Lição 10

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A verdadeira grandeza

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VERSO PARA MEMORIZAR: "Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também" (João 13:15).

LEITURAS DA SEMANA: João 13:1-30; capítulo 17.

PENSAMENTO-CHAVE: Em vez de ficar absorto em Sua própria humilhação que se aproximava, em João 13–17, Jesus expressou amorosa preocupação pelos Seus discípulos.

A VERDADEIRA GRANDEZA É SEGUIR a Jesus no caminho do serviço e da humildade. Para muitos, grandeza significa acumulação de riquezas, fama e poder. Para esses, a ocasião do "lava-pés" representa a humilhação máxima. Jesus aqui fez o oposto do que parece natural à experiência humana.

A partir do capítulo 13, todo o tom do Evangelho de João é mudado. Em vez do ministério público, Jesus Se retira para um lugar não especificado a fim de instruir detalhadamente os Seus discípulos.

Esta lição e a próxima cobrem João 13–17, a porção do Evangelho que relata a "experiência do cenáculo". Por motivos de espaço, vamos nos afastar da ordem do Evangelho. Nesta lição, vamos destacar os elementos comuns dos capítulos 13 e 17, onde a preocupação de Jesus pelos Seus discípulos é expressa no lava-pés (João 13) e em uma oração maravilhosa (João 17).

 

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O lava-pés João – 13:1-11

1. Leia João 13:1-11 e então, em suas próprias palavras, descreva o que este relato significa. Por que o Espírito Santo dirigiu João para incluir este episódio em seu Evangelho? Qual é a mensagem chave para nós?

Era o costume nos tempos do Novo Testamento as pessoas se banharem antes de irem a uma festa. Quando chegavam, eles não precisavam tomar banho novamente; eles só precisavam ter os pés lavados. Assim, a lavagem dos pés era como uma formalidade que precedia a entrada na casa onde seriam hóspedes. Mas, neste caso, alguma coisa muito maior estava ocorrendo.

2. Por que Jesus lavou os pés de Judas, apesar de tudo? Como aquele ato simboliza o significado do lava-pés? João 13:10-12.

O banho pleno do corpo representa a completa purificação que uma pessoa recebe no princípio da vida cristã (batismo). O lava-pés, por outro lado, representa a necessidade contínua de o cristão remover as impurezas que vêm do contato diário com o mundo pecaminoso e sua contaminação. Os pés são a parte do corpo que antigamente entrava em contato regular com a terra e, portanto, precisava de limpeza ininterrupta.

A bela lição que recebemos da ação de Jesus é que nossas negligências diárias como cristãos não provam que nossa purificação original foi incompleta. Não é necessário ser rebatizado ou começar tudo de novo cada vez que cometemos um erro. Quem se banhou só precisa lavar novamente os pés! Estamos seguros enquanto não decidirmos voltar as costas a Cristo (veja também João 10:27-29).

A imagem de Jesus lavando os pés dos discípulos representa o perdão dos pecados cometidos depois do batismo. A imagem dos discípulos lavando os pés uns dos outros significa nossa vontade de perdoar aquelas irritações e transgressões diárias que ameaçam a unidade no amor que Jesus pretendia que os Seus discípulos vivessem (veja também 13:34 e 35).

 

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Verdadeira grandeza – João 13:12-17

2. Qual foi o propósito adicional de Jesus em lavar os pés dos discípulos? João 13:12-17.

Verdadeira grandeza é o Rei do Universo caminhando para o canto de uma sala, tomando uma toalha e uma bacia de água e abaixando-Se para lavar os pés de um discípulo impulsivo como Pedro e de um traidor como Judas. a verdadeira grandeza não precisa ser alardeada nem exibida. É necessário verdadeira grandeza para exercer o autocontrole ou cumprir o papel de um escravo. É necessário verdadeira grandeza para fazer a coisa certa quando todos riem de você ou o menosprezam em seu coração.

Verdadeira grandeza é ter a mesma atitude de Jesus (Filip. 2:5), que, "subsistindo em forma de Deus" (v. 6), ainda assim tomou "a forma de servo" (v. 7) e "a Si mesmo Se humilhou" (v. 8). Verdadeira grandeza é considerar "os outros superiores a si mesmo" (v. 3). Verdadeira grandeza é seguir a Jesus no caminho de serviço e de humildade.

Por outro lado, se nosso primeiro pensamento em qualquer situação forem os nossos interesses e a vantagem que obteremos, estaremos procurando uma falsa grandeza. Se nossa primeira reação a qualquer situação for de importunar, depreciar, criticar e reclamar, estaremos exibindo o oposto da humildade e da verdadeira grandeza. Quando humilhamos as outras pessoas, estamos dizendo: "Sou melhor do que você". Quando consideramos os outros superiores a nós mesmos, erguemos, encorajamos e elogiamos.

