso ser a Jesus Cristo. Sob o velho concerto, tal entrega abrangia o oferecimento a Deus do sacrifício de um animal. Sob o novo concerto, nós nos colocamos sobre o altar do sacrifício para Cristo. [...]

A aceitação de Jesus e de Sua soberania resulta em novas relações. Como cristãos, não somos mais dominados pelo pecado. Tudo que fazemos está sob a direção do Senhor Jesus Cristo. Ou Ele é o Senhor de tudo, ou não é o Senhor de nossa vida. (Herbert Kiesler)

1 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

verso 1 na BLH:

Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como sacrifício vivo, dedicado ao Seu serviço e agradável a Ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer.

Morrer uma vez por Deus é mais fácil do que levar uma vida submissa. Mas o que mais agrada a Deus é a submissão diária, a vontade sacrificada e rendida a ele, amarrada com cordas no Seu altar. Essa é a única atitude razoável que alguém pode assumir. Se Deus é tudo o que professamos crer, Ele merece receber de nós tudo o que somos. Mas o apóstolo nos adverte de que o mundo está sempre procurando amoldar-nos à sua vontade, e por isso necessitamos da graça renovadora do Espírito Santo para que possamos resistir à sua maléfica influência. Precisamos ser transformados pela renovação de nossa mente ... e assim teremos prazer em fazer a Sua vontade. (Frederick B. Meyer)

Como Deus é misericordioso, sábio e justo (Rom. 11:33-36), e como Ele manifesta essa misericórdia aos que são sensíveis a Sua graça, a coisa mais razoável no mundo é entregar-se completamente a Ele. (Herbert Kiesler)

Culto Racional.

"A palavra grega traduzida por 'racional' (Rom. 12:1) também significa 'espiritual' (RSV, BJ). Pessoa espiritual é aquela cuja vida é dedicada a Cristo. Tal pessoa é 'santa e agradável a Deus' (Rom. 12:1). (Comparar com Rom. 6:17-19; I. Ped. 1:16; 3:11.)" (Herbert Kiesler)

2 E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. [BV: ...E assim vocês aprenderão, de experiência própria, como é boa, perfeita e agradável a vontade de Deus.]

verso 2 na BLH:

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança das suas mentes. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável a Ele.

Quando a mente é renovada pelo Espírito Santo, os crentes em Cristo podem demonstrar a perfeita vontade de Deus em sua vida diária. O poder que lhes é provido possibilita que os pensamentos e as ações sejam bons e agradáveis a Deus. (Ver II Cor. 7:1; Fil. 2:15; II Cor. 10:4 e 5.) (Herbert Kiesler)

E não vos conformeis...

"Por que cedemos com tanta facilidade às pressões de familiares, colegas e amigos? E por que desejamos ser como os outros?

1) Todos temos inconsciente aspiração de ser estimados e valorizados.

2) A segurança emocional provém de total integração no grupo." (Herbert Kiesler)

3 Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém [BLH: não se julguem melhores do que realmente são]; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um. [BLH: Ao contrário, sejam modestos nos seus pensamentos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu; BV: ...lembrando que tudo recebeu de Deus mediante a sua fé - que por si mesmo nada seria.]

Sejam honestos na avaliação de si mesmos, diz Paulo. Alguns cristãos têm a tendência de pensar que "não tem valor próprio", estão sempre se sentindo incapazes, e realmente nunca realizam coisa nenhuma. Se você está neste barco, abandone-o agora mesmo. Deus o aceitou. Você é uma pessoa digna. Cristo morreu por você. Você tem potencial. Não se subestime, nem subestime o Senhor Jesus Cristo.

O reverso dessa moeda [...] aplica-se para os que têm complexo de superioridade. Nenhum de nós é um presente da humanidade para Deus. Na verdade, Deus é que teve de enviar-nos um presente para que pudéssemos sair da cova de serpentes humanas chamada pecado. (Fritz Ridenour)

A medida da fé de cada pessoa deve determinar o conceito que tem de si mesma. Os crentes devem estar constantemente inteirados de sua relação com Cristo e com os que constituem o Seu "corpo". A aceitação do evangelho resulta em uma nova compreensão do valor pessoal. Ela deve ser, porém, governada pela razão e pela realidade, e não por algum conceito exagerado de nossas capacidades. (Comparar com I Cor. 4:6.) (Herbert Kiesler)

O que significa ter um conceito moderado de si mesmo?

1) Ser realista na avaliação de nossas capacidades naturais ou adquiridas.

2) Determinar quais são os nossos dons espirituais.

3) Ter respeito próprio.

Ter uma opinião exagerada de si mesmo traz decepção e desânimo.

Subestimar-se poderá prejudicar as contribuições pessoais para a obra de Deus.

Auto-estima correta e salutar não é vaidade, arrogância ou presunção. É a calma sensação de dignidade pessoal - de estar satisfeito com o que se é. A pessoa com salutar e moderada auto-estima não perde tempo e energia na tentativa de impressionar os outros. A questão importante, é: Que estou fazendo com o que tenho? (Herbert Kiesler)

4 Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função,

5 assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo [BLH: ..somos um só corpo por estamos unidos em Cristo], e individualmente uns dos outros.

Verso 5 na BV:

Todos nós somos partes dEle, e cada um de nós é necessário para formar o corpo completo, porque cada um de nós tem um trabalho diferente a realizar. Assim, pertencemos uns aos outros e cada um precisa de todos os demais.

À proporção que nos vamos unindo à Cabeça, tornamo-nos membros uns dos outros. Podemos não nos reconhecer uns aos outros, como um só corpo, nem sermos assim reconhecidos pelo mundo, mas à vista dEle só existe um corpo. (Frederick B. Meyer)

6 De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada [BV: Deus deu, de acordo com a Sua graça, a cada um de nós, a habilidade de fazer bem determinadas coisas.], se é profecia, seja ela segundo a medida da fé [BLH: Se o dom que recebemos é o de anunciar a mensagem de Deus, façamos isso de acordo com a fé que temos.];

7 se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino;

verso 7 na BV:

Se tiverem o dom de prestar serviço a outros, então sirvam bem. Se alguém ensina, ensine bem.

8 ou que exorta, use esse dom em exortar [BLH: ...se é animar os outros, então animemos.]; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com zelo [BLH: ...quem tem autoridade, que a use com todo o cuidado.]; o que usa de misericórdia, com alegria.

verso 8 na BV:

O pregador, seja enérgico e oriente também. Se Deus deu a vocês dinheiro, ajudem os outros sem humilhar ninguém. Quem tem capacidade de administrar e é responsável por outras pessoas, seja eficiente. Aquele que ajuda os aflitos, faça isso com alegria cristã.

Qual a diferença entre aptidões naturais e dons espirituais?

1) Todos eles constituem dádivas de Deus.

2) Os dons do Espírito são concedidos por ocasião da conversão e do batismo. (ver Efés. 4:11-13.)

3) As aptidões naturais são transmitidas na concepção. (Herbert Kiesler)

Cada cristão recebe algum dom. Nem todos os cristãos recebem o mesmo dom. Nem todos os cristãos são capazes de pregar, ensinar ou cuidar dos negócios da igreja. O ponto importante é o seguinte: todo cristão tem alguns dons, e compete-lhe descobrir quais são. Cada um desses dons deve ser usado para a glória de Deus e para a edificação do corpo de Cristo. (Herbert Kiesler)

 

38º Dia: Romanos 12:9-21 – As virtudes recomendadas

Nessa parte o apóstolo mostra como o grande princípio da consagração afeta os detalhes da conduta. É por demais necessário insistir nesses pontos práticos. (Frederick B. Meyer)

9 O amor seja não fingido. [BV: Não finjam amar aos outros: amem realmente.] Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.

A vida de fé é a vida vitoriosa. Na vitória sobre o mal, a vontade humana resiste a Satanás e submete-se a Cristo (Tia. 4:7 e 8; Heb. 12:4). Sempre devemos reconhecer, porém, que não se pode haver vitória sem o poder de Cristo (João 15:5). Só podemos vencer nossas tendências para o mal pela fé nEle (Fil. 4:13; Rom. 7:25). (Herbert Kiesler)

10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros; [BV: ...e cada um tenha prazer em honrar primeiro aos outros.]

11 não sejais vagarosos no cuidado [BV: Não sejam nunca preguiçosos no trabalho espiritual...]; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;

verso 11 na BLH:

Trabalhem bastante e não sejam preguiçosos. Sirvam ao Senhor com o coração cheio de entusiasmo.

12 alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;

verso 12 na BLH:

Vivam alegres com a esperança que vocês têm; tenham paciência nas dificuldades e nunca deixem de orar.

13 acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade;

14 abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis;

15 alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram;

16 sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos;

verso 16 na BLH:

Vivam em harmonia uns com os outros. Não sejam orgulhosos, mas aceitem serviços humildes (ou: sejam amigos da pessoas humildes). Não se julguem sábios.

17 a ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos

os homens.

18 Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.

Verso 18 na BV:

Tanto quanto possível. Não discutam com ninguém. Vivam e paz com todos.

19 Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.

verso 19 na BV:

Queridos amigos, nunca se vinguem. Não façam justiça com as próprias mãos. Entreguem tudo a Deus, pois Ele disse que fará justiça e retribuirá a cada um o que merece.

Que significam estas palavras de Deus: "A Mim Me pertence a vingança; Eu retribuirei" (Rom. 12:19)? A vingança de Deus é como a nossa?

1) A linguagem humana não pode descrever adequadamente os sentimentos e as ações de Deus.

2) A vingança divina não é semelhante à vingança humana.

3) A punição sobrevem aos ímpios como resultado da lei natural em conseqüência de sua conduta desordenada.

4) Deus pune os ímpios (Ver Rom. 2:8; Heb. 10:26-31.) "Posto que Deus seja estrito em notar a iniqüidade, e em punir a transgressão, não tem deleite na vindita. A obra de destruição é uma 'estranha obra' para Aquele que é infinito no amor." - [Ellen G. White, em] Patriarcas e Profetas, p. 134. (Ver Isa. 28:21; Ezeq. 33:11.) (Herbert Kiesler)

20 Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. [BLH: Porque assim você o fará queimar de remorso e vergonha.]

Compare os versos abaixo e veja as semelhanças entre as orientações de Paulo e as dadas por Jesus:

Rom. 12:14 com Mateus 5:11;

Rom. 12:15 com Mateus 5:4;

Rom. 12:16 com Mateus 5:3;

Rom. 12:17 com Mateus 5:7 e 38-42;

Rom. 12:20 com Mateus 5:43 e 44.

Estaria Paulo insinuando que o amor altruísta é o caminho da felicidade (bem-aventuranças)? (Adaptado das lições do Dr. Kiesler)

21 Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

verso 21 na BLH: Não deixem que o mal vença vocês, mas vençam o mal com o bem.

Na BV: Não deixem que o mal prevaleça, mas triunfem sobre o mal, praticando o bem.

Um resumo dos excelentes comentários de Fritz Ridenour sobre Rom. 12:9-21:

Vencer o mal pela prática do bem. Paulo gastou um bocado de tempo no começo de sua carta à igreja de Roma insistindo na necessidade de crer no que é bom. Agora ele chega ao nível da vida prática. ... Ele quer que *façamos* o que é bom.

[...]

Romanos 12 é um curso breve na arte de preocupar-se com os outros em vez de preocupar-se consigo mesmo. Esta é a coisa mais difícil que se pode pedir para fazermos.

[...]

De repente nos tornamos cristãos. E então não temos mais direitos, somente deveres. Como podem as coisas tornarem-se assim tão injustas? Sim, seria injusto se o cristão não tivesse recursos, se não tivesse ajuda de espécie alguma. Viver como Paulo sugere em Romanos 12 é humanamente impossível. Não obstante, é *sobrenaturalmente* possível, conforme ele mesmo ressaltou com toda clareza nos capítulos anteriores, 6, 7 e 8 de Romanos. Andar no Espírito não é um exercício de retiro espiritual. É para a vida lá fora na rua, onde *você* realmente vive.

[...]

Há desculpas de todos os tipos para não se deixar entusiasmar com a lista de boas ações de Romanos 12. Mas as escusas não tornam válido o padrão. Paulo não está afixando uma lista de leis que o cristão tem de obedecer sem deslizes. Ele está afixando metas para serem almejadas, alvos que você possa visar.

[...]quando, no capítulo 12 de Romanos, Paulo fala de honrar aos outros, de nunca ser negligente no selo cristão, de mostrar-se contente e paciente na dificuldade, de ajudar os que estiverem em necessidade, de orar pelos que maltratam você... ele está simplesmente dando conteúdo à idéia de apresentar seu corpo como "sacrifício vivo" (Rom. 12:1).

[...]

Todos nós falhamos, alguns de nós muitas vezes, ao não mostrar perfeito amor cristão. Porém onde começa a fé termina o fracasso. Pela fé não somente somos salvos da pena do pecado. Pela fé não somente vencemos o pecado e as tentações. *Pela fé também servimos e amamos*.

Você já pensou em quanto estaria perdendo espiritualmente se não fossem estes profundos pensadores, tradutores e comentaristas, sobre os ombros dos quais nos apoiamos para ver por cima do muro da análise superficial dos versos da Bíblia?

Graças a Deus por ter inspirado estes homens, tanto quanto a Paulo, por nos ensinarem a salvação prática e aplicada!

Que possamos usufruir deste presente!

 

39º Dia: Romanos 13:1-7 – Da obediência às autoridades

O governo humano, assim como o relacionamento familiar, é uma instituição divina. Faz parte da ordem do mundo e está enraizado na concepção original da raça. Nunca foi intenção de Deus que vivêssemos como unidades individuais, mas, sim, como membros da família e do estado. É evidente, portanto, que a autoridade exercida pelo governo representa, falando de modo geral, um princípio divino. O conforto e o bem-estar da sociedade são obtidos melhor por essa forma do que por qualquer outra, e o reconhecimento desse princípio traz consigo o assentimento das nossas convicções intuitivas. Nós devemos "pagar a todos o que lhes é devido".

Mas é preciso reconhecer também que há limites além dos quais a autoridade imperial ou legislativa não pode ir. Diz a tradição que quando Nero conclamou o apóstolo Paulo a abandonar sua fé como condição para obter a liberdade, ele não hesitou em dizer que o Imperador estava se introduzindo numa área sobre a qual não tinha direitos, e que ele devia obedecer a Deus e não ao homem. (Frederick B. Meyer)

1 Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus.

2 Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.

3 Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela;

4 porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal.

verso 4 na BLH:

Porque elas estão a serviço de Deus para o bem de você. Mas, se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades de fato têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dEle sobre os que fazem o mal.

5 Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência.

verso 5 na BV:

Assim, vocês precisam obedecer às leis por duas razões: para evitar o castigo e porque na sua consciência cristã sabem que devem obedecer.

6 Por esta razão também pagais tributo; porque são ministros de Deus, para atenderem a isso mesmo [BLH: ...Porque, quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço de Deus.].

verso 6 na BV:

Paguem também seus impostos, por estas duas mesmas razões. Porque os trabalhadores do governo precisam ser pagos, a fim de poderem continuar a fazer a obra de Deus, que é servir a vocês.

7 Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto [BLH: Paguem os seus impostos, inclusive os das suas propriedades.]; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

verso 7 na BV:

Dêem a cada um aquilo que tem o direito de receber; paguem de boa vontade seus impostos e taxas, obedeçam aos seus superiores. Honrem e respeitem a todos aqueles a quem isso é devido.

Resumo dos comentários de Fritz Ridenour sobre Romanos 13:1-7:

Amor é a única lei de que você precisa. Aqui estamos novamente de volta ao amor. Mas que estranha combinação - governo e amor. Que tem o amor a ver com o pagamento de impostos ou com o tráfego dentro da velocidade permitida?

Tudo!

Paulo não insere esses pensamentos sobre obediência ao governo civil simplesmente porque ele pretende encher espaço em sua carta. No capítulo 12, Paulo fala sobre como viver a vida cristã na rotina diária, nos contatos diários que mantemos com outras pessoas. Era muito natural, portanto, que Paulo expandisse seu pensamento além das situações de Romanos 12 que abrangem relacionamentos entre indivíduos, tecendo comentários sobre como deve ser a vida cristã do membro de uma comunidade, e como cidadão de um governo. Onde quer que hajam homens, há governo de algum tipo. E Paulo, logo de início, deixa um fato claro como cristal: *todos os governos se encontram no poder porque Deus permitiu*. Isto significa que todos os governos - inclusive as ditaduras cruéis, despóticas - são parte do plano e da vontade permissiva de Deus. Os tiranos executam Seus propósitos juntamente com os santos. ...

Por ironia da sorte, as estranhas crenças dos cristãos granjearam para eles o título de "ateus", porque, na opinião dos cidadãos romanos típicos e clássicos, os cristãos não criam nos deuses.

[...]

...Paulo não queria que os cristãos fossem considerados tão rebeldes como os judeus. A Palestina era, provavelmente, a maior dor de cabeça de Roma. Nenhum judeu vivia contente sob o governo romano. Havia, inclusive, um bando de fanáticos "guerrilheiros" judeus chamados zelotes, empenhados em dirigir constante terrorismo. [...] Paulo não desejava identificar-se, de maneira alguma, com esse tipo de insurreição judaica. Estaria em direta contradição com a fé e ética cristãs. Como poderia um cristão dar testemunho de seu amor a Cristo e aos outros enquanto degolava alguém?

Paulo tinha ainda outros motivos para esses seus ensinos quanto à obediência aos poderes civis. E esses ensinos se aplicam tão adequadamente hoje como naqueles tempos. Por exemplo, *Paulo sabia que ninguém pode dissociar-se completamente de sua comunidade*. Ser membro de uma sociedade acarreta responsabilidade do mesmo modo que traz privilégios. O indivíduo tem deveres para com seus país bem como com sua igreja, ainda que ele não esteja de acordo com tudo quanto o governo pretende e faz.

A controvérsia a respeito de governos - quanto ao tipo e quais os limites da autoridade - tem sido violenta desde o começo da história. Pouco se duvida, porém, da necessidade de existir governo. Sem a organização e proteção do Estado, todos seríamos forçados a viver segundo a lei da selva - a sobrevivência dos mais fortes e maus. *Além disso, o Estado provê serviços e vantagens que os homens nunca poderiam usufruir individualmente*: abastecimento de água, serviço de esgotos, tribunais, escolas. Ninguém está livre para receber tudo do Estado e não retribuir na forma de cooperação e lealdade.

Mas, talvez, o motivo mais importante que Paulo tinha para aconselhar o apoio ao governo romano era porque *ele via Roma como o instrumento de Deus para conservar a tampa sobre uma situação que de outra maneira seria desesperadamente explosiva*. Paulo acreditava em usar a "Pax Romana" (a paz romana imposta pelas armas que prevalecia em seu tempo) com proveito para o Evangelho. Enquanto houvesse paz, ainda que imposta rigidamente (às vezes até cruelmente), Paulo via maior oportunidade para divulgar o Evangelho. [Recentemente tivemos o exemplo da Iugoslávia... ]

Se Roma sabia disso ou não, na mente de Paulo, Roma estava ajudando-o a realizar seu trabalho missionário. E por esse motivo, o cristão prudente sempre se esforçaria por ajudar o Estado, em vez de criar-lhe embaraços.

Comentários de Herbert Kiesler sobre "qual deve ser a atitude do cristão para com as autoridades seculares":

"Como interpretamos o conselho de Paulo? Até que ponto devem os cristãos apoiar os governantes quando eles adotam um programa de ação contrário aos princípios da Palavra de Deus?

[...]

a) A Bíblia enaltece os direitos da autoridade civil que Deus permitiu ascendesse ao poder para dirigir os negócios humanos. Deus quer que haja ordem na sociedade. Ele se opõe ao caos e à desordem.

b) Nenhuma autoridade governamental tem o direito de reivindicar devoção total e absoluta. Esta pertence exclusivamente ao Criador. (Ver Atos 4:18-20; 5:28-32.)

c) A autoridade civil ou o governo que reivindica prerrogativas divinas não é a espécie de governo a que Paulo se refere nessa passagem. A reação cristã a semelhante forma de governo é claramente expressa em Apocalipse 17:1 a 19:10.

d) Paulo descreve os governos dizendo que são instrumentos para o bem. Devem promover o bem-estar dos cidadãos e punir o mal e a desordem. Que acontece, porém, quando o governo inverte as coisas e torna-se tirânico? Os cristãos devem ser cristãos leais que apoiem as autoridades governamentais em tudo que for possível. Mas, quando a lei civil se opõe à lei de Deus, e os cristãos têm de escolher entre uma e outra, o Senhor requer que obedeçamos a Sua vontade. (ver Atos dos Apóstolos, p. 68 e 69.)"

Devem os cristãos envolver-se em programas cívicos ou na política?

"1) Visto que os cristãos são admoestados a orar pelos governantes e reis (I Tim. 2:1 e 2), não deveríamos reforçar as nossas orações com a ação em prol da temperança e outros ideais, e contra os males contra a pornografia?

2) A igreja deve evitar tomar partido na política, mas as questões morais fazem parte de sua tarefa.

Considere as experiências de José e Daniel, que mantiveram a fé e foram líderes morais nas sociedades em que viveram." (Herbert Kiesler)

 

40º Dia: Romanos 13:8-14 – O amor ao próximo é o cumprimento da lei. O dia está próximo

8 A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei.

O amor cumpre a lei.

O único débito que nunca pode ser quitado é o do amor. Visto que jamais poderemos livrar-nos da dívida para com Deus, somos intimados a mostrar infindável amor para com o homem. Se amarmos, não iremos ferir ninguém; portanto, aquele que está sempre cuidando dos outros tanto quanto cuida de si mesmo, ou mais (sendo esse o ideal cristão), está cumprindo aquela antiga lei. (Frederick B. Meyer)

Paulo não ensinou que o amor substitui a lei para o cristão. Nas Escrituras, o amor e a lei não são antagônicos, mas complementares. A lei de Deus é uma lei de amor (Rom. 13:9) e de "liberdade" (Tia. 2:12). Quando, pelo poder do Espírito Santo, vivemos de acordo com os princípios da lei (Rom. 8:3 e 4), demonstramos o nosso amor a Deus e aos semelhantes. (Herbert Kiesler)

9 Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

10 O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.

11 E isso fazei, conhecendo o tempo, que já é hora de despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando nos tornamos crentes.

verso 11 na BV:

Outra razão para ter uma vida correta é esta: vocês sabem como já é tarde. O tempo está terminando. Acordem, pois a vinda do Senhor está mais próxima agora do que no princípio, quando cremos.

Conhecendo o tempo...despertar do sono:

Nós nos parecemos com soldados que dormem em sua barraca enquanto a aurora vai avermelhando o céu. Dentro em pouco a corneta fará soar seu toque de alvorada. A longa noite do mundo está terminando, a alva está no céu, e nem toda a malignidade dos homens e demônios pode retardá-la nem mais uma hora.

Dispamo-nos das vestes que condizem somente com as trevas, e vistamo-nos da armadura do dia! (v. 12) Que armadura é essa? Numa palavra, é Jesus Cristo (v. 14) - seu caráter e método, sua abnegação e pureza - de modo que assim que os homens nos vejam, involuntariamente se voltem para ele. (Frederick B. Meyer)

Deus não mede o tempo como o fazem os seres humanos. Temos, porém, sobejas razões para atender à advertência de que o fim de todas as coisas está próximo e de que Jesus voltará em breve. (Ver II Pedro 3:8-13.) Vigiemos e estejamos preparados! (Herbert Kiesler)

Evidentemente, Jesus desejava que a Igreja, em todos os séculos, vivesse em estado de expectativa. É emocionante observar os acontecimentos históricos e reconhecer o cumprimento das profecias bíblicas. A mensagem de Deus a nós e ao mundo é: "Preparai-vos!" (Mat. 24:44) (Herbert Kiesler)

12 A noite é passada, e o dia é chegado; dispamo-nos, pois, das obras das trevas, e vistamo-nos, pois, das armas da luz.

13 Andemos honestamente, como de dia: não em glutonarias e bebedeiras, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e inveja.