4. Como podemos desenvolver verdadeira grandeza? Como podemos aprender a amar uma vida de serviço? João 13:12-17; 15:4-8; II Cor. 3:18.

A maneira como sua igreja local pratica o lava-pés reflete o espírito de Jesus? Se não, como você pode mudar essa situação? Sua igreja local cumpre o exemplo de Jesus em suas relações com as pessoas de dentro e de fora do corpo da igreja? Como o serviço do lava-pés pode se tornar uma parte mais significativa da nossa experiência cristã?

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Judas: "grandeza" diferente – João 13:18-30

5. Que propósito Jesus tinha ao predizer a traição? Como o princípio mostrado aqui se aplica a toda a profecia? João 13:18 e 19.

6. Como o conhecimento de que seria traído afetou Jesus? João 13:21-26. Por que esse fato deve ter sido tão doloroso? O que estes textos nos dizem sobre o que Deus sente mesmo para com os piores pecadores?

"Os discípulos nada sabiam do desígnio de Judas. Unicamente Jesus podia ler o seu segredo. Não obstante, não o expôs. Jesus estava sequioso de sua alma. Sentia-Se por ele tão oprimido como por Jerusalém, quando chorara sobre a condenada cidade. Seu coração bradava: ‘Como posso renunciar a ti?" – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág. 645.

Mas Judas escolheu seguir um caminho para a "grandeza" diferente do exibido por Cristo no serviço do lava-pés. Neste ponto em particular ele se considerava mais sábio do que Cristo. Era óbvio a qualquer um que a grandeza vinha do poder, da riqueza e da estima dos outros! Mas esse curso lógico de ação só o levou à destruição pessoal.

"A perspectiva de um lugar de honra levara Judas a desposar a causa de Cristo. ...

"Foi ele que arquitetou o plano de apoderar-se de Cristo à força e fazê-Lo rei. ...

"[Ele esperava assegurar] a primeira posição, depois de Cristo, no novo reino." – Págs. 718-721.

Judas falhou em perceber que qualquer pessoa pode fazer-se de grande ou exigir ser tratada como grande. Qualquer pessoa pode gastar dinheiro ou comandar os outros, se tiver oportunidade. O que requer verdadeira grandeza é representar a parte de um servo e cumprir as tarefas que os outros deveriam ter cumprido. Requer verdadeira grandeza pôr os outros em primeiro lugar, tratar os outros como sendo melhores do que você mesmo.

 

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Jesus ora por Seus discípulos – João 17:1-19

7. Leia cuidadosamente João 17:1-19, com esta pergunta em mente: Por quem Jesus ora aqui, e por quê?

A reunião de despedida entre Jesus e Seus discípulos (João 13-17) chegou ao fim com uma oração intercessora em três partes. Em João 17:1-5, Jesus ora por Si mesmo. Nos versos 6 a 19, Sua atenção se voltou para Seus discípulos e à sua necessidade de apoio durante a ausência de Jesus (a terceira parte vamos examinar amanhã).

O objetivo inicial da oração de Jesus é de obter ajuda para completar a tarefa de glorificar o Pai na Terra (vs. 1-5). Essa tarefa foi realizada na cruz. Nunca houve um quadro mais claro do caráter de Deus do que o mostrado por Jesus em Sua humilhação e morte. Mas Jesus orou pedindo forças para completar essa tarefa, não apenas para Seu próprio benefício ou de Seu Pai, mas por causa de todos os que creriam nEle. Quando Jesus e Seu Pai são glorificados na cruz, a vida eterna se torna disponível aos que se encontram em relação com Jesus (vs. 2 e 3). Assim, mesmo em Suas orações por Si mesmo, o grande interesse de Jesus era a glória de Seu Pai e o benefício de outros.

Jesus então dirigiu Sua oração especificamente em favor dos Seus discípulos, que logo teriam que aprender a viver sem a Sua presença física. Ele não orou pelo mundo, mas apenas pelos que renunciariam ao mundo (v. 9). Ele orou por Seus discípulos, porque eles teriam que permanecer no mundo quando Ele Se fosse, e se tornariam objeto da atenção dos poderes do mal. Como no capítulo 13, a humilhação de Jesus, que se aproximava, não retirou a preocupação por Si mesmo; ao contrário, dirigiu Sua atenção para as conseqüências de Seu "afastamento" sobre Seus discípulos.