Verso 13 na BLH:

Vivamos decentemente, como pessoas que vivem na luz do dia. Nada de orgias ou bebedeiras, nem imoralidade ou indecência, nem briga ou ciúmes.

14 Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.

verso 14 na BV:

Encham a vida com a presença do Senhor Jesus Cristo, nada reservando para o pecado.

A conduta cristã em vista da breve volta do Senhor.

"Cristãos sinceros não têm piedade duvidosa. Eles se revestiram do Senhor Jesus Cristo, e não procuram satisfazer os desejos da carne. Estão constantemente olhando para Jesus, à espera de Suas ordens, assim como o servo olha para o seu senhor... " (Ellen G. White, SDABC - Comentário Bíblico Adventista, citado por Herbert Kiesler)

...se o cristão está procurando um versículo que seja um "lema de vida", ele pode considerar Romanos 13:14. (Fritz Ridenour)

 

41º Dia: Romanos 14:1-12 – A tolerância para com os fracos na fé

1 Ora, ao que é fraco na fé, acolhei-o, mas não para condenar-lhe os escrúpulos.

verso 1 na BV:

Recebam bem qualquer irmão que deseje unir-se a vocês, mesmo que a sua fé seja fraca. Não discutam por ele ter idéias diferentes das suas a respeito daquilo que está certo ou errado.

A Epístola aos Romanos salienta coerentemente que a salvação é pela fé, não pelas obras. (ver Rom. 3:20-24; 4:2-5; 9:30-33; 10:4.)

Aquele que é débil na fé acha difícil deixar de confiar nas obras pessoais para justificação. Tal indivíduo tende a apegar-se a determinadas atitudes e observâncias religiosas, não porque são requeridas por Deus, mas porque parecem ser essenciais à dádiva da justiça de Deus.

Embora não seja favorável às obras como meio de obter salvação, Paulo recomenda que haja tolerância com a pessoa que está tendo dificuldade para abandonar essa atitude. Romanos 14 não trata de leis divinas que são fixas e imutáveis e devem ser observadas pela fé em Cristo, mas de questões que não são importantes para a vida cristã e a salvação. (Lições do Dr. Herbert Kiesler)

Outro ponto importante é a identificação do "irmão mais fraco", que Paulo menciona no v. 1. Alguns cristãos tendem a chamar outro crente de "fraco" se este transgredir o conjunto particular de tabus que eles têm. É isto que Paulo pretende dizer por "fraco"? No capítulo 14 ele deixa perfeitamente claro que suas simpatias na disputa sobre carne pendem para o lado daqueles que se sentem livres para comê-las, fosse ela oferecida num sacrifício pagão ou não. Paulo está dizendo que aqueles que vivem em liberdade e se sentem livres para violar os tabus legalistas dos homens não são os fracos. *Os legalistas é que são fracos*; eles é que precisam ser tolerados e tratados com compreensão. (Fritz Ridenour)

2 Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes.

verso 2 na BV:

Por exemplo, não discutam com ele sobre comer, ou não, da carne que foi oferecida aos ídolos. Pode ser que vocês creiam que não há nenhum mal nisso, porém outros têm a fé mais fraca. Pensam que está errado e passarão sem carne nenhuma, comendo verduras em vez de comer daquela espécie de carne.

[Nota: Aqui o tradutor da BV, Dr. Ken Taylor, acrescentou ao texto, para sua clareza, o contexto no qual este se situava.]

"De tudo se pode comer..."

"Paulo não está falando de alimentos nocivos à saúde. Ele não insinua que o cristão de forte fé pode comer de tudo, sem levar em conta o efeito que isso poderá ter sobre o seu bem-estar físico. No capítulo 12, verso 1, ele já tornou claro que o crente genuíno tomará providências para que o seu corpo seja preservado se modo agradável a Deus, como sacrifício vivo. A pessoa de forte fé considerará a manutenção da saúde um ato de culto espiritual (Rom. 12:1; I Cor. 10:31). (Comentário Adventista, vol.6, p. 635, citado por Herbert Kiesler.)

Alimentos oferecidos aos ídolos.

Um problema comum entre os cristãos nos dias de Paulo eram os alimentos oferecidos aos ídolos. Paulo escrevia de Corinto, onde estava sendo considerado este problema. (Ver I Cor. 8.) Além disso, havia na Igreja de Roma cristãos conhecidos por Paulo e que tinham emigrado da Grécia e da Ásia Menor. (Ver Romanos 16.) É razoável deduzir que a questão de Romanos 14 é a mesma de I Coríntios 8. [Como bem concorda o tradutor da BV...]

3 Quem come não despreze a quem não come; e quem não come não julgue a quem come; pois Deus o acolheu.

verso 3 na BV:

Aqueles que pensam que está certo comer esse tipo de carne não podem desprezar aqueles que não comem. E se você é daqueles que não comem, não despreze aqueles que comem. Porque Deus os aceitou como Seus filhos.

Era certo que um cristão comprasse, servisse ou comesse carne de animais usados em sacrifícios pagãos? Essa "carne pagã" era vendida todos os dias, bem barata, depois que os animais eram sacrificados nos rituais pagãos. [Muito cristãos eram pobres e a carne "normal" era muito cara. Se não comessem esta carne, não comeriam nenhuma...] Era carne boa para comer, também quanto à qualidade e ao sabor. Pois os animais usados para fins sacrificiais eram selecionados entre os melhores. Alguns cristãos não tinham constrangimento algum quanto ao comprar e ao comer a carne desses animais oferecidos aos ídolos. Para eles os ídolos nada mais eram do que pedaços de madeira ou pedra entalhados. Achavam que a carne estava incólume, inalterada e perfeitamente boa para comer. Mas outros cristãos se horrorizavam com a idéia. Para eles a carne que vinha de animais usados em rituais pagãos [oferecidos aos deuses gregos ou romanos, no caso] estava "espiritualmente contaminada"; era uma parte do paganismo e por certo não serviria como alimento do verdadeiro cristão.

"Comer ou não comer carne" não era uma questão sem importância na Igreja em Roma. Alguns cristãos "anti-carne" duvidavam mesmo da salvação de seus "menos escrupulosos" irmãos em Cristo. (Agora a história está começando parecer mais atual). (Fritz Ridenour)

4 Quem és tu, que julgas o servo alheio [BLH: o escravo de alguém]? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar [BLH: Se ele vai vencer ou fracassar, isso é da conta do senhor dele. E vai vencer, porque o Senhor pode fazê-lo vencer.]

5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente.

Havia outros problemas - por exemplo, quais as datas ou dias especiais a igreja devia considerar dias santificados. Alguns cristãos achavam que deveriam adotar os feriados religiosos já estabelecidos para adorarem a Deus. (Fritz Ridenour)

Paulo referiu-se ao mesmo problema em Gálatas 4:10 e 11 e Colossenses 2:16 e 17. Os dias sobre os quais ele escreveu eram os sete sábados anuais que faziam parte da lei cerimonial instituída por Deus. (Ver Levítico 23; comparar com Números 28 e 29.) Quando Cristo morreu, o tipo encontrou o antítipo. As festas anuais que apontavam para o Seu sacrifício e ministério não precisavam mais ser observadas. Essas festas eram sombras ou figuras da obra do Messias. (Herbert Kiesler)

"'Cada dia' significava cada um dos dias que eram considerados santos sob a lei *cerimonial*, a qual, obviamente, é a lei de que trata essa passagem. (Francis D. Nichol, citado por Herbert Kiesler)

Paulo não está dando a entender que a observância do sábado do sétimo dia é opcional. Ele mesmo observava o sábado com regularidade (Atos 13:14 e 44; 16:33; 17:1 e 2; 18:4). Paulo defendia os Dez Mandamentos, apresentando-os como a norma de justiça para os cristãos justificados (Rom. 3:31; 7:7, 12 e 14; 8:3 e 4). Ele nunca deu a entender que algum desses mandamentos fosse de natureza cerimonial e temporária, ou que tenha sido invalidado. O apóstolo estava plenamente de acordo com a declaração de Jesus em Mat. 5:17-20. (Herbert Kiesler)

Se você entende o que Paulo está querendo dizer nesta passagem, achará nela bastante ajuda. Ele não está dizendo que os cristãos podem ter opiniões totalmente contrárias a respeito de doutrinas fundamentais como pecado, a divindade de Cristo ou a salvação pela fé. Paulo fala sobre questões discutíveis, isto é, questões onde dois pontos de vista certamente podem ser válidos e até úteis. Para Paulo, a disputa a respeito de carne e dias sagrados, em Roma, caía nesta categoria legitimamente discutível. E em vez de decidir sobre o que estava certo, Paulo introduziu um princípio básico: Há muitas áreas na vida onde a resposta não está bem definida; não se pode dizer que seja esta ou aquela. *O cristão deve examinar sua própria consciência para ver como ela realmente sente - e que ele realmente crê. "Em questões desse tipo, cada um deve decidir por si mesmo" (v.5). (Fritz Ridenour)

6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. [ou, na BV: ... Assim também, a pessoa que come carne que foi oferecida aos ídolos, se ela dá graças ao Senhor por aquilo, está procedendo bem. E a pessoa que não toca em tal carne, também está ansiosa para agradar ao Senhor, e também dá graças.]

7 Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si.

8 Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor.

...o apóstolo [...] teria dito [às pessoas que ficam preocupadas constantemente com coisas mínimas, como se sua salvação eterna dependesse disso]: "Viva da melhor maneira que souber e, a partir do momento em que tiver adotado um determinado método de vida, siga-o humildemente, até que o Espírito de Deus lhe mostre uma perspectiva mais ampla". O princípio essencial para todos nós é viver e morrer para agradar ao Senhor. Ele é o nosso Senhor e a Ele caberá distribuir as recompensas. Enquanto isso, não julguemos um ao outro, mas vivamos em amor, deixando que cada um realize o plano de sua vida conforme determinar o Senhor. (Frederick B. Meyer)

9 Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos.

verso 9 na BLH:

Porque Cristo morreu e tornou a viver para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos.

10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus.

Só Deus conhece o coração.

"Jesus disse: 'Não julgueis, para que não sejais julgados.' Isto é, não vos ponhais como norma. Não façais de vossas opiniões, vossos pontos de vista quanto ao dever, vossas interpretações da Escritura, um critério para outros, condenando-os em vosso coração se não atingem vosso ideal. Não critiqueis a outros, conjeturando os seus motivos, e formando juízos. [...] Não nos é possível ler o coração. Faltosos nós mesmos, não nos achamos capacitados para assentar-nos como juizes dos outros. Os homens finitos não podem julgar senão pelas aparências. Unicamente Àquele que conhece as ocultas fontes da ação, e que trata terna e compassivamente, pertence decidir o caso de cada alma." - [Ellen G. White, em] - O Maior Discurso de Cristo, p. 124 (citado por Herbert Kiesler).

11 Porque está escrito: Por minha vida [BV: Assim como Eu vivo...], diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus [BLH: Juro pela minha vida, diz o Senhor, que todos se ajoelharão diante de mim e todos afirmarão que eu sou Deus.]

Cremos, como adventistas do sétimo dia, que ao final do milênio, antes do acerto de contas final, todos, justo e injustos ressuscitados, incluindo os anjos caídos e Satanás irão ficar de joelhos e reconhecer a justiça, bondade e santidade de Deus.

(Ler o capítulo final de "O Grande Conflito")

12 Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.

Seja autêntico.

Procure ser tolerante.

Seja compreensivo.

[Fritz Ridenour discorre três páginas sobre estas três virtudes - vale a pena consultar.]

Essas três regras simples foram praticadas pela mesma Pessoa que um dia nos julgará a todos. O melhor remédio para a crítica e o juízo que fazemos dos outros é: "Lembrem-se de que cada um de nós comparecerá individualmente perante o Tribunal de Deus... cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Romanos 14:10 e 12) (Fritz Ridenour)

[A consideração a seguir é bastante densa e não fácil compreensão. Porém compensa reservarmos 5 minutos para entender bem o seu sentido.]

Qual o efeito que o ato de julgar tem sobre a pessoa que está sendo julgada? (Herbert Kiesler)

"A mais trágica conseqüência de nossa crítica de uma pessoa é bloquear-lhe o caminho para a humilhação e a graça, precisamente para conduzi-la aos mecanismos da justificação própria e a suas faltas, e não para livrá-la delas. Nossa voz abafa a voz de Deus para essa pessoa. Nós a colocamos fora do alcance da voz divina, a qual só pode ser ouvida no silêncio. A reação impetuosa que a nossa crítica ocasiona na alma faz muito barulho." - Paul Tournier, Guilt and Grace, p. 82. (Citado por Herbert Kiesler)

Para meditação complementar:

Existe alguma questão, hoje, entre você e algum seu irmão que tenha semelhança à questão das carnes oferecidas a ídolos?

Se tem, como os versos de Rom. 14:1-12 podem lhe ajudar a resolver a questão?

 

42º Dia: Romanos 14:13-23 – A liberdade e o amor na edificação de uns para com os outros

A mensagem de Romanos 14 e de I Coríntios 8 é a de que, embora certas práticas sejam boas em si mesmas, os cristãos devem evitá-las em determinadas situações. Se têm influência negativa sobre a vida espiritual de alguma pessoa, devem ser omitidas no interesse do amor cristão. Nas situações em que essas questões sem importância não constituem motivo de tropeço para alguém, elas podem ser praticadas sem causar dano ao praticante. (Herbert Kiesler)

Na primeira metade do capítulo 14 (até v. 12), Paulo ensina que não devemos criticar ou julgar os outros, especialmente os irmãos na fé. Em assuntos discutíveis, cada cristão é livre para fazer aquilo que acha direito, de acordo com sua própria consciência. Nesses assuntos, nenhum cristão deve julgar outros cristãos, porque Deus será o último Juiz de todos (vs. 10 e 12).

Sim, esse é o ensino de Paulo - em Romanos 14:1-12. Mas agora, para evitar que seus leitores fiquem demais intoxicados com o vinho inebriante da liberdade, Paulo vira a outra face da moeda e introduz um pensamento que encerra sobriedade. *A liberdade para seguir as convicções há de ser equilibrada pela responsabilidade pessoal de fazer o que é melhor para seu irmão em Cristo*. [...]

Nesses capítulos finais de Romanos (12-15), Paulo acentua, de vários modos, o desafio do serviço cristão: glorificar a Deus, e não a você mesmo. A fim de glorificar a Deus, muitas vezes o cristão tem de deixar de lado a satisfação de suas próprias preferências em benefício de servir a Cristo. Como diz Paulo. "Não destrua a obra de Deus por causa de um pedaço de carne" (Rom. 14:20). ... Talvez nada haja de errado em comer carne (ou seu equivalente), mas está errado fazer algo que leve um irmão na fé tropeçar, a confundir-se - enfim, a afastar-se de Cristo em vez de aproximar-se mais dEle. (Fritz Ridenour)

Devemos ser zelosos com a fé uns dos outros. ... Quem possui uma liberdade maior não deve alardeá-la nem instigar os outros a agir contra sua consciência. Podemos, naturalmente, de maneira comedida e amorosa, explicar por que não nos submetemos a escrúpulos sem valor. Podemos mostrar, como Paulo fez diversas vezes, que Cristo nos chamou para a liberdade; mas nós não devemos tentar fixar normas para a conduta de outrem. O santuário da alma não deve ser invadido. Só o Espírito deve pronunciar seus oráculos nele. (Frederick B. Meyer)

13 Portanto não nos julguemos mais [BLH: paremos de criticar] uns aos outros; antes o seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão.

verso 13 na BV:

Assim, não condenem mais uns aos outros. Em vez disso, procurem viver de tal modo que nunca façam um irmão tropeçar, se ele vir vocês fazerem alguma coisa que ele pensa que está errada.

Paulo não queria fazer mau uso de sua liberdade de consciência de qualquer maneira que pudesse tentar ou influenciar alguém a fazer algo que achasse errado, algo que prejudicasse seus sentimentos de comunhão e harmonia com Cristo. (Fritz Ridenour)

14 Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo.

verso 14 na BV:

Quanto a mim, estou perfeitamente seguro, baseado na autoridade do Senhor Jesus, de que não há nada realmente errado em comer carne oferecida aos ídolos. Entretanto, se alguém achar que isso está errado, então não deve comer, pois para ele está errado.

Deduzir que Paulo estava afirmando que absolutamente nada é impuro seria um disparate [como judeu, seguia as ordenanças de Lev. 11; Isa. 65:4; 66:17.] ... Paulo estava indicando que nenhum alimento bom, em si ou de si mesmo, é impuro. No seu tempo, alguns cristãos consideravam certos alimentos como impuros porque tinham sido oferecidos aos ídolos. Na realidade, porém, eram bons alimentos que podiam ser comidos. Pode ser dada a mesma explicação ao que Paulo declara em I Coríntios 10:23: "todas as coisas são lícitas". É claro que o sentido das palavras de Paulo é que todas as coisas *boas* são lícitas. Ele sabia que a imoralidade e a transgressão de qualquer mandamento de Deus são ilícitas. (Ver I Tess. 4:3; Heb. 10:26-31.) (Herbert Kiesler)

15 Pois, se pela tua comida se entristece teu irmão, já não andas segundo o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.

...Perder-se alguém por quem Cristo morreu.

Bem, esse já é outro assunto. O problema já não é mais simplesmente um desacordo entre dois lados ou dois pontos de vista, quando você o considera dessa maneira. Paulo está dizendo, realmente, que embora seu ponto de vista seja perfeitamente válido, você ainda pode ter de "perder uma batalha" a fim de ganhar toda a guerra contra o mal, uma vez que você combate pelo bem de todos os outros que estão no corpo de Cristo. (Fritz Ridenour)

Como podemos ajudar aqueles que são afligidos por uma "consciência fraca" (I Cor. 8:10)?

1) Auxiliando-os a encontrar os princípios básicos.

2) Recomendando que dêem menos atenção às opiniões de homens e da sociedade. Os que são impelidos pelo que as pessoas pensam e dizem talvez tenham de carregar um peso desnecessário.

3) Apegar-se ao legalismo e suas regras produz dedicação a "coisas", e não a Cristo. (Herbert Kiesler)

...O segredo é...: um encontro pessoal com Deus. Ele produz maior severidade da pessoa consigo mesma e, ao mesmo tempo, a libertação de escrúpulos mórbidos. A vida torna-se uma ditosa aventura que se renova constantemente. Tudo fala de Deus, e Deus nos fala por meio das circunstâncias. - Paul Tournier, Guilt and Grace, p. 168. (Citado por Herbert Kiesler)

16 Não seja pois censurado o vosso bem;

verso 16 na BV:

Evite dar motivo a crítica contra você, mesmo naquilo que você sabe que está certo.

17 porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo [BLH: ...mas de viver corretamente, em paz e com a alegria que o Espírito Santo dá].

Visto que pertencer ao Reino de Deus abrange o recebimento de Sua "justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo", não há razão para que um cristão de forte fé recuse abandonar alguma prática sem importância que cause profunda preocupação a um irmão ou irmã na fé. As bênçãos da justificação e da santificação têm muito mais importância do que a preferência que alguém tenha por algum alimento ou bebida. O princípio se aplica a outros aspectos da vida. Diferenças culturais entre cristãos de nacionalidades diferentes poderiam ocasionar conflitos na Igreja Mundial se os membros de fé mais forte não respeitassem as convicções dos que não vêem as coisas do mesmo modo que eles. O cristão amadurecido, em circunstâncias normais, não participará de alguma coisa boa em si mesma, que seja considerada pecaminosa pelo irmão (ou irmã) mais fraco(a) (Herbert Kiesler)

Alguns exemplos disso são: O caloroso e puro abraço de alguns irmãos mais afetivos (aos olhos de outros mais conservadores), o uso de calça comprida para mulheres e aplausos na igreja, aceitos em muitos países (Argentina, p. ex.) mas não assimilados no Brasil, as danças e o vestir vistosas roupas tribais, na África. Que outros exemplos você poderia citar?

18 Pois quem nisso serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens.

19 Assim, pois, sigamos as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua.

verso 19 na BV:

Desta forma, procurem andar na paz com todos na igreja e procurem ajudar-se uns aos outros.

Paulo diz que em muitos casos o importante não é o quanto você sabe; no fundo, o importante é o que *você ama* e como você ajuda a edificar os outros na fé. ... o que Paulo sugere é que todo cristão deve estar preparado e disposto para fazer o que parece ser necessário para ajudar outro cristão que esteja dentro de sua esfera de influência.

...com tais palavras Paulo está dizendo que é boa coisa não ser pedra de tropeço, porém é muito melhor procurar ser uma pedra de passagem de alguém. Ser pedra de passagem significa que você está ativamente em busca de formas para ajudar outros a se aproximarem de Cristo. (Lembra-se da "dívida de amor" no capítulo 13? Você nunca termina de pagá-la). Ser pedra de passagem significa que vão caminhar sobre você. A idéia de ser pisado parece que não atrai muito, nem é fascinante, como também não é nada agradável ser crucificado junto ao monturo de lixo da cidade diante dos cínicos que proferem impropérios e dos soldados que maldizem e sorteiam as suas vestes. (Fritz Ridenour)

20 Não destruas por causa da comida a obra de Deus. Na verdade tudo é limpo, mas é um mal para o homem dar motivo de tropeço pelo comer.

verso 20 na BV:

Não destrua a obra de Deus por causa de um pedaço de carne. Lembre-se: não há nada errado com a carne, mas está errado comer, se isso fizer outra pessoa tropeçar na fé.

21 Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra coisa em que teu irmão tropece.

Paulo não estava debatendo se era certo ou errado tomar bebidas alcoólicas. Isso é outra questão. A Bíblia não aprova a ingestão de bebidas alcoólicas. (Ver Prov. 20:1.) Ingerir a *espécie* de carne e vinho de que trata o apóstolo não era algo importante, porque tais alimentos não eram prejudiciais em si mesmos, nem tinham sido proibidos por Deus. Ingeri-los era considerado errado pelos que tinham sido adoradores de ídolos, porque a carne e o vinho foram oferecidos a um ídolo. (Herbert Kiesler)

22 A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.

verso 22 na BLH:

Mas guarde entre você mesmo e Deus o que você crê a respeito desse assunto. Feliz aquele que não é condenado pela consciência quando faz o que acha que deve fazer!

Respeitar as convicções dos outros.

Conquanto "a fé de uma pessoa lhe permita comer" alimentos oferecidos a ídolos (Rom. 14:2, NIV), essa pessoa não tem o direito de fazer alarde de sua fé e liberdade cristã perante os que têm escrúpulos que ela considera irracionais. (Herbert Kiesler)

23 Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado.

verso 23 na BV:

Entretanto, quando alguém acha que alguma coisa que quer fazer está errada, não deve fazer. Peca se fizer, porque não tem a certeza da fé. E tudo que fazemos contrário a nossa fé é pecado.

O significado das palavras de Paulo [em Rom. 14:23] é que se um cristão não atua com a forte convicção pessoal de que está agindo corretamente, mas é tão fraco que se submete ao critério de outras pessoas, sua ação é pecaminosa. O cristão jamais deve violar a consciência. Talvez seja necessário educá-la. Pode ser que ela diga estarem erradas certas coisas que, em si mesmas, não são incorretas. Mas, a menos que seja persuadido pela Palavra e pelo Espírito de Deus de que determinado procedimento é correto para ele, não deve adotá-lo. Não deve fazer dos outros o critério de sua conduta; precisa dirigir-se às Escrituras e aprender por si mesmo qual é o seu dever nesse caso. - Comentário Bíblico Adventista (SDABC), vol. 6, p. 641 (Citado por Herbert Kiesler)

As leis cerimoniais acerca de carnes limpas e imundas ainda vigoram na Igreja do Novo Testamento?

1) O princípio básico das distinções entre o que é limpo e o que é imundo, no Antigo Testamento, é o ensino de que o homem precisa ver-se livre de toda contaminação que prejudica sua comunhão com Deus. Este princípio ainda está em vigor.