 

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"Por aqueles que vierem a crer" – João 17:20-26

8. Por quem mais Jesus orou em João 17? João 17:20.

9. O que Ele ora para que seja a experiência comum tanto dos discípulos como da segunda geração de cristãos? João 17:21-24.

Na última parte da Sua oração, Jesus Se interessou pela segunda geração de cristãos. Em sentido mais pleno, esta segunda geração incluía todos os cristãos que nunca tiveram um encontro com Jesus em carne.

Quando o amor pelo qual Jesus orou produzir unidade na igreja, o mundo virá a saber que Jesus é verdadeiramente Aquele que representa o caráter do Pai na Terra (veja também João 13:34 e 35). Por outro lado, o mundo nunca será atraído seriamente a Cristo pela instrumentalidade de uma igreja amargamente dividida.

Na oração de Jesus, temos o vislumbre de uma razão por que muitas orações não são respondidas. Cada provisão foi a favor da unidade da igreja. Mas a desunião evidente da igreja em geral mostra que até as orações de Jesus podem ser frustradas pelo espírito humano obstinado e egoísta. Existem muitas coisas que Deus gostaria muito de fazer pela igreja se tão-somente Seu povo estivesse disposto a Lhe permitir que fizesse.

Outra coisa notável neste capítulo é a idéia de Jesus orar por Seus discípulos e por nós. Com todo o poder que Jesus exibiu no curso de Seu ministério na Terra, Ele ainda via grande importância na oração em favor de outros. A oração pelos outros realiza coisas neste mundo que nunca aconteceriam de outro modo.

Mas, para a maioria dos cristãos, a oração pelos outros pode ser uma experiência de altos e baixos. Então, é benéfico ter um período regular reservado para a oração. Também pode ser útil fazer uma lista de oração, desde que a lista não seja tão longa que se torne inviável. Mas, acima de tudo, ter algum tipo de responsabilidade na vida de oração, um companheiro de oração ou um grupo de oração que encoraje a pessoa quando as coisas se tornarem difíceis, é bastante salutar.

 

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ESTUDO ADICIONAL

Leia alguns dos grandes "discursos de despedida" da Bíblia, além do Evangelho de João (Gên. 47:29-49:33; todo o livro de Deuteronômio; Josué 23 e 24; I Crônicas 28 e 29; Atos 20:17-38; II Tim. 3:1–4:8). Quais são os elementos comuns em todos esses discursos? Até que ponto Jesus, em João 13–17, se encaixa em um padrão literário comum? Em que pontos Ele foi diferente dos exemplos antigos? Se você precisasse fazer um discurso de despedida para sua família e seus amigos baseado nos modelos bíblicos, o que você diria?

Em João 17, Jesus fala em "glorificar" Seu Pai e ser Ele mesmo glorificado (João 17:1, 4 e 5). Este conceito de glória é um tema central no Evangelho de João (João 1:14; 2:11; 7:18; 8:50; 12:23, 24; 14:13; 15:8; 17:10; 21:19; em alguns textos, os tradutores podem substituir por palavras como "honra"). Esse conceito também é um componente significativo da primeira mensagem angélica em Apocalipse (Apoc. 14:6 e 7). O que estes textos dão a entender sobre a palavra ‘glória’? Como a leitura desses textos influencia sua vida? Como podemos "glorificar a Deus" em nossa vida hoje?

PERGUNTAS PARA CONSIDERAÇÃO:

1. Por que tipo de unidade Jesus estava orando? É possível ter unidade na fé sem unidade de doutrina ou crença? Que medida de diferença nas crenças pode haver antes que a desunião apareça?

2. Por que o conhecimento de Jesus é a chave para a vida eterna? Quando Jesus falou sobre a vida eterna em João 17:3, Ele estava pensando em qualidade de vida agora, ou estava pensando só no Céu?

3. Leia cuidadosamente João 17:17. Qual é a importância da Bíblia para a nossa vida espiritual?

RESUMO: O ponto-chave desta lição é que a verdadeira grandeza não está no poder, na riqueza ou na fama; é encontrada somente quando seguimos a Jesus no caminho do serviço e da humildade. Jesus demonstrou esse caminho quando, plenamente consciente da Cruz que deveria experimentar, mostrou mais preocupação pelo efeito dos eventos por acontecer em breve sobre Seus discípulos do que por Si mesmo. Ao lavar os pés dos discípulos e orar por eles, como também por nós, Jesus fez o contrário do que acontece naturalmente ao espírito humano. Fazendo assim, Ele nos deu um exemplo de verdadeira grandeza.