2) ...Alguns alimentos eram cerimonialmente imundos, mas não em si mesmos, como o pão fermentado por ocasião da Páscoa (Ver Êxo. 12:15);

3) Devemos, porém, lembrar-nos de que as distinções entre "limpo" e "imundo" remontam ao tempo de Noé e aos animais que entraram na arca. Essa questão não tem que ver somente com o cerimonialismo. Deus sabia que logo depois do Dilúvio não haveria carnes e legumes, e tomou providências para proteger a saúde física dos seres humanos, indicando que certos animais eram "limpos" e podiam servir de alimento e outros eram "imundos" e impróprios para a alimentação humana. Este princípio ainda vigora no tempo presente. (Ver I Cor. 10:31.)

Muitos de nossos amigos protestantes e católicos acreditam sinceramente que os adventistas do sétimo dia estão procurando

introduzir na Igreja Cristã as dispensações cerimoniais do Antigo Testamento. Eles incluem erroneamente o sábado semanal nesses preceitos cerimoniais. (Das lições de Herbert Kiesler, adaptado.)

 

43º Dia: Romanos 15:1-13 – A imitação e a união em torno de Cristo.

Um dos característicos dos cristãos primitivos era o amor. Celso, filósofo romano anticristão do segundo século, teve de admitir relutantemente: "Veja como se amam esses cristãos!"

E hoje?

Quantos cristãos permanecem em seus pequenos grupinhos fechados, falando muito em amar, não mostrando, porém, muita unidade em seu viver. Eram os primitivos cristãos mais espirituais que os crentes de hoje? Possuíam eles algum poder estranho que os capacitava a se amarem uns aos outros constante e consistentemente? É muito difícil! Amar uns aos outros não era em nada mais fácil para os primeiros cristãos do que para nós, hoje. Nas linhas finais de sua carta, Paulo inclui algumas sugestões sobre como unir-nos em torno de Cristo [Veja, em especial, o verso 7]. Todo cristão pode usar essas sugestões... (Fritz Ridenour)

1 Ora nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos.

2 Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo, visando o que é bom para edificação. [...BLH: para o próprio bem dele a fim de que ele possa crescer na fé.]

Como podemos edificar-nos mutuamente?

A igreja é uma família, e os membros da família são leais uns com os outros. Podemos confirmar-nos a animar-nos mutuamente; prover ajuda material em ocasiões de necessidade; cuidar de nossas palavras ao dar conselhos; passar tempo ouvindo com atenção o que os outros têm a dizer-nos. (Herbert Kiesler)

3 Porque também Cristo não se agradou a si mesmo, mas como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam.

O Exemplo de Cristo.

Ainda resta fazer uma grande obra de salvação de almas. Todo anjo na glória está empenhado nesta obra, ao passo que todo demônio se opõe a ela. Cristo nos demonstrou o grande valor das almas por ter vindo ao mundo com o acumulado amor da eternidade no coração, intentando tornar o homem herdeiro de toda a Sua riqueza. Ele nos revela o amor do Pai pela raça culpada e apresenta-O como justo e justificador daquele que crê. "'Cristo não se agradou a Si mesmo.' Ele não fez nada para Si próprio; Sua obra foi em favor do homem caído. O egoísmo ficou envergonhado em Sua presença. Ele assumiu a nossa natureza para que pudesse sofrer em nosso lugar. Egoísmo, o pecado do mundo, tornou-se o principal pecado da igreja. Sacrificando-Se pelo bem dos homens, Cristo golpeia a raiz de todo egoísmo." - [Ellen G. White, em] Testemonies, vol. 5, p. 204." (Herbert Kiesler)

4 Porquanto, tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que, pela constância e pela consolação provenientes das Escrituras, tenhamos esperança.

5 Ora, o Deus de constância e de consolação vos dê o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus. [BLH: ...seguindo o exemplo de Jesus Cristo.]

Esse capítulo é notável por sua tripla designação de Deus: "o Deus da paciência e consolação" (v.5); "o Deus da esperança" (v.13); e "o Deus da paz" (v. 33). Nosso caráter pode ser deficiente nessas coisas, mas a plenitude de Deus está à nossa disposição. Não há escassez ou falta para aqueles a quem Ele diz: "Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu". (Frederick B. Meyer)

6 Para que unânimes, e a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

verso 6 na BLH:

E isso para que todos juntos, como uma só pessoa, louvem a Deus o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.

7 Portanto recebei-vos [BLH: aceitem] uns aos outros, como também Cristo nos recebeu [BLH: aceitou vocês], para glória de Deus.

J. B. Philips traduz este trecho de Romanos 15:5-7 desta forma:

"Que o Deus inspirador daquela paciência, que cuida paternalmente dos homens, vos conceda um espírito de união entre todos os irmãos, e isto por causa da lealdade comum que tendes a Jesus Cristo. Então podereis cantar num só coro, de coração os louvores de Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. (...) Abri, pois, os vossos corações uns aos outros, como Cristo vos abriu o Seu, e Deus será glorificado". (Como citado por Fritz Ridenour)

 

8 Digo pois que Cristo foi feito ministro da circuncisão [BLH: servo dos judeus], por causa da verdade de Deus [BLH: para mostrar que Deus é fiel], para confirmar as promessas feitas aos pais;

Ministro da Circuncisão.

Jesus pregou (foi ministro) aos que "eram da circuncisão", os judeus.

9 e para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: Portanto eu te louvarei entre os gentios, e cantarei ao teu nome.

10 E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, juntamente com o povo.

11 E ainda: Louvai ao Senhor, todos os gentios, e louvem-no, todos os povos.

12 E outra vez, diz também Isaías: Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para reger os gentios; nele os gentios esperarão.

13 Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz na vossa fé, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo.

verso 13 na BLH:

Que Deus, que nos dá a esperança, encha vocês de alegria e de paz, por meio da fé que têm nele para que a esperança de vocês continue a crescer pelo poder do Espírito Santo.

Esperança...

A vista do lado da terra pode ser escura e deprimente, mas abramos as nossas janelas para Deus - assim a terra fica iluminada. (Frederick B. Meyer)

A vinda de Cristo confirmou a veracidade das promessas de Deus aos patriarcas. Por meio delas é abençoada toda a humanidade. A redenção de judeus e gentios é a maior evidência do universal amor de Cristo. Ele recomenda que todos os crentes manifestem aos outros esse mesmo amor sem preconceitos. A alegria, a paz, e o poder do Espírito Santo devem reinar no coração de todo fiel seguidor de Jesus (Rom. 15:13). No reino da graça e no reino da glória sempre prevalecerão a compreensão e harmonia. (Herbert Kiesler)

...*Paulo tinha esperança*, mesmo nas situações "desesperadoras". Nos versos 7-13 ele toca uma vez mais no problema dos "direitos civis" da igreja primitiva: judeu versus gentio. Os crentes judeus [vindos do judaísmo] achavam que tinham privilégios especiais concedidos por Deus. Afinal de contas, eram descendentes de Abraão, e portanto, membros de uma raça que Deus escolhera para glorificar-Lhe o nome e preservar Sua Palavra. Muitos judeus se tornaram cristãos convertidos nos primeiros anos de vida da igreja e guardavam não pouco ressentimento e desdém pela "intrusão" dos gentios que também criam em Cristo e desejam estar na comunhão cristã.

Alguns dos judeus mais zelosos tentaram forçar os gentios a passar pelas "cerimônias de iniciação" como, por exemplo, a circuncisão, a fim de poderem fazer parte da igreja. Era difícil para o bom judeu - educado na tradição - lei, religião - aceitar a idéia de que o evangelho oferecia salvação gratuita a todos os homens na base da fé e fé somente. Muitos dos judeus convertidos ao Cristianismo não aceitaram ou não entenderam completamente o conceito de graça - o amor e favor não merecidos vindos de Deus. Preferiam manter o Cristianismo dentro da categoria religiosa, cercado de exigências, rituais e regras.

Os gentios, contudo, possuíam pouca tradição e pouco treinamento religioso. Saíram do paganismo, aceitando alegremente a idéia de que por meio de Cristo poderiam receber o perdão de pecados e obter a salvação. Não podiam entender porque os judeus faziam tais restrições, ou por que alguns judeus cristãos pareciam menosprezá-los por sua falta de tradição e passado religiosos. Havia uma boa dose de confusão, divergência e ficção por causa desse problema básico de judeu e gentio na mesma congregação cristã. Esta dissensão interna era, talvez, o maior perigo que a igreja cristã enfrentava em seus primeiros anos de vida, e Paulo sabia disso. Foi por esse motivo que ele, deliberadamente, destinou sua Carta aos Romanos e outra Carta à igreja na Galácia visando o problema e explicando porque e como os cristãos deveriam unir-se em torno do conceito de salvação pela fé em Cristo. Paulo enfrentou pesadas dissensões e ofensas pessoais de todo tipo a fim de reunir os cristãos em torno de Cristo. Não obstante as dificuldades, ele prosseguiu em seu intento. A chave para sua atitude está em Romanos 15:13. Se Paulo podia orar para que outros alcançassem esperança, paz e felicidade provenientes de Deus, é porque ele mesmo havia alcançado tal experiência. Teve essa experiência na medida em que cria em Deus. Experimentou esperança e paz interior na medida em que permitia que o poder do Espírito Santo operasse nele e por intermédio dele... (Fritz Ridenour)

 

44º Dia: Romanos 15:14-33 – A explicação, os planos e as orações de Paulo

14 Eu, da minha parte, irmãos meus, estou persuadido a vosso respeito, que vós já estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento e capazes, vós mesmos, de admoestar-vos uns aos outros.

verso 14 na BV:

Eu sei, meus irmãos, que vocês são sábios e bons, e que conhecem essas coisas tão bem que são capazes se ensinar aos outros tudo a respeito delas.

15 Mas em parte vos escrevo mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, por causa da graça que por Deus me foi dada,

...Paulo tinha tato.

Você precisa ter também as entrelinhas, mas isto está ali. ... Paulo não os importuna, não os repreende severamente, não lhes faz observações sarcásticas. Paulo prefere "pensar positivamente" e procurar o que há de bom na situação. Paulo estava muito mais interessado no que um homem poderia ser do que naquilo que ele tinha sido até ali.

[...]

Pense a esse respeito. Você vê os outros em processo de melhoramento ou os vê sempre em ligação ao passado de cada um - o que eles fizeram (ou não fizeram) - especialmente para você? [...] O Cristianismo ... lida com o *potencial*, isto é, considera aquilo que uma pessoa *pode vir a ser*, e não, somente com o que ela é. Este é o âmago do Evangelho. Se Deus lidasse conosco estritamente à base do nosso passado, nunca Ele teria enviado Jesus Cristo para morrer por nossos pecados. (Fritz Ridenour)

16 para ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que sejam aceitáveis os gentios como oferta, santificada pelo Espírito Santo. [BLH: ...Faço isso para que os não-judeus sejam uma oferta que Deus aceite, dedicadas a Ele pelo Espírito Santo.]

Oferta.

Quem julgasse superficialmente a vida do apóstolo no tempo a que ele se refere, poderia ter suposto ser ele um mero viajante judeu, correndo de um lado para outro, sob circunstâncias de extrema pobreza e sem resultados especiais. Mas, de fato, ele estava lançando os fundamentos da comunidade cristã. Sua única ambição era apresentar os gentios a Deus como oferta queimada (v. 16). A frase aqui sugere o supremo sacrifício que nobremente se tornou realidade na firmeza de propósito daquelas igrejas que pouco tempo depois, quando das perseguições de Nero, se tornariam holocaustos de mártires. (Frederick B. Meyer)

"Santificados pelo Espírito Santo.

Paulo desejava que os gentios pelos quais trabalhava desfrutassem as bênçãos da santificação. 'Homem algum recebe a santidade como direito de nascimento, ou como dádiva de qualquer outro ser humano. A santidade é dom de Deus por meio de Cristo. Os que recebem o Salvador tornam-se filhos de Deus. São Seus filhos espirituais, nascidos de novo, renovados em justiça e verdadeira santidade. Sua mente é mudada....' [Ellen G. White, em] - Nossa Alta Vocação, p. 212." (Lições do Dr. Herbert Kiesler.)

17 Tenho, portanto, motivo para me gloriar em Cristo Jesus, nas coisas concernentes a Deus;

18 porque não ousarei falar de coisa alguma senão daquilo que Cristo por meu intermédio tem feito, para obediência da parte dos gentios, por palavra e por obras,

Tudo isso se deveu à atuação de Cristo por intermédio do apóstolo. Qualquer coisa que não tivesse sido operada através do poder do Cristo presente não merecia ser mencionada. A obra que realmente importava não era a que Paulo fazia para Cristo, mas o que Cristo realizava através do apóstolo. (Frederick B. Meyer)

Paulo não exaltava a sim mesmo. Ele lembrava constantemente aos leitores de suas epístolas que só se gloriava em Cristo; no que o Salvador fizera e estava fazendo para ele e por seu intermédio. (Frederick B. Meyer)

19 pelo poder de sinais e prodígios, no poder do Espírito Santo

[BV: Ganhei-os pela minha mensagem, pela boa maneira como vivi diante deles e pelos milagres feitos através de mim como sinais de Deus - tudo pelo poder do Espírito Santo]; de modo que desde Jerusalém e arredores, até a Ilíria, tenho divulgado o evangelho de Cristo;

Ganhei-os ... pelo Espírito.

O interesse do apóstolo não era meramente o número de conversos. Ele esperava que Cristo transformasse o caráter das pessoas pelas quais trabalhava. Seu interesse era que os gentios obedecessem "por palavra e por obras" (Rom. 15:8). Semelhante obediência à vontade de Cristo só é possível "pelo poder do Espírito Santo" (Rom. 15:19).

O dom do Espírito Santo aos crentes não é para que eles experimentem um êxtase ou arroubo de emoção. O Espírito santifica(II Tess. 2:13; comparar com I Ped. 1:1 e 2). Seu poder no coração do crente possibilita a obediência em palavra e obras. (Herbert Kiesler)

20 deste modo esforçando-me por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio;

verso 20 na BV:

Entretanto, minha ambição por todo esse tempo tem sido ir ainda mais longe e pregar onde o nome de Cristo nunca foi ouvido em vez de ir a um lugar onde a igreja já tenha sido iniciada por outra pessoa.

21 antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão; e os que não ouviram, entenderão.

22 Pelo que também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco;

verso 22 na BV:

De fato, esse é o verdadeiro motivo pelo qual tenho me demorado tanto em fazer esta visita a vocês.

23 mas agora, não tendo mais o que me detenha nestas regiões, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir visitar-vos,

É notável como Paulo era criterioso ao estabelecer novos campos. Isso é característico das melhores e mais altas formas de trabalho. É pobre a igreja que se beneficia do trabalho de outros, mas não têm poder para conseguir convertidos do mundo! (Frederick B. Meyer)

24 eu o farei quando for à Espanha; pois espero ver-vos de passagem e por vós ser encaminhado para lá [BLH: Gostaria também que vocês me ajudassem a ir até lá...], depois de ter gozado um pouco da vossa companhia.

Paulo dependia da hospitalidade dos crentes pelos quais trabalhava. As igrejas de seu tempo costumavam dar alimento e abrigo aos evangelistas visitantes, e pagar-lhes as despesas de viagem. (Herbert Kiesler)

Paulo mostrou amor cumprindo suas responsabilidades.

Paulo fez seus planos *considerando* os seus deveres e não passando por cima deles. Ele desejava muito ir à Espanha a fim de abrir novas fronteiras para o Evangelho (v. 24). Esperava fazer de Roma um ponto estratégico para sua expansão de atividades missionárias rumo ao ocidente. Não obstante, havia primeiro esta questão um tanto de rotina, porém urgente, de levar um donativo em dinheiro aos cristãos em Jerusalém (v. 25). Este dinheiro não era alguma espécie de bonificação ou prêmio especial que os crentes de Jerusalém haviam conquistado num sorteio. O dinheiro era muitíssimo necessário para aqueles que estavam sem meios de sustento. (Fritz Ridenour)

25 Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. [BLH: ...a serviço do povo de Deus ali.; BV: ...aos cristãos de lá. ]

26 Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia levantar uma oferta fraternal para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. [BV:...para os de Jerusalém que estão passando dificuldades.]

Numa cidade como Jerusalém, grande parte dos empregos disponíveis devia relacionar-se com o templo judaico e com as necessidades de sua colossal estrutura. Mas o tempo era controlado e dirigido pelos saduceus, uma seita de chefes judeus que negavam a crença da ressurreição e que eram inimigos de Cristo e do Cristianismo. Deve ter acontecido com muita freqüência em Jerusalém casos de homens perderem os seus empregos por haverem se tornado cristãos. (Fritz Ridenour)

27 Isto pois lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes das bênçãos espirituais dos judeus, devem também servir a estes com as materiais.

verso 27 na BV:

Eles ficaram muito contentes em fazer isso, pois sentem que têm uma verdadeira dívida para com os cristãos de Jerusalém. Por que? Porque as notícias a respeito de Cristo chegaram a eles através da igreja de Jerusalém. Visto que eles receberam dos judeus esta grande dádiva espiritual do Evangelho, sentem que o mínimo que podem fazer em troca é dar alguma ajuda material.

Paulo salientou que "isso lhes pareceu bem" (Rom. 15:27). E acrescentou que constituía uma obrigação baseada no amor. Era uma troca de dádivas. (Herbert Kiesler)

28 Tendo, pois, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha.

29 E bem sei que, quando for visitar-vos, chegarei na plenitude da bênção de Cristo.

30 Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus

[BV: ...Sejam meus companheiros na oração ... orem muito por meu trabalho.]

"Pelo amor do Espírito " é uma expressão agradabilíssima. Ela dá testemunho quanto ao fato de que o Espírito Santo é uma Pessoa, visto que uma mera influência não pode amar. Ela mostra, também, que podemos receber Sua presença em nós e sua orientação com toda confiança. ... Isto mostra também o quanto ele pode ser entristecido. Não há tristeza mais pungente que a do amor. (Frederick B. Meyer)

Deus não atendeu os pedidos específicos, pelos quais Paulo queria que os cristãos romanos orassem, exatamente da maneira desejada por ele. (Ver Atos 21:27-35.) Suas orações foram, porém, atendidas do modo que o Senhor considerou mais apropriados ao ministério de Paulo e ao desenvolvimento espiritual desses cristãos. (Herbert Kiesler)

A oração é ordenada pelo Céu como meio de alcançar êxito no conflito com o pecado e no desenvolvimento do caráter cristão. – [Ellen White, em] Atos dos Apóstolos, p. 564.

Deponde perante Deus todos os vossos planos, para serem executados ou rejeitados, conforme o indique a Sua providência.

Aceitai os Seus planos em lugar dos vossos, mesmo quando sua aceitação exija a renúncia de projetos acariciados. Assim a vida será moldada cada vez mais segundo o modelo divino. [Ellen G. White, em] - Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 93.

31 para que eu seja livre dos rebeldes que estão na Judéia, e que este meu ministério em Jerusalém seja aceitável aos santos;

verso 31 na BV:

Orem para que lá em Jerusalém eu seja protegido daqueles judeus que são rebeldes e lutam contra os cristãos. Orem também para que os cristãos de lá se prontifiquem a receber bem o dinheiro que estou levando.

Devido aos saduceus e a outros judeus zelosos que odiavam o Cristianismo, Paulo enfrentou verdadeiro perigo indo a Jerusalém. Para os judeus da "religião dos velhos tempos", Paulo era o Inimigo Público n.º 1. Ele era procurado por toda parte, e acima de tudo em Jerusalém. Mais de uma vez os judeus haviam tentado matar Paulo (veja Atos 14:5; 18:12), e agora ele planejava entrar, exatamente, no quartel-general adversário, para fazer entrega de *donativos*! Paulo poderia facilmente ter solicitado dispensa dessa missão. Ele poderia muito bem ter enviado outro, e poderia, assim, estar livre para atender "assuntos mais importantes" em Roma ou na Espanha. Mas Paulo não somente pregava o amor e unidade cristãos; ele os punha em prática. [...] E devido ao seu desejo de ajudar os pobres em Jerusalém, Paulo acabaria dando a sua própria vida [Ver João 15:13]. Paulo quando deixou Jerusalém nunca mais foi um homem livre. Os judeus tentaram matá-lo; foi salvo porque os romanos o prenderam; posteriormente foi transportado para Roma sob escolta e afinal foi lá executado por ordem de César. Paulo era um exemplo vivo e itinerante do que significa transformar palavras cristãs em atos cristãos. (F.R.)

A essa altura, Paulo sabia pouca coisa das vicissitudes que experimentaria em Jerusalém: prisão, ser amparado pelos soldados romanos, comparecimento perante o Sinédrio dos judeus, escape de uma conspiração de mais de quarenta homens para matá-lo, escolta militar a Cesaréia, dois anos de prisão ali, e finalmente o famoso naufrágio na viagem a Roma como prisioneiro dos romanos. O livro de Atos não revela coisa alguma sobre Paulo depois do ano 63 da Era Cristã. As únicas indicações que temos são as que se encontram nas chamadas epístolas pastorais, em que as circunstâncias e atitudes de Paulo são completamente diferentes das do seu primeiro encarceramento, durante o qual ele escreveu as cartas aos Colossenses, Efésios e Filipenses." (J. C. Wengler, A Lay Guide to Romans, citado por Herbert Kiesler).

32 a fim de que, pela vontade de Deus, eu chegue até vós com alegria, e possa entre vós recobrar as forças.

33 E o Deus de paz seja com todos vós. Amém.

 

45º Dia: Romanos 16:1-16 – Recomendações e saudações pessoais

No capítulo 16 Paulo envia saudações a muitos de seus antigos companheiros e conversos. Estes eram pessoas do Oriente que se haviam mudado para Roma e agora eram membros leais da Igreja Cristã nessa cidade. (Herbert Kiesler)

Aqui se abre uma janela pela qual divisamos o coração de Paulo. Evidentemente ele havia sido rejeitado pelos próprios parentes, embora, como o Senhor tinha prometido, tivesse cem vezes mais mães, irmãs e irmãos. Que contraste entre o espírito desse capítulo e o daquele em que se refere ao mero discutidor ou teólogo, estóico ou monge. Vemos, também, a cortesia, a pureza, a consideração e a ternura do relacionamento cristão. (Frederick B. Meyer)

1 Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que é serva da igreja que está em Cencréia;

Febe era "diaconisa" da Igreja de Cencréia, o porto marítimo oriental de Corinto. As palavras gregas usadas em Romanos 16:2 [...a ajudeis...] dão a entender que ela precisava resolver alguma questão legal em Roma, na qual os cristãos romanos podiam ser de alguma ajuda. Paulo achava que, tendo ela sido uma bênção para outros, seus amigos cristãos também poderiam ser-lhe úteis. (Herbert Kiesler)

2 para que a recebais no Senhor, de um modo digno dos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque ela tem sido o amparo de muitos, e de mim em particular.

Muitas coisas se podem deduzir de Febe, a partir da rápida menção feita por Paulo:

1) Como as viagens (cartas e pessoas) da época eram muito demoradas, a recomendação em favor de Febe faz acreditar que ela foi junto com a carta aos Romanos. Muito provavelmente foi ela a mensageira que levou a carta de Paulo de Corinto à Roma. Portanto, devemos a ela o podermos ler este fabuloso livro. Imagine a longa viagem de navio e a pé que ela teve que enfrentar, para cumprir sua missão. Ainda mais que os navios eram ambientes altamente machistas, numa época onde na Grécia as mulheres não podiam sequer comer à mesma mesa do homem - recolhiam-se ao Gineceu, local da casa reservado a elas;

2) Não era permitido serviço postal privado naquela época, no Império Romano. Se necessário, deveria provar que "a Carta" era objeto pessoal, conhecendo todo o seu conteúdo (Febe daria uma ótima comentarista de Romanos... Poderíamos até imaginá-la perguntando a Paulo o sentido de alguma passagem de sentido menos evidente...);

3) Durante os três anos que levou para Paulo ir a Roma (agora em cativeiro), Febe foi a sua representante naquela igreja. (Comentários apresentados em sermão por Raquel Arrais).

Somos os representantes de Cristo nesta terra. Merecemos as mesmas palavras e recomendações que Febe recebeu?

3 Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus,

Priscila foi mencionada diversas vezes no Novo Testamento. Talvez, pela ordem de menção, e pela clara posição de liderança, (v. 5) tenham eles sido os fundadores da igreja cristã em Roma...

4 os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios.

5 Saudai também a igreja que está na casa deles. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Ásia para Cristo.

6 Saudai a Maria, que muito trabalhou por vós.

7 Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes [BLH: meus patrícios judeus] e meus companheiros de prisão, os quais são bem conceituados entre os apóstolos, e que estavam em Cristo antes de mim.

8 Saudai a Ampliato, meu amado no Senhor.

9 Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu amado.

10 Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da casa de Aristóbulo.

11 Saudai a Herodião, meu parente [BLH: meu patrício judeu]. Saudai aos da casa de Narciso que estão no Senhor.

12 Saudai a Trifena e a Trifosa, que trabalham no Senhor. Saudai a amada Pérside, que muito trabalhou no Senhor.

13 Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha.

14 Saudai a Asíncrito, a Flegonte, a Hermes, a Pátrobas, a Hermes, e aos irmãos que estão com eles.

15 Saudai a Filólogo e a Júlia, a Nereu e a sua irmã, e a Olimpas, e a todos os santos que com eles estão.

Febe, Priscila, Maria, Pérside, Júlia,...

Desde o começo, os serviços das mulheres foram muito importantes para o progresso da Igreja Cristã. Mulheres fiéis serviram a Jesus (Mar. 15:40 e 41). As boas obras de Dorcas serão um exemplo para os crentes até o fim do tempo (Atos 9:36 e 39). Paulo referiu-se a mulheres que "juntas se esforçaram comigo no evangelho" (Fil. 4:3). As diversas mulheres na Igreja de Roma a quem Paulo enviou saudações demonstraram sua importância como obreiras cristãs. (Herbert Kiesler)

16 Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo [BLH: com um beijo de irmão; BV: de maneira amável e respeitosa]. Todas as igrejas de Cristo [BV: daqui] vos saúdam.

Este capítulo quase faz você sentir-se como se estivesse chegado à escrivaninha de alguém e remexesse em alguns de seus documentos pessoais. Paulo está falando diretamente a amigos agora, e por trás de muitos de seus breves comentários há dramas que nunca foram registrados. Os estudiosos da Bíblia fizeram muita especulação sobre quem eram essas pessoas, de onde vieram e o que finalmente lhes aconteceu. Uma observação muitíssimo útil, contudo, é a de William Barclay; diz ele que nesses versículos Paulo retrata muitas dessas pessoas em uma única sentença. "Ele foi um trabalhador incansável". "Ele foi um bom homem". "Eles arriscaram a vida por mim". Se fosse solicitado a seus amigos ou à sua família que resumissem você em uma só sentença, qual seria ela? (Fritz Ridenour)

 

46º Dia: Romanos 16:17-27 – Palavras e bênçãos finais

É possível que estes pós-escritos, do versículo 17 em diante, tenham sido escritos pessoalmente por Paulo. (Veja I Coríntios 16.21.) (Frederick B. Meyer).

17 Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes [BV: ensinando sobre Cristo coisas contrárias aos ensinos que vocês receberam]; desviai-vos deles.

Aqueles que criam divisões por pontos obscuros de doutrina devem ser evitados, a fim de que não nos afastem dos princípios fundamentais. (Frederick B. Meyer)

Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir. Quando os cristãos se desavêm, Satanás se insinua para tomar o controle. Quantas vezes teve ele êxito em destruir a paz e a harmonia nas igrejas! Que conflitos ferozes, que amargura, que ódio, se iniciaram por uma pequenina questão! Que esperanças se esfacelaram, quantas famílias foram divididas pela discórdia e contenda! – [Ellen G. White, em] Testemunhos Seletos, vol.2, p. 85. (Citado por Herbert Kiesler)

"Deus às vezes transforma a ação de desordeiros e perturbadores numa bênção. Pode citar alguns exemplos?

1) Paulo escreveu o livro de Gálatas para enfrentar os problemas causados pelos judaizantes.

2) Uma das razões porque João, o discípulo amado, escreveu suas epístolas, foi para deter heresias que estavam penetrando na Igreja [gnosticismo].

3) Golias enfrentou o Deus de Israel, mas o Senhor usou esse perturbador para dar projeção nacional a Davi.

Lembre-se: 'Quem luta comigo, me fortalece.'" (Herbert Kiesler)

18 Porque os tais não servem a Cristo nosso Senhor, mas ao seu ventre [BV: mas somente desejam proveito para si mesmos]; e com palavras suaves e lisonjas enganam os corações dos inocentes. [BLH: Por meio de conversa macia e com bajulação, eles enganam os corações das pessoas simples.]

19 Pois a vossa obediência é conhecida de todos. Comprazo-me, portanto, em vós; e quero que sejais sábios para o bem, mas simples para o mal. [BLH: ...quero que sejam sábios naquilo que é bom e inocentes no que é mau.]

verso 19 na BV:

No entanto, todo o mundo sabe que vocês continuam fiéis e obedientes. Isso me deixa muito contente. Eu quero que vocês sejam sempre muito sábios a respeito do bem e puros, sem maldade nenhuma.

Precisamos possuir a sabedoria celestial e ser inocentes em relação ao mal. O puro, aquele cujo coração é como o de uma criança, é rápido no discernir entre o certo e o errado... (Frederick B. Meyer)

20 E o Deus de paz em breve esmagará a Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco.

No caso de *cada* crente, ainda que fraco e desamparado, Deus está comprometido a cumprir conosco a promessa de Gênesis 3:15. Ele não apenas nos ajudará a fazê-lo, mas o fará por nós. É uma combinação extraordinária; Deus contra o diabo e a paz "esmagadora".

21 Saúdam-vos Timóteo, meu cooperador, e Lúcio, e Jáson, e Sosípatro, meus parentes.[BLH: ...meus patrícios judeus...]

22 Eu, Tércio, que escrevo esta carta [quem escreve esta carta ditada por Paulo], vos saúdo no Senhor.

23 Saúda-vos Gaio, hospedeiro meu e de toda a igreja [BV: ...em casa de quem a igreja daqui se reúne]. Saúda-vos Erasto, tesoureiro da cidade, e também o irmão Quarto.

Nem todos somos, como eram Gaio e Erasto, homens eminentes e ricos, mas podemos, todos, assemelhar-nos a Quarto, "o irmão". (Frederick B. Meyer)

24 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém.

25 Ora, àquele [BV: Eu os entrego a Deus] que é poderoso para vos confirmar [BLH: conservá-los firmes na fé; BV: para tornar os crentes fortes e firmes no Senhor], segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo [BV: como diz o Evangelho de Jesus Cristo e como eu tenho falado], conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos,

O mistérios ou segredo com o qual se encerra a epístola se refere à redenção realizada por Jesus durante o Seu ministério terreno (I Tim. 3:16). Mas isso não era coisa nova, visto que tinha estado na mente de Deus desde os tempos eternos (Apoc. 13.8) (Frederick B. Meyer)

26 mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé;

27 ao único Deus sábio seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.

A carta de Paulo aos Romanos conclui com uma das grande doxologia (ou orações de louvor) na literatura bíblica (16:25-27). É apropriado que a carta termine fazendo tal celebração do divino plano de salvação, anunciado pelos profetas, cumprido em Cristo e exposto agora a todas as nações, pois foi assim que a carta começou (Rom. 1:2-5). Destarte, as considerações de Paulo podem ser encaradas sob o aspecto de Deus estar realizando em Cristo [através de Cristo] o que pretendia fazer: exercer Sua soberania redentora sobre a criação rebelde, e reconciliá-la consigo mesmo. - Paul J. Achtemeier, Romans: Interpretation, p. 237 e 238. (Citado nas lições de H. Kiesler.)

O "manual" de Paulo sobre como ser cristão [...] está chegando ao fim. [...]

O cristianismo fala de um Deus que não se coloca à distância do seu braço só pelo fato de ver você "debatendo-se para alcançá-Lo". O cristianismo afirma que Deus veio até nós e já fez algo pela humanidade: *Ele removeu a nossa culpa*.

Excetuando-se a morte, a culpa é, talvez, o maior inimigo do homem. A culpa é o ácido corrosivo, consumidor, que devora uma pessoa por dentro; é o conhecimento instintivo de que você não é tudo aquilo que desejaria que os outros pensassem de você; que realmente você não está em condições de permanecer diante de um Deus justo e santo.

Investigue os livros das religiões, os cultos, as seitas. Nenhum deles realmente alega possuir resposta para o pecado e para a culpa.

[...]

Volte e leia o ponto alto da carta de Paulo à igreja de Roma: capítulo 8.

O cristão não pode estar separado do amor de Cristo.

O cristão *pode* alcançar vitória. A vida cristã opera *de fato, à medida que você segue o Espírito Santo*.

Se você quiser um resumo do que significa ser cristão [...], decore Romanos 8:5: "Aqueles que se deixam controlar por sua natureza pecaminosa, vivem tão-somente para agradar a si mesmos; mas aqueles que são controlados pelo Espírito Santo, só querem fazer as coisas que agradam a Deus".

E à medida que você faz essas coisas para agradar a Deus, *você agrada a si mesmo*.

Nunca é fácil. Nem é automático. A vida cristã significa crescimento e mudança. Crescimento e mudança amiúde [muitas vezes] são dolorosos, e nem todos crescem na mesma medida. Mas à medida que o cristão cresce, ele abandona suas aparências religiosas e seus conceitos infantis de Deus. Ele assume a atitude de esperança e confiança que Paulo revela nas linhas finais de sua Carta aos Romanos.

[...]

O cristão pode cometer deslizes. Pode fracassar. Pode, até às vezes, quase afundar-se, porém seu alvo nunca e´, meramente, tentar seguir uma religião. O cristão tem esperança, poder e potencial que lhe vêm de uma fonte exterior. O cristão está crescendo, mudando, transformando-se naquilo que Deus tem em mente que ele seja. O cristão aprende continuamente a confiar no Deus Vivo, a dar-Lhe ouvidos e a glorificá-Lo. E ele nunca olha para trás... (Fritz Ridenour).

...estivemos estudando o livro de Romanos. Paulo chamou-nos a atenção para diversos assuntos teológicos e práticos. Nos capítulos 1 a 11 foram consideradas profundas questões teológicas. Ao estudar os capítulos 12 a 16, vimos como essas questões se relacionam com a vida prática. Recapitulemos alguns dos principais ensinos do livro de Romanos:

1. Esta epístola nos ensina que o evangelho nos liberta da condenação da lei e nos proporciona alegria e paz.

2. A religião legalista nos torna orgulhosos e envaidecidos.

3. Paulo ensina que não é necessário viver numa "enfadonha rotina religiosa".

4. Pelo poder do Espírito Santo podemos ressuscitar para uma nova vida que se caracteriza pela harmonia com a vontade de Deus.

5. Deus escolhe aqueles que escolhem a Cristo.

6. O plano de Deus para Israel será finalmente cumprido pela Igreja Cristã.

7. A oração intercessória possibilita que participemos nos grandes acontecimentos da história da salvação. (Lições do Dr. Herbert Kiesler)

 

 

 

 

 

A Carta de Paulo aos Romanos e a certeza da salvação

Você já se pegou, em algum dia, com um sentimento muito ruim de estar errado, com um sentimento de culpa por estar fazendo o que você sabe que não está certo? Tem vindo a você sentimentos de dúvida quanto se Deus aceita você, se sua salvação está garantida?

Pois saiba que se você sente isto, não será o primeiro e não será o único. Para citar apenas os mais famosos, Davi, Paulo e Lutero fizeram manifestações memoráveis do seu sentimento de culpa e de sua angústia espiritual.

Lutero era um membro fervoroso da igreja e fazia tudo o que se indicava para conseguir a salvação: fazia penitências fervorosamente, dormia na pedra fria, mas não conseguia paz de espírito.

Ao subir de joelhos uma escadaria em Roma, uma frase escrita pelo apóstolo Paulo em Romanos 1:17 tirou das costas de Lutero o enorme peso. "O justo viverá pela sua fé". Ou: "a vida do justo (neste mundo e na eternidade) vem de aceitar a salvação de Jesus Cristo pela fé" e não por tudo de bom que o homem possa fazer em toda a sua vida. E esta foi uma descoberta tão significativa que hoje a igreja Católica reconhece esta doutrina fundamental ao assinar um reconhecimento a este respeito, junto com a igreja Luterana.

O que significa esta descoberta, em termos práticos, e como isto pode tirar minha sensação de culpa e trazer-me a certeza da salvação?

Vamos agora abrir a Bíblia em Romanos, este manual de salvação pela fé em Jesus e vamos extrair o que mais importante Paulo escreveu lá para os Romanos:

Em Romanos 4, Paulo está falando que se você hoje está colocando as suas energias em fazer o correto e se desviar do errado, está perdendo tempo.

Você pode evitar a condenação dos homens, mas sempre estará longe do padrão, do critério de Deus para um cidadão da eternidade.

Ele fala que não adianta olhar para a Lei – Rom. 4:15 – "Porque a Lei opera a ira". Isto é, como eu não consigo fazer o bem que eu sei que deveria fazer, aquilo que me é mostrado pela Lei de Deus nos Dez Mandamentos, o sentimento que me vem é o de que estou sob a ira de Deus (o Seu afastamento) e não tenho sua companhia aqui, nem a salvação eterna...

Como conseguir paz?

A solução é mostrada em Rom. 5:1 (na versão da Bíblia na Linguagem de Hoje) – "Agora que fomos aceitos por Deus por meio da fé, temos paz com Ele por intermédio de Jesus Cristo, o nosso Senhor."

Para deixar mais claro a maneira correta de obter a paz e a certeza da salvação, Paulo mostra primeiro a maneira errada em Romanos 7. Este capítulo é conhecido como o capítulo do "eu". Experimente contar quantos pronomes "eu", inclusive os ocultos, existem...

Romanos 7 – Casados com Cristo e não com a Lei

Em Romanos 7:1-6, Paulo começa a mostrar como escapar do problema do pecado. Ele diz que o cristão não está casado com a Lei. Como uma pessoa que morreu e, por isto está livre do compromisso com o seu cônjuge. No que diz respeito à lei, ele morreu, e agora é um com Cristo. E ele reforça o que já tinha mostrado em Rom. 6:4 – "Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida." - significativa a comparação e explicação do sentido do batismo que Paulo dá aqui, não?

Assim como Cristo morreu levando a nossa culpa, foi sepultado e ressuscitou para a plenitude da vida, nós também morremos para o pecado, somos sepultados no batismo e ressurgimos para nova vida com Cristo. O batismo por imersão é a única forma que representa corretamente tal experiência (Ver Mat. 3:16; João 3:23; Atos 8:39.) O batismo só é significativo se antes dele o candidato morreu para o pecado. (Herbert Kiesler) –

E só fazendo um parêntese aqui, a escritora Ellen White comenta que muitas igrejas tem excessivos problemas porque muitos crentes são "sepultados vivos" na cerimônia do batismo, ou seja, não morreram realmente para a vida anterior...

Paulo então deixa claro que colocar toda a nossa energia em tentar fazer o que é o certo, aquilo que a Lei indica somente nos deixará em pior situação, porque não o conseguiremos sempre, da maneira que Deus se agradaria...

E daí, vem as desanimadoras constatações registradas em Romanos 7: 16 a 19:

16 E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.

17 Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.

18 Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está.

19 Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.

E isto leva ao desespero demonstrado no verso 24:

24 Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?

Alguma vez você já se sentiu assim?

Eu também já. O pastor Fritz Ridenour fala que o cristão é uma "guerra civil ambulante", porque tem duas naturezas dentro dele, eternamente em conflito...

Felizmente para nós, Paulo não parou aí. No verso 25 ele dá a solução (e eu vou ler na BV): Mas, graças a Deus! Isto foi feito por Jesus Cristo, nosso Senhor. Ele me libertou.

Romanos 8 - Paz e a certeza do amor de Deus ("Quem nos separará do amor de Deus?")

Em Romanos 8 e 12 , Paulo mostra como podemos ser libertos deste "círculo vicioso do pecado e da morte", como ele mesmo fala.

Romanos 8 é chamado de "o capítulo do Espírito Santo".

Enquanto Romanos 7 representa o homem se debatendo na corredeira, tentando com todas as suas forças se manter à superfície, nadando, tentando segurar em pedras lisas, se cortando, Romanos 8 representa o homem que nesta situação, simplesmente deixa de lutar e se solta na corrente, pela cachoeira, para cair... nas mãos de Deus...

- O homem para de lutar na corredeira contra as águas, tentando se segurar nas pedras e se solta na cachoeira e cai nas mãos de Deus...

Romanos 8 representa a paz na planície após a corredeira da montanha

Vejam que confortante a descrição do crente que está em Jesus: "Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus..." (8:1) e "A lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte" (Do círculo vicioso) – Rom. 8:2

E dá o segredo no verso mais importante de Romanos: cap. 8, verso 5: "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito"

O Pastor Ridenour comenta muito bem estes versos:

"O que é que Paulo está dizendo? Não havia ele acabado de admitir que não poderia ter êxito, que jamais poderia obedecer à lei por melhor que ela fosse? Sim, esse é o ponto. Quando tentamos obedecer à lei, estamos tentando FAZER ALGO POR DEUS. Mas quando seguimos o Espírito Santo (vs. 4-5), permitimos que Deus FAÇA ALGO POR NÓS.

Alguns cristãos fracassam porque nem mesmo sabem que têm o Espírito Santo dentro deles. Mas talvez um número bem maior de cristãos fracassem porque o conceito que guardam de ter o Espírito Santo dentro deles não passa de uma bela idéia ou um chavão teológico convencionado, que nada tem a ver com a realidade de suas vidas.

Mas o Espírito Santo não é apenas não é apenas um 'conceito'. Ele é uma Pessoa. Ele é o Espírito de Cristo e tem muito a ver com a sua vida."

O pastor Frederick Meyer tem também uma linda comparação sobre este verso: "Não há necessidade de viver em perpétua autocondenação. Como um passarinho, obedecendo às leis do vôo, é superior à lei da gravidade que o atrai para baixo, assim também o coração, onde a vida de Jesus é aplicada e sustentada pelas incessantes comunicações do Espírito Santo, obtém a vitória sobre a perpétua pressão degeneradora do pecado."

Nós somos como pássaros que tem à sua frente uma corrente de ar que nos impulsiona para cima, o Espírito Santo. É nossa escolha nos rendermos a este fluxo ou nos desviarmos dele, permitindo que a lei da gravidade nos leve para baixo.

E veja só que palavras bonitas do pastor Herbert Kiesler: "A mente é o campo de batalha ou o lugar em que as vitórias são ganhas ou perdidas. O que Paulo nos diz é que devemos concentrar nossa mente no que o Espírito deseja. Escolhemos sobre o que queremos pensar. Se decidimos pensar nas coisas espirituais, isso possibilita que o Espírito Santo nos dirija a mente. Devemos desviar o pensamento daquilo que é carnal, como a ira, a inveja e a concupiscência. A mente precisa aprender a demorar-se em assuntos elevados. Paulo disse: "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da Terra;" Col. 3:2."

E como é que a nossa escolha pelas coisas espirituais nos transforma?

Isto Paulo conta em Romanos 12:1 e 2:

"1 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2 E eu vou ler o verso 2 na BLH:

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança das suas mentes. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável a Ele.

Quando a mente é renovada pelo Espírito Santo, os crentes em Cristo podem demonstrar a perfeita vontade de Deus em sua vida diária. O poder que lhes é provido possibilita que os pensamentos e as ações sejam bons e agradáveis a Deus. (Ver II Cor. 7:1; Fil. 2:15; II Cor. 10:4 e 5.) (Herbert Kiesler)

Romanos 12:1 e 2 mostra como Deus age em nós. A morte para a nossa velha natureza deve ser diária. A cada dia devo submeter a rebeldia e a tendência de viver independentemente de Deus. O nosso batismo de aceitação – a identificação com a morte e ressurreição de Jesus deve ser diário. Alguns fazem isto somente uma vez, ou uma vez por ano, ou uma vez por mês e por isto sentem tanta confusão e culpa.

"Como falamos no começo, Paulo mostra na epístola aos Romanos como remover a culpa e entrar em harmonia com Deus

O cristianismo afirma que Deus veio até nós e já fez algo pela humanidade: *Ele removeu a nossa culpa*. Excetuando-se a morte, a culpa é, talvez, o maior inimigo do homem. A culpa é o ácido corrosivo, consumidor, que devora uma pessoa por dentro; é o conhecimento instintivo de que você não é tudo aquilo que desejaria que fosse; que realmente você não está em condições de permanecer diante de um Deus justo e santo.

Volte e leia o ponto alto da carta de Paulo à igreja de Roma: capítulo 8.

O cristão não pode estar separado do amor de Cristo.

O cristão *pode* alcançar vitória. A vida cristã opera *de fato, à medida que você segue o Espírito Santo*.

Se você quiser um resumo do que significa ser cristão [...], decore Romanos 8:5: "Aqueles que se deixam controlar por sua natureza pecaminosa, vivem tão-somente para agradar a si mesmos; mas aqueles que são controlados pelo Espírito Santo, só querem fazer as coisas que agradam a Deus".

E à medida que você faz essas coisas para agradar a Deus, *você agrada a si mesmo*.

Nunca é fácil. Nem é automático. A vida cristã significa crescimento e mudança. Crescimento e mudança muitas são dolorosos, e nem todos crescem na mesma medida. Mas à medida que o cristão cresce, ele abandona suas aparências religiosas e seus conceitos infantis de Deus. Ele assume a atitude de esperança e confiança que Paulo revela nas linhas finais de sua Carta aos Romanos. [...]

O cristão pode cometer deslizes. Pode fracassar. Pode, até às vezes, quase afundar-se, porém seu alvo nunca é, meramente, tentar seguir uma religião. O cristão tem esperança, poder e potencial que lhe vêm de uma fonte exterior. O cristão está crescendo, mudando, transformando-se naquilo que Deus tem em mente que ele seja. O cristão aprende continuamente a confiar no Deus Vivo, a dar-Lhe ouvidos e a glorificá-Lo. E ele nunca olha para trás..." (Fritz Ridenour)

 

 

 

4 - CONCLUSÃO

Prezado amigo, se até hoje a sua vida espiritual tem se baseado em tentar fazer o que é certo, e por causa dos seus fracassos tem se sentido desanimado espiritualmente, lembre-se do que aprendemos dos conselhos de Paulo:

É através da nossa sujeição diária ao Espírito Santo, numa vida de oração e estudo da Palavra de Deus que seremos transformados.

E veja bem:

Devemos colocar nossas energias para olhar para Jesus e não para a Lei e Ele nos habilitará, pelo Espírito Santo, a cumprirmos a Lei.

Que estes conselhos de Paulo possam transformar a sua vida e torná-la alegre e solta. Vamos! Solte-se nas mãos de Deus! É uma experiência que você nunca vai esquecer... ...por toda a eternidade...!!!

Versos chaves de Romanos: 1:17; 7:24 e 25; 8:5; 12:1 e 2.

 

 

 

 

Bibliografia Básica:

HERBERT, Kiesler. Lições da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira. 4º trimestre, 1990.

FRITZ, Ridenour. Como Ser Cristão sem Ser Religioso. 5ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1985.

MEYER, F. B. Comentário Bíblico Devocional - Novo Testamento. Venda Nova/MG: Betânia

MEHL, Ron. Deus Trabalha no Turno da Noite. São Paulo: Quadrangular.

APOLINÁRIO, Pedro. Explicação de Textos Difíceis da Bíblia. 4ed. São Paulo: Instituto Adventista de Ensino, Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, 1990